por Plínio Sousa | 28 jan 2026 | NOTAS & FATOS
O Banco Central do Brasil prepara-se para iniciar cortes na taxa básica de juros (Selic) em março de 2026, segundo consenso de economistas. A taxa de 15% deve permanecer no encontro de 28 de janeiro antes de eventual redução de 25 – 50 pontos base, diante de inflação em desaceleração e expectativas de estímulo à atividade econômica. Estima-se crescimento do PIB em 1,8% em 2026, inferior às projeções de 2025.
Desafios estruturais e competitividade.
Relatório do Boston Consulting Group (BCG) assinala que a economia brasileira enfrenta entraves estruturais: — produtividade estagnada, barreiras ao comércio, sistema tributário complexo e infraestrutura deficitária. Entretanto, destaca-se o controle da inflação e a posição do Brasil como um dos maiores receptores globais de investimento estrangeiro direto em 2024; a pobreza, embora ainda elevada, reduziu-se significativamente desde 1998, mas, certamente, não em virtude dos desgovernos do Partido dos Trabalhadores (PT).
por Plínio Sousa | 28 jan 2026 | ECONOMIA
(20 de janeiro de 2026) — O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que a dinâmica da dívida pública brasileira está mais associada ao patamar elevado dos juros reais — a taxa nominal descontada a inflação — do que ao tamanho dos déficits fiscais, os quais, segundo ele, vêm sendo reduzidos nos últimos anos. “Em dois anos nós reduzimos em 70% o déficit primário. O problema da dívida tem a ver com o juro real, não tem a ver com o déficit, que está caindo”, declarou em entrevista ao programa UOL News, defendendo que custos de juros elevados pressionam o endividamento estatal e que há margem para queda na taxa básica de juros ao longo do tempo.
Esse posicionamento reforça a ideia de que o cenário econômico brasileiro tem sido fortemente influenciado pelo custo do crédito e pelos juros elevados, que exercem impacto tanto sobre a atividade econômica quanto sobre a trajetória da dívida pública — aspecto já observado em dados que mostram custos de emissão de dívida e aumentos de encargos associados à taxa Selic em níveis historicamente altos.
Os erros fundamentais.
O pensamento expresso pelo ministro Fernando Haddad, ao atribuir a dinâmica da dívida pública brasileira principalmente aos juros reais elevados em vez dos déficits fiscais, contém erros fundamentais quando analisado à luz da Escola Austríaca de Economia e da tradição liberal clássica. Essa visão tende a inverter a causalidade, tratando os juros altos como causa primária do endividamento, em vez de reconhecê-los como sintoma de problemas estruturais mais profundos, como gastos governamentais excessivos, expansão monetária e intervenções estatais que distorcem o mercado. Abaixo, explico os principais erros, fundamentando-me em autores chave dessas correntes, como Ludwig von Mises, Friedrich Hayek, Murray Rothbard (da Escola Austríaca) e liberais como Milton Friedman e James Buchanan (que dialogam com princípios liberais de responsabilidade fiscal).
Inversão de causalidade — Juros altos são sintoma, não causa principal.
1 – Erro no pensamento.
Haddad sugere que a redução dos déficits primários (em 70% em dois anos) é suficiente para estabilizar a dívida, e que o “problema” reside nos juros reais altos, defendendo uma queda na taxa básica (Selic). Isso implica que intervenções para baixar juros artificialmente (via Banco Central) resolveriam o endividamento, ignorando que juros elevados refletem o risco percebido pelo mercado — decorrente de déficits acumulados, inflação e instabilidade fiscal histórica.
2 – Crítica austríaca/liberal.
Os juros reais altos não são uma anomalia isolada, mas uma consequência direta de políticas fiscais expansionistas que geram dívida excessiva. Déficits persistentes forçam o governo a emitir mais títulos, aumentando a oferta de dívida e elevando os custos de financiamento (efeito “crowding out”, onde o Estado compete com o setor privado por recursos). Baixar juros forçadamente distorce os sinais de preço no mercado, levando a alocações ineficientes de capital e ciclos econômicos artificiais.
3 – Ludwig von Mises (em A Teoria da Moeda e do Crédito, 1912, e Ação Humana, 1949).
Mises argumenta que juros artificiais baixos, manipulados por bancos centrais, causam “booms” (expansões) insustentáveis seguidos de “busts” (colapsos). No contexto da dívida pública, ele critica o financiamento de déficits via expansão monetária, que inflaciona a economia e erode o valor da moeda. Para Mises, o verdadeiro problema é o gasto estatal excessivo, que cria dependência de dívida barata, não os juros em si — que são um mecanismo natural de alocação de escassez temporal de capital.
Friedrich Hayek (em Preços e Produção, 1931, e seu Prêmio Nobel de 1974 sobre ciclos econômicos).
Hayek enfatiza que intervenções em taxas de juros distorcem o “conhecimento disperso” do mercado, levando a investimentos mal direcionados. Aplicado à dívida brasileira, juros altos sinalizam risco de calote ou inflação futura devido a déficits crônicos; reduzi-los artificialmente mascara o problema, incentivando mais endividamento e prolongando a crise, como visto em ciclos de hiperinflação em economias intervencionistas.
