Notas breves, fatos relevantes.
Entre o acontecimento e a interpretação, a realidade cotidiana se apresenta em fragmentos que exigem discernimento, síntese e juízo prudente.
O verdadeiro discurso político consiste naquela pretensão ousada, por parte do orador, de oferecer soluções condizentes com a realidade concreta de seus ouvintes. Ora, o homem, por natureza, é mau e possui uma alma corrompida; e isso se evidencia com clareza, pois, se tal afirmação fosse falsa, o socialismo seria, ao menos em algum grau, viável. Entretanto, uma vez que a questão da distribuição de renda, quando o trabalho não é proporcional à retribuição, só pode ser resolvida de duas maneiras, resta-nos uma alternativa excludente: — ou se impõe o trabalho e a contribuição forçada em nome de uma suposta eficácia nacional, o que inevitavelmente desemboca no autoritarismo; ou se estabelece um regime de concorrência no qual o lucro e a rentabilidade são colocados nas mãos daqueles que efetivamente participam do processo produtivo, isto é, o capitalismo.
Entretanto, o autoritarismo pressupõe necessariamente a existência de uma autoridade, algo que os revolucionários condenam sob o pretexto de opressão. Ora, mesmo nessa chamada “nova esquerda caviar”, percebe-se com nitidez o quão opressivo eles consideram o próprio conceito de autoridade: — seja ao incentivar a oposição dos filhos aos princípios de seus pais; seja ao relativizar a orientação sexual sob a alegação de que ela seria mero produto de uma estrutura social imposta pela burguesia; seja, ainda, ao imbecilizar os alunos sob o pretexto de exercer uma suposta “pedagogia do oprimido” — IMBECILIDADE E CINISMO — OS DOIS DISCÍPULOS DE FREIRE. Em suma, o conceito de autoridade é algo que esses grupos evitam ao máximo e procuram, deliberadamente, submeter ao escrutínio permanente, rotulando-o como opressor e reacionário, quando, na verdade, o que rejeitam não é o abuso da autoridade, mas a própria ideia de ordem, hierarquia e responsabilidade.
Quando o autoritarismo se alia a essa ideologia, o resultado é aquele que observamos nas ditaduras socialistas. Por outro lado, quando o autoritarismo se articula a princípios que antecedem o próprio conceito de democracia, temos aquilo que a nossa Constituição denomina Estado de Exceção.
Perceba-se, portanto, que o termo autoritarismo, embora idêntico na forma, não designa uma única noção — trata-se do que Aristóteles chamaria de um equívoco (homonymía). O autoritarismo próprio das ditaduras socialistas gravita em torno de uma ideologia dissociada da justiça natural (do latim dictare, ditar, prescrever, impor) e, de modo ainda mais grave, apartada da própria Constituição. Já o autoritarismo exercido em função desses mesmos princípios constitucionais não deve ser compreendido como ditatorial, mas como excepcional (do latim exceptio, –onis, significando o ato de excluir, ressalva ou restrição) à ordem regular da nação. O fato é que esse último tipo de autoritarismo, precisamente por estar limitado por fundamentos jurídicos e morais anteriores ao poder, jamais se perpetuou de modo decisivo e cabal em qualquer nação, ao contrário do primeiro, cuja essência é justamente a perpetuação do poder ideológico sem freios transcendentes ou normativos. Novamente, o autoritarismo ideológico consiste na imposição de uma ideia à margem dos princípios elementares da civilização, como a família, a religião, os costumes e a moral. O autoritarismo excepcional, por sua vez, não se apresenta como um fim em si mesmo, mas como um meio indesejado, embora necessário, para restabelecer esses mesmos princípios elementares da civilização como norma e fundamento da sociedade.
A mentalidade revolucionária, portanto, deve assegurar, antes de tudo, que os conceitos de autoridade e ordem sejam apresentados como algo inteiramente alienador e opressor, como se restringissem liberdades, silenciassem vozes e agredissem posições excêntricas. Desse modo, quando tais princípios conservadores são defendidos, nada mais resta a fazer, segundo essa lógica, senão incriminá-los de forma agressiva. O desfecho dessa história, caro leitor, já é bem conhecido. Eles assumem o poder, estabelecem os seus próprios princípios como fundamento da civilização e, então, duas coisas inevitavelmente acontecem: — [1] – aqueles que discordam de suas posições são conduzidos ao matadouro; [2] – eles continuam a clamar contra a suposta mentalidade reacionária e opressora que previamente rotularam, insistindo na necessidade de combatê-la em nome da democracia, por mais que estejam efetivamente no poder, continuam a se apresentar como vítimas em seu próprio discurso, pelo que concluímos que essa porcaria de luta de classes é um discurso político e não um problema efetivo da nação.
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