Milton Friedman (em Capitalismo e Liberdade, 1962, e estudos sobre monetarismo).
Embora não puramente austríaco, Friedman, como liberal, alerta que déficits fiscais financiados por dívida ou impressão de moeda geram inflação, que por sua vez eleva juros nominais. Ele defende regras fiscais rígidas (como limites de dívida) em vez de manipulações discricionárias, argumentando que governos tendem a subestimar o custo de longo prazo dos déficits, focando em soluções de curto prazo como cortes de juros — o que agrava a instabilidade.
Ignorância do efeito acumulado dos déficits e da inflação implícita.
Ao destacar a redução recente do déficit primário, Haddad minimiza o impacto cumulativo da dívida histórica (que ultrapassa 70% do PIB em 2026) e ignora que déficits “reduzidos” ainda são positivos, adicionando à dívida total. Além disso, ele subestima como políticas monetárias expansionistas (para baixar juros) geram inflação, que corrói o poder de compra e pressiona a dívida real.
Déficits fiscais não são neutros mesmo quando “reduzidos”; eles acumulam dívida, que requer rolagem constante a custos crescentes. Juros altos são um prêmio de risco imposto pelo mercado para compensar a inflação esperada e a probabilidade de default (inadimplemento). A Escola Austríaca vê a inflação não como mero “desconto” (como na visão de Haddad), mas como uma forma de tributação oculta que beneficia o Estado às custas dos cidadãos.
Rothbard, austríaco radical, argumenta que a dívida pública é uma forma de “roubo intergeracional”, onde déficits financiam gastos atuais transferindo custos para o futuro via inflação ou impostos. Ele critica visões como a de Haddad por tratarem juros como “problema” isolado, quando na verdade eles resultam de monopólios estatais sobre a moeda (como o Banco Central), que permitem expansão creditícia. Para Rothbard, a solução não é baixar juros, mas cortar gastos e privatizar funções estatais para eliminar déficits.
Como liberal influenciado por princípios austríacos, Buchanan explica que políticos têm incentivos para maximizar déficits (para ganhar votos com gastos), subestimando custos futuros. Isso cria um “viés deficitário” que eleva juros como mecanismo de correção do mercado. No caso brasileiro, Buchanan veria a ênfase de Haddad nos juros como uma distração para evitar reformas fiscais profundas, como cortes em privilégios estatais ou desregulamentação.
Riscos de intervencionismo e falta de sustentabilidade de longo prazo.
A defesa de “margem para queda na taxa básica” implica confiança em intervenções monetárias para gerenciar a dívida, ignorando riscos de instabilidade financeira e dependência de credores externos.
Políticas que priorizam cortes de juros sobre equilíbrio fiscal levam a “moral hazard” – risco moral (onde o Estado assume riscos excessivos sabendo que pode manipular a moeda). Isso contraria o princípio liberal de mercados livres, onde preços (incluindo juros) devem refletir escassez real, não decretos governamentais.
Von Mises e Hayek (como citado acima) alertam para os “ciclos austríacos”, onde juros baixos artificiais inflacionam bolhas de dívida, como observado em crises como a da Argentina ou da Grécia — paralelos possíveis ao Brasil.
Friedman defende que estabilidade vem de regras monetárias previsíveis, não de intervenções ad hoc para “reduzir custos de dívida”, que acabam elevando inflação e juros reais no longo prazo.
Em resumo, o erro central é tratar sintomas (juros altos) como causa, em vez de atacar raízes fiscais e monetárias. Autores austríacos e liberais enfatizam que soluções sustentáveis envolvem cortes de gastos, responsabilidade fiscal e limitação do poder estatal, não manipulações que perpetuam o ciclo de endividamento. Essa visão intervencionista, comum em economias keynesianas, contrasta com o liberalismo, que prioriza liberdade econômica e mercados auto–reguladores.
por Plínio Sousa | 10 jan 2026 | SEGURANÇA PÚBLICA
(14 de outubro de 2025) — O Nordeste brasileiro, região amplamente governada por partidos de esquerda, tornou-se o epicentro da violência nacional. Sob o discurso de políticas sociais e segurança humanitária, a realidade expõe um colapso institucional profundo: — as taxas de homicídio e de crimes violentos intencionais são as mais altas do país, e a presença do Estado, em muitas áreas, é apenas nominal.
Atualmente, oito dos nove estados nordestinos são governados por partidos de esquerda ou de orientação progressista:
Bahia (PT – Jerônimo Rodrigues).
Ceará (PT – Elmano de Freitas).
Piauí (PT – Rafael Fonteles).
Maranhão (PSB – Carlos Brandão).
Rio Grande do Norte (PT – Fátima Bezerra).
Paraíba (PSB – João Azevêdo).
Sergipe (PSD – Fábio Mitidieri).
Alagoas (MDB – Paulo Dantas, aliado da base petista).
Pernambuco, sob Raquel Lyra (PSDB), mantém alianças e políticas de mesma orientação.
O resultado dessa hegemonia política é visível nos números.
Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025, que compila dados oficiais de 2024, o Nordeste concentra as piores taxas de Mortes Violentas Intencionais (MVI) do país.
A Bahia lidera com 40,6 mortes por 100 mil habitantes, seguida do Ceará, com 37,5, Pernambuco (36,2), Alagoas (35,4) e Maranhão (27,8).
Em seguida aparecem Paraíba (18,7), Rio Grande do Norte (18,5), Sergipe (16,0) e Piauí (15,3).
A média regional é alarmante: — 33,8 mortes violentas por 100 mil habitantes, contra uma média nacional de 20,8, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
Isso significa que, em termos proporcionais, a região nordestina é quase duas vezes mais violenta que o restante do país.
A Bahia, governada pelo PT há quase duas décadas, mantém-se consistentemente como o estado mais violento do Brasil. Em 2024, Salvador e sua região metropolitana registraram os maiores índices de homicídios do país, com mais de 5.500 mortes violentas — número superior ao de muitos países inteiros da Europa.
O Ceará, segundo no ranking, enfrenta um colapso ainda mais simbólico e trágico: — facções criminosas tomaram o controle de bairros e distritos inteiros, expulsando populações e instaurando domínio territorial.
No interior cearense, o caso mais emblemático é o do distrito de Uiraponga (CE), no município de Morada Nova, onde cerca de 300 famílias foram obrigadas a abandonar suas casas após ameaças diretas de grupos rivais que disputam o narcotráfico e o controle de rotas de transporte.
A prefeitura decretou situação de emergência, e escolas, postos de saúde e estabelecimentos públicos foram fechados. O vilarejo, outrora habitado, tornou-se uma cidade fantasma — símbolo da falência da autoridade estatal.
As investigações apontam para a atuação de facções como o CV (Comando Vermelho), o GDE (Guardiões do Estado) e o TCP (Terceiro Comando Puro), que impõem o terror local e decidem quem pode ou não permanecer nas comunidades. Mesmo com prisões pontuais, a população não retornou às suas casas.
O Comando Vermelho (CV), surgido nas prisões do Rio de Janeiro na década de 1970, é uma das mais antigas e violentas facções do país, com atuação no tráfico de drogas, armas e domínio de presídios.
O GDE (Guardiões do Estado) é uma organização criminosa originária do Ceará, formada em 2016 por dissidentes locais e fortemente estruturada nas periferias de Fortaleza, mantendo vínculos eventuais com o CV para troca de armas e rotas.
O TCP (Terceiro Comando Puro), também nascido no Rio de Janeiro, surgiu como uma dissidência direta do Comando Vermelho, mas atua de forma independente, em disputa com o CV e, em alguns territórios, em aliança tática com o Primeiro Comando da Capital (PCC) — especialmente em estados do Nordeste, onde o tráfico de entorpecentes e armas requer coordenação logística interestadual.
Essas facções, segundo o Relatório Nacional de Facções Criminosas (MJSP, 2024), estão hoje presentes em todos os estados do Nordeste, com expansão territorial acelerada no Ceará, Bahia e Pernambuco, dominando presídios, bairros e comunidades inteiras.
No caso de Uiraponga, a disputa envolve o GDE e o TCP, que travam guerra aberta pelo controle da rota sertaneja que liga o Ceará ao Piauí — uma das novas fronteiras do narcotráfico no interior nordestino.
Em paralelo, Pernambuco, Alagoas e Maranhão continuam entre os estados com maiores índices de violência letal, sem redução consistente nos últimos cinco anos. Em Pernambuco, a taxa de homicídios chegou a 36,2 por 100 mil habitantes, e a capital Recife segue entre as dez mais violentas do Brasil. Alagoas, com 35,4, voltou a registrar aumento de mortes após dois anos de queda, e Maranhão, com 27,8, viu crescer o número de assassinatos ligados ao tráfico interestadual. Já Paraíba (18,7) e Rio Grande do Norte (18,5) — embora apresentem índices ligeiramente menores — continuam acima da média nacional. Sergipe (16,0) e Piauí (15,3) figuram entre os menos violentos da região, mas ainda distantes de um quadro de segurança aceitável.
De acordo com o Atlas da Violência 2024, mesmo com a redução nacional para 21,2 homicídios por 100 mil habitantes, o Nordeste permanece como a região mais letal do país, responsável por quase metade dos assassinatos no território nacional.
Enquanto os governos estaduais multiplicam campanhas ideológicas e discursos sobre “segurança cidadã”, as facções transformam bairros inteiros em zonas de exclusão, e o cidadão comum se vê sem alternativa: — ou se cala, ou foge.
O contraste entre o discurso e a realidade é abissal. O Nordeste, berço de promessas populistas e discursos de igualdade social, colhe hoje os frutos da omissão, da leniência penal e da destruição das estruturas de autoridade.
A violência tornou-se o idioma oficial das ruas — e o Estado, cúmplice silencioso, parece já não compreender a própria língua da lei.
Facções executam prefeito e interferem na política municipal.
A crise de segurança no Nordeste atingiu um novo e alarmante patamar: — facções criminosas agora interferem diretamente nas relações políticas municipais, elegendo representantes, financiando campanhas e, quando necessário, eliminando adversários.
O caso mais emblemático ocorreu no Rio Grande do Norte, onde o prefeito de João Dias, Francisco Damião de Oliveira (conhecido como Marcelo), foi executado a tiros em outubro de 2023 em um atentado atribuído a facções ligadas ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e a grupos armados locais.
A execução do prefeito Francisco Damião de Oliveira (União Brasil), revelou o grau alarmante da infiltração do crime organizado na política municipal do Nordeste.
O crime, planejado e executado por traficantes ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC), foi o desfecho trágico de uma disputa de poder que envolvia contratos públicos, financiamento eleitoral e controle territorial em João Dias, pequeno município de pouco mais de 2.000 habitantes no alto sertão potiguar.
O áudio que escancarou o conluio.
Um áudio obtido pela Polícia Civil e revelado pelo Fantástico mostra um diálogo comprometedor entre Francisco Deusamor Jácome, condenado por tráfico internacional de drogas e apontado como ligado diretamente a Marcola, líder do PCC, e o então candidato Marcelo Oliveira.
Na gravação, Deusamor oferece dinheiro em troca de influência política e futura renúncia:
“A gente fazendo um acordo desse com você aí, é uma coisa que dá pra você se remediar pro resto da vida […] você vai sair de boa, porque 230 (mil reais) eu dei pra você pagar suas contas. E agora eu vou lhe dar mais 500 mil reais. Pense, por esse lado é muito dinheiro”.
Segundo as investigações, as ofertas foram feitas antes das eleições municipais de 2020, quando a chapa do partido progressistas trouxe Marcelo Oliveira como candidato a prefeito e Damária Jácome, irmã de Deusamor, como vice–prefeita.
Mesmo sendo procurado pela Interpol, Deusamor Jácome aparecia em comícios e eventos políticos durante a campanha, em público e sem disfarce — símbolo da audácia das facções na penetração política do interior nordestino.
A família Jácome e o PCC.
Deusamor não era exceção, não era o único da família envolvido em crimes. Cinco de seus irmãos — Leidjan Jácome, José Romeu Jácome, Samuel Jácome, Damária Jácome e Leidiane Jácome — foram igualmente investigados ou condenados por tráfico internacional de drogas e assassinato.
Segundo relatórios da Polícia Federal, Deusamor Jácome e Leidjan Jácome figuravam entre os maiores traficantes do Nordeste, movimentando mais de 30 milhões de reais em maconha, com rotas que iam do Paraguai a Pernambuco, Bahia e Rio Grande do Norte.
As autoridades afirmam que a família Jácome mantinha vínculos operacionais e financeiros com o PCC, sendo “braço logístico” de Marcola na região.
Após vencer as eleições, Marcelo Oliveira renunciou ao cargo em junho de 2021, seis meses depois da posse. O motivo, segundo a Polícia Civil, foi a pressão direta e ameaça feita por Deusamor, que financiara parte da campanha. Com sua saída, Damária Jácome, a irmã do traficante, assumiu a prefeitura.
Em discurso público, ela chegou a agradecer “aos irmãos” e afirmou que eles haviam “idealizado os quatro anos da administração” — uma confissão velada de que o governo municipal estava, de fato, sob controle do crime organizado.
Tráfico, política e poder.
De acordo com dados do IBGE, a prefeitura de João Dias movimentou R$ 23 milhões em 2023, provenientes principalmente de repasses federais.
Segundo investigadores federais, o objetivo das facções é claro: — tomar o poder político em cidades pequenas e usá-lo para lavar dinheiro do tráfico e expandir sua influência econômica.
O Fantástico teve acesso a um relatório sigiloso da Polícia Federal e de promotores eleitorais que revela: — em 42 municípios brasileiros, facções criminosas interferiram diretamente nas eleições municipais, financiando candidatos ou executando adversários.
Só em São Paulo, o PCC teria investido cerca de R$ 8 bilhões em campanhas municipais para garantir influência política e contratos públicos.
O desfecho sangrento.
Dois meses após assumir a prefeitura, Damária Jácome decretou luto oficial de três dias pela morte de seus irmãos Deusamor e Leidjan, mortos em confronto com a polícia em outubro de 2021.
Outro irmão, José Romeu, foi preso na mesma operação, e Samuel Jácome já estava detido no Presídio Federal de Segurança Máxima de Porto Velho (RO).
Em 2022, Damária perdeu o mandato após decisão judicial que anulou a renúncia de Marcelo, devolvendo-lhe o cargo de prefeito. Mas o retorno selou seu destino: — Marcelo começou a colaborar com a polícia, fornecendo informações sobre o paradeiro dos irmãos Jácome.
Em 2024, Marcelo e seu pai foram assassinados a tiros em uma barbearia. A polícia prendeu nove suspeitos e Damária Jácome, hoje foragida, é apontada como mandante do crime, ao lado da vereadora Leidiane Jácome, também investigada.
Segundo a investigação, os executores ficaram dez dias escondidos em um sítio da família Jácome, planejando o ataque e aguardando o momento ideal. Há gravações mostrando a preparação do grupo, que chegou a cogitar matar o prefeito durante um culto evangélico. O plano foi concluído dias depois, encerrando uma disputa marcada por corrupção, tráfico e sangue.
O que revela o caso João Dias.
O episódio revela uma nova e perigosa mutação das facções criminosas brasileiras: — a transição da guerra de fuzis para a guerra eleitoral. As facções, agora, não apenas aterrorizam comunidades — elas governam municípios, elegem prefeitos, desviam verbas e moldam a política local sob o domínio do medo e do dinheiro ilícito.
O Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte (TJRN) confirmou, em nota oficial, que o líder de uma facção apontado como mandante do assassinato de outro prefeito potiguar, de São José de Campestre, também será julgado por homicídio qualificado, com o júri transferido para Natal por risco de represália e coação de testemunhas.
Esses casos revelam uma nova e sombria fase da atuação das facções no Nordeste: — não mais restritas ao domínio das ruas e dos presídios, elas agora avançam sobre o próprio aparato político, exercendo controle direto sobre prefeituras e mandatos, em conluio com agentes públicos corruptos nas esferas estadual e até federal.
O crime organizado, agora, se mascara de gestão pública, operando por meio de licitações e cargos comissionados — um governo paralelo, armado e financiado pelo tráfico.
Fontes:
Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025 – Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).
Atlas da Violência 2024 – IPEA.
Secretarias Estaduais de Segurança Pública do Nordeste (2024 – 2025).
CNN Brasil, Brasil Paralelo, R7 Notícias e Ministério da Justiça (MJSP).
Fantástico / TV Globo – “Facções criminosas investem para controlar o poder político em pequenas cidades do Brasil” (14/10/2025).
Polícia Civil do RN – Relatório de investigação sobre o assassinato de Marcelo Oliveira (2024).
Ministério Público do RN – Dossiê de vínculos político-criminais (2024).
Polícia Federal – Relatório sobre interferência de facções nas eleições municipais (2024).
IBGE – Finanças Públicas Municipais (2023).
por Plínio Sousa | 30 out 2025 | SEGURANÇA PÚBLICA
(25 de janeiro de 2026) — O Rio de Janeiro ressoou novamente com o estampido das armas do Estado — não o som selvagem e caótico da facção criminosa Comando Vermelho, mas a reverberação firme e austera de um dever cumprido com determinação. Neste dia 28, as forças conjuntas da Polícia Civil e Militar deflagraram a operação “Contenção” nos complexos da Penha e do Alemão, em uma ação que se inscreve como marco na história da segurança pública nacional.
A ofensiva, tida como a mais letal já registrada no Estado, foi deflagrada contra o Comando Vermelho (CV), facção que há décadas subjuga comunidades, escraviza jovens e afronta a autoridade legítima, erguendo-se como um autêntico “estado paralelo”. Tal organização instituiu suas próprias leis, tribunal do crime, vasto arsenal bélico e rígida hierarquia de comando. Conta ainda com o amparo de partidos políticos — em sua maioria de esquerda (Partido dos Trabalhadores e PSOL) — que acobertam suas ações, além de exercer influência nos poderes Judiciário e Legislativo, empregada para obstruir operações que visem conter seus delitos nos âmbitos estadual, municipal e federal. O grupo mantém, ademais, uma complexa economia subterrânea, lastreada na moeda fictícia da lavagem de dinheiro por meio de empresas de fachada e prefeituras, sustentando mercados nacional e internacional fundados no tráfico de drogas. Expande, ainda, sua atuação sobre a mídia, a cultura e, mais recentemente, sobre o território — como no Ceará, onde criminosos têm expulsado moradores de suas próprias casas.
O governo estadual informou que a operação visava conter o avanço territorial da facção e executar cerca de 100 mandados de prisão e 200 de busca e apreensão contra suas lideranças, tanto dentro quanto fora do território fluminense.
Um Estado que não mais se ajoelha.
Segundo o secretário da Polícia Civil, Felipe Curi, a operação resultou em 122 mortes, entre as quais quatro agentes de segurança pública — dois policiais civis e dois policiais militares. As perdas no efetivo policial representam impacto sensível para a corporação e para o serviço público de segurança.
Este jornal registra pesar pelas mortes dos agentes e manifesta solidariedade às famílias, amigos e colegas de trabalho.

Da esquerda para a direita: — Heber Carvalho da Fonseca e Cleiton Serafim Gonçalves, ambos sargentos do Bope; Rodrigo Velloso Cabral, policial civil da 39ª DP; e Marcus Vinícius Cardoso de Carvalho, comissário da 53ª DP.
Outros quinze policiais ficaram feridos, dois em estado grave. Um dos feridos, o delegado–adjunto da Delegacia de Repressão a Entorpecentes, Eduardo Leal, precisou ter uma perna amputada após ser baleado na coxa.
Os agentes mortos foram três policiais civis e dois policiais militares: — Rodrigo Velloso Cabral, de 34 anos, inspetor da Polícia Civil; Marcus Vinícius Cardoso de Carvalho, de 51 anos, policial civil; Rodrigo Vasconcellos Nascimento, também policial civil; o sargento do BOPE Cleiton Serafim Gonçalves, de 42 anos; e o igualmente sargento do BOPE Heber Carvalho da Fonseca, de 39 anos. Parte deles deixa esposas e filhos. Os cinco foram homenageados em cerimônias realizadas na Praia de Copacabana e no Distrito Federal.
Foram mobilizados 2.500 agentes das polícias Civil e Militar, em uma das maiores operações integradas da história recente do país. O balanço oficial, divulgado pelo secretário da Polícia Civil, Felipe Curi, registrou inicialmente 113 prisões, das quais 33 de criminosos oriundos de outros estados e 10 adolescentes apreendidos. Posteriormente, o número foi atualizado para 81 prisões efetivas, incluindo a captura de Thiago do Nascimento Mendes, conhecido como “Belão”, apontado como operador financeiro do Comando Vermelho no Complexo da Penha e braço direito de Edgar Alves de Andrade, o temido “Doca” ou “Urso”, chefe máximo da facção.
O secretário de Segurança, Victor Santos, afirmou que os confrontos foram deliberadamente deslocados para uma área de mata, em uma estratégia meticulosamente calculada para preservar vidas inocentes e reduzir danos colaterais.
No campo bélico, foram apreendidas 118 armas de fogo, das quais 93 fuzis, superando os balanços mensais de apreensão dessa categoria em quase todos os meses do ano e aproximando-se de um recorde histórico. Além disso, recolheram-se 14 artefatos explosivos, rádios comunicadores e mais de 200 quilos de entorpecentes — números que, segundo Curi, “ainda crescerão”, pois tratam-se de toneladas e milhares de itens sob análise e catalogação.

A ofensiva contou com dois helicópteros, 32 blindados, 12 veículos de demolição e drones de monitoramento, que registraram criminosos fortemente armados fugindo em fila indiana pela mata da Vila Cruzeiro, no Complexo da Penha. Em resposta, integrantes do Comando Vermelho também recorreram à tecnologia, sendo flagrados lançando explosivos sobre comunidades por meio de drones, em uma tentativa desesperada de resistência.
O dia da operação foi marcado por intensos tiroteios e por um clima de tensão generalizada. A cidade mergulhou em um breve colapso: — escolas municipais e estaduais suspenderam as aulas, unidades de saúde interromperam o atendimento, e linhas de ônibus foram desviadas ou paralisadas.

Segundo dados consolidados, 132 pessoas perderam a vida — 128 faccionados, até então identificados como integrantes do Comando Vermelho, e quatro policiais, estes últimos lembrados com honras, gratidão e profundo pesar pelas corporações e pela população de bem, que reconhece neles o sacrifício em defesa da ordem e da justiça. Esses números não apenas evidenciam a magnitude do crime e o poder corrosivo da facção, mas também reafirmam a necessidade incontornável da ação estatal. O poder público, há muito acuado, ergueu-se enfim — com autoridade, propósito e senso de justiça — para restaurar a ordem e relembrar à nação que a espada da lei ainda não se quebrou.
A firmeza que protege a cidade.
As imagens que circularam do Complexo da Penha — corpos dispostos nas ruas, o pranto dos moradores — causaram dor e espanto. Contudo, cumpre recordar que a verdadeira tragédia não é o Estado agir, mas ter se calado por tanto tempo. A paz das comunidades não pode ser construída sobre o domínio dos traficantes, nem o medo pode governar onde deve imperar a lei.
O Estado, ao agir, não celebrou a morte — reafirmou a vida. Não há triunfo em uma operação policial quando inocentes tombam, como os quatro policiais e, não raro, moradores das comunidades dominadas pelas facções. A ação reafirmou o direito do pai de família de sair de casa sem medo, o direito da criança de brincar nas ruas, o direito da mãe de dormir sem o eco distante dos tiros. O Comando Vermelho sofreu um abalo profundo, uma ferida estratégica que atingiu o cerne de sua estrutura criminosa.
Cada fuzil apreendido é uma vida poupada; cada criminoso preso, um passo em direção à ordem. Contudo, não é suficiente. O Estado possui o dever moral de restaurar a cultura e a boa tradição ética, de investir verdadeiramente na vida das comunidades e na formação dos jovens tragados pelo crime organizado.
Urge uma reforma profunda nas leis penais e processuais penais, talvez mesmo a convocação de uma nova constituinte, que devolva ao país o senso de justiça e autoridade.
Por fim, impõe-se uma declaração formal de guerra justa contra as facções criminosas que corroem a nação, acompanhada do endurecimento das leis que punam partidos políticos, agentes públicos, empresários e demais cúmplices dessa rede de corrupção e violência.
A luta é longa e o mal é profundo. A vitória não virá apenas pela força das armas, mas pela renovação moral e cultural das raízes que o próprio pecado social contaminou. Somente quando a justiça e a verdade voltarem a habitar as praças, o Brasil poderá, enfim, respirar em paz.
Repercussões e dever moral.
A Comissão de Direitos Humanos do Senado solicitou esclarecimentos e a abertura de investigações, como é próprio do processo republicano e das garantias do Estado de Direito. Requereu, em especial, informações sobre o impacto da operação nas comunidades, com atenção às crianças e civis das áreas atingidas.
As autoridades estaduais, por sua vez, reafirmaram a legitimidade da ação, sustentando que todos os protocolos foram rigorosamente observados, com o propósito de preservar vidas inocentes e cumprir mandados judiciais em regiões há muito dominadas pelo crime.
Parte expressiva da opinião pública reconheceu, com gratidão e alívio, que a operação “Contenção” restaurou ao Estado o direito de governar, demonstrando que a autoridade legítima, quando se ergue com coragem e justiça, ainda é capaz de vencer a tirania do crime e a anarquia dos poderosos.
Por que a polícia do Rio não recolheu os corpos deixados na mata após a operação?
A Polícia do Rio de Janeiro justificou a não retirada imediata dos corpos após a megaoperação “Contenção” alegando desconhecimento da existência deles [mortos] nas áreas de mata onde ocorreram os confrontos. Segundo o secretário de Segurança Pública, Victor Santos, as forças policiais “não conseguiram atender à demanda de isolamento e remoção” devido à complexidade do terreno e à extensão da área atingida.
De acordo com Santos, em situações de confronto em regiões de mata, “muitos dos atingidos acabam se embrenhando em busca de socorro”, dificultando a localização posterior.
“Não ajudaram [as forças de segurança] porque não sabiam da existência deles [mortos]. Quando acontece confronto em uma área de mata, muitos baleados acabam adentrando ainda mais, buscando ajuda, e a gente não consegue atender essa demanda”, declarou o secretário.
Na região da Serra da Misericórdia, localizada no Complexo da Penha, não houve isolamento do local após os confrontos. Com isso, moradores retiraram aproximadamente 70 corpos do cenário do conflito e os levaram para uma praça da comunidade. As imagens desse evento, amplamente divulgadas pelo país, geraram forte comoção pública. No entanto, as pessoas envolvidas na remoção dos corpos estão sendo investigadas por “fraude processual”. A acusação aponta que elas teriam removido os corpos antes da chegada da perícia e, além disso, retirado roupas de camuflagem usadas pelos criminosos, que buscavam surpreender a polícia durante o confronto. Há registros de indivíduos cortando essas vestimentas, supostamente para dificultar as investigações e sustentar a narrativa de que os mortos eram apenas civis inocentes. Essa alegação, contudo, é questionável, já que as fotos mostram os corpos vestidos apenas com roupas íntimas, o que torna improvável que alguém confrontasse a polícia nessas condições.
Victor Santos explicou ainda que, “em situações regulares”, o procedimento policial exige que o agente comunique o ocorrido à “Polícia Civil, acione a Delegacia de Homicídios, realize a perícia de local e somente depois libere o corpo”.
“O policial tem que comunicar a Civil, acionar a Delegacia de Homicídio, fazer uma perícia de local e só depois liberar o corpo. Não foi isso que foi feito. Os familiares retiraram os corpos e só depois o poder público foi acionado”, afirmou.
Números e discrepâncias.
As apurações iniciais deram conta de valores divergentes quanto ao número de mortos. O Governo do Estado contabilizou 119 óbitos; outras apurações independentes e órgãos de defesa registraram cifras que variaram até 132 mortos.
Cenas e vivência das comunidades.

Moradores retiraram dezenas de corpos de uma área de mata no Complexo da Penha e os levaram até uma praça local — cena que se espalhou pelo país, despertando comoção e silêncio consternado. Relatos de quem permaneceu nas residências narram horas de tiroteio, medo e desespero, um eco sombrio do domínio do crime sobre a vida cotidiana. Cumpre também lamentar pelos familiares dos faccionados, pois, em sua grande maioria, não partilham das escolhas de seus entes queridos. As imagens de mães, pais e irmãos chorando sobre corpos inertes são um retrato doloroso da degradação que o poder do crime impõe à família e à sociedade — uma tragédia moral que ultrapassa o campo policial e revela, nas ruínas do coração humano, o preço do pecado social e da ausência de Deus nas estruturas da vida pública.
Contexto e repercussão nacional.
A ação foi qualificada por algumas vozes públicas como a mais letal realizada no Estado em décadas. Organizações de direitos humanos demandaram investigação independente. Parlamentares e instâncias federais manifestaram-se, ora solidários com as forças de segurança, ora exigindo apuração rigorosa.
Metodologia da matéria.
Este texto reúne informações publicadas por agências nacionais e internacionais, portais regionais e comunicados oficiais. As cifras e descrições refletem os relatórios e apurações disponíveis até o momento. As diferenças numéricas entre fontes decorrem de atualizações em investigação e contagem.
O que permanece pendente.
Laudos oficiais, identificação final dos criminosos e inquéritos sobre circunstâncias precisas dos óbitos ainda estão em processamento. A Comissão do Senado e outros órgãos competentes anunciaram diligências para esclarecer fatos.
por Plínio Sousa | 14 out 2025 | POLÍTICA
(14 de outubro de 2025) — Negar o declínio europeu seria negar os próprios números. O continente, outrora coração civilizacional do Ocidente, vive hoje um inverno demográfico que dificilmente poderá ser revertido. Lançar uma “profecia” de queda não é extrapolação temerária, mas uma leitura coerente das tendências visíveis e da própria realidade. A natalidade europeia permanece muito abaixo do nível de reposição populacional (2,1 filhos por mulher), enquanto a fecundidade entre populações muçulmanas residentes segue substancialmente mais alta.
Em 2023, segundo o Eurostat, a taxa média da União Europeia caiu para 1,38 filho por mulher (1,46 em 2022), o menor índice desde 1961. França manteve cerca de 1,62, a Alemanha reduziu-se a 1,35, a Itália estagnou em 1,2, e a Espanha em 1,1 — valores muito abaixo da taxa mínima de reposição.
Dados do Pew Research Center indicam que a taxa média de fecundidade das mulheres muçulmanas na Europa gira em torno de 2,6 a 2,9 filhos, contra 1,6 entre as não muçulmanas. Essa diferença, ainda que não pareça extrema, torna-se demograficamente explosiva ao longo das décadas. É a diferença entre uma população que cresce naturalmente e outra que definha por esterilidade social.
O Pew Research estima que, mesmo que toda a migração muçulmana para a Europa cessasse imediatamente, a população muçulmana subiria dos atuais 4,9% (25,8 milhões em 2016) para 7,4% até 2050, apenas em virtude da idade mediana inferior (30,4 anos, contra 43,8 dos europeus não muçulmanos) e da maior fecundidade. No cenário médio, com migração regular (sem novos refugiados), o percentual saltaria para 11,2%; e, no cenário alto, com fluxos semelhantes aos de 2014 – 2016, atingiria 14% — cerca de 75 milhões de muçulmanos.
Nas metrópoles francesas, belgas e britânicas, as porcentagens entre jovens muçulmanos já são muito mais altas do que na média nacional. Em cidades como Paris, Marselha, Bruxelas, Birmingham e Londres, a presença muçulmana entre menores de 20 anos ultrapassa 30%. Isso representa não apenas um fenômeno estatístico, mas uma mudança civilizacional em curso.
O fracasso das políticas natalistas europeias.
A Europa tenta responder com políticas de incentivo à natalidade — subsídios, bônus familiares, deduções fiscais —, mas tais medidas mostram-se insuficientes e tardias. A natalidade não é apenas um cálculo econômico: — é o espelho de valores espirituais, como a fé, e de esperanças culturais que sustentam a continuidade de um povo. Num continente secularizado, envelhecido e sem fé, o impulso de gerar e perpetuar a vida declina naturalmente.
Além disso, mesmo que houvesse um súbito aumento na fecundidade europeia, os efeitos seriam sentidos apenas em gerações futuras — enquanto o envelhecimento populacional e o crescimento das comunidades imigrantes são processos já consolidados e cumulativos.
O desequilíbrio não está em formação, ele já está instalado.
A Europa, segundo o Pew Research, perderá cerca de 40 milhões de habitantes até 2050 sem imigração, caindo de 521 milhões para 482 milhões. A migração, porém, suaviza a queda — no cenário médio, a população estabiliza; e, no cenário alto, cresce modestamente, mas com composição religiosa alterada.
Um continente em transição irreversível.
Os números falam com eloquência:
França — entre 1,6 e 1,8 filhos por mulher.
Alemanha — 1,3 a 1,4.
Itália — 1,2.
Espanha — 1,1.
Grécia — 1,3.
Enquanto isso, as famílias muçulmanas mantêm taxas próximas de 2,9 filhos, segundo o Pew Research Center (2017, atualizado em 2024).
Nos cenários projetados, a Suécia poderá ver 30% de sua população muçulmana até 2050; a Alemanha, entre 10% e 20%, dependendo dos fluxos de refugiados; a França e o Reino Unido, cerca de 17%; e Chipre — por razões históricas —, 25%.
A consequência é inevitável: — em poucas gerações, a proporção populacional muçulmana aumentará geometricamente, e com ela, as tradições, costumes e valores associados.
Não se trata, portanto, de histeria ou xenofobia, mas de realismo demográfico.
O que se vê é uma substituição populacional silenciosa — uma “colonização demográfica” que não se dá pela espada, mas pelo berço.
A Europa está em declínio, e o avanço muçulmano é um fato mensurável, não uma hipótese distante. O futuro do continente dependerá de sua capacidade de reconciliar identidade, fé e natalidade — ou perecerá, não pela guerra, mas pela maternidade ausente.
Fontes:
Pew Research Center — Europe’s Growing Muslim Population (2017; atualizado 2024); Global Religious Futures Project.
Eurostat (2024 – 2025) — EU Birth Statistics.
Le Monde (2025) — France’s Fertility Falls to 1.62.
Financial Times (2024) — Germany Joins the Ultra-Low Fertility Club.
Reuters/ISTAT (2024) — Italy’s Record Birth Collapse.