NEW LEFT

NEW LEFT

A “Nova” Esquerda purificada.

Preciso retomar um ponto do artigo anterior[1], relembrar alguns personagens importantes para elucubrar acerca deste ponto (New Left) que trataremos neste artigo, são eles, Felix Weil (1898 – 1975), Karl Korsch (1886 – 1961), Max Horkheimer (1895 – 1973) e Jacques Derrida (1930 – 2004), que fazem parte de toda a estruturação hegemonicamente cultural.

Felix Weil foi um marxista alemão–argentino, que forneceu os fundos para fundar o Instituto de Pesquisas Sociológicas em Frankfurt, Alemanha, apelidada de “Escola de Frankfurt”. Ele cria uma série de congressos para acelerar o processo de revolução. Sua tese, sobre os problemas práticos da aplicação do socialismo, foi publicada em uma série de monografias de Karl Korsch.

Karl Korsch foi um filósofo alemão, professor universitário, representante do chamado “marxismo ocidental[2]” e do “comunismo de conselhos[3]”. Korsch teve uma trajetória política que foi marcada pela influência da Sociedade Fabiana, sustentava a tese que o Estado é estruturado pela economia, mas essa economia tem como base uma outra estrutura invisível, “a cultura estabelecedora dos valores que são passados de geração em geração”; principal motor do estabelecimento do pensamento comunista ocidental.

Max Horkheimer foi um filósofo e sociólogo alemão. A sua Filosofia, a expressão “teoria crítica do transversal”, é empregada para designar o conjunto das concepções da Escola de Frankfurt. Horkheimer delineia seus traços principais, tomando como ponto de partida o marxismo e opondo-se àquilo que ele designa pela expressão “teoria tradicional”.

Jacques Derrida foi um filósofo franco–magrebino, que iniciou durante os anos 1960 a “Desconstrução” em Filosofia.

O que esses homens fizeram juntamente para o avanço do comunismo, e o que eles contribuíram para a fundação da “New Left”?

Derrida na França usa como matéria–prima para o “Desconstrucionismo”, a teoria crítica de Horkheimer, Korsch que é contemporâneo de Gramsci, estimula Félix a fundar a Escola de Frankfurt, e o sucessor de Félix na Escola é Horkheimer que assim como Gramsci acreditava na “Hegemonia Cultural” e na destruição da estrutura dos valores que se perpetuavam por meio da autoridade da Igreja, da família e da escola. Acreditavam que, “esses valores morais, dogmáticos devem ser atacados e destruídos”. Jacques Derrida postula que as formações culturais e intelectuais humanas deveriam sofrer uma reinterpretação como elemento fundante de um novo conhecimento: — “Não existem fatos, apenas interpretações” (relativismo e desconstrução filosófica). A era do subjetivismo se define assim: — “Este é o método de retirar o significado de um texto, para colocar um novo significado pretendido”. Este método não é somente aplicado unicamente à textos, é também aplicado, na retórica política e ideológica em geral. O Desconstrucionismo é a chave do que chamamos hoje de “Politicamente Correto”, que é através dele, que surge o relativismo moral, que reinterpreta toda e qualquer relação social, valor ou tradição cultural de acordo com as necessidades das causas políticas do momento e, claro, do pensamento comunista.

Politicamente Correto.

O sociólogo e filósofo alemão naturalizado norte–americano, pertencente à Escola de Frankfurt, Herbert Marcuse, do Partido Social Democrata Alemão, tem o seu encontro com Karl Marx. Marcuse foi um dos primeiros a interpretar criticamente os Manuscritos Econômico–filosóficos de Marx e “pensava encontrar neles um fundamento filosófico da economia política no sentido de uma teoria da revolução[4]”. Para ele, não era mais necessário recorrer a Heidegger[5] para fundamentar filosoficamente o marxismo, já que viu no próprio Marx a possibilidade dessa fundamentação. É de Marx que virá sua crítica ao Nacionalismo e aos efeitos, segundo ele, que o “capitalismo burguês” vai ter na vida das pessoas. Também vem de Marx a proposta de que, com o desenvolvimento da tecnologia e do capitalismo como um todo, em conjunto com uma ação prática–revolucionária da sociedade, poderiam alterar as nossas condições e erguer uma nova organização social, que possibilitaria uma vida “melhor” para as pessoas, e onde elas não seriam “alienadas”. Marcuse procura esboçar caminhos que nos levem para além da organização sócio–econômica atual.

Marcuse escreveu: — “A desarmonia entre o indivíduo e as necessidades sociais, e a falta de instituições representativas nas quais os indivíduos trabalhem para si e tenham voz ativa levam à realidade de universais como a Nação, o Partido, a Constituição, a Corporação, a Igreja – uma realidade que não é idêntica a qualquer entidade identificável particular (indivíduo, grupo ou instituição). Tais universais expressam vários graus e modos de espoliação. Sua independência, conquanto real, é espúria pelo fato de ser a de poderes particulares que organizaram o todo da sociedade. Uma retradução que dissolvesse a substância espúria do universal ainda constitui um desiderato (ambição, vontade ou pretensão) – mas é um desiderato político[6]”. O que se deseja na política partidária é o próprio pensamento comunista já estabelecido em sociedade, e podemos definir assim a realidade desse implemento: — “Acreditam estar morrendo pela Classe, morrem pelos rapazes do Partido. Acreditam estar morrendo pela Pátria, morrem pelos Industriais. Acreditam estar morrendo pela liberdade da Pessoa, morrem pela Liberdade dos dividendos. Acreditam estar morrendo pelo Proletariado, morrem por sua Burocracia. Acreditam estar morrendo por ordens de um Estado, morrem pelo dinheiro que mantém o Estado. Acreditam estar morrendo por uma nação, morrem pelos bandidos que a amordaçam. Acreditam – mas por que se deveria acreditar, em tal escuridão? Acreditar – morrer? – quando se trata de aprender a viver?[7]”.

Ou seja, ele coloca a Igreja, quando de fato são eles, como aquela que falsifica, frauda, lesa e usurpa, além de uma realidade espúria, inautêntica e viciada, pelo fato de ser a de poderes particulares que organizaram o todo da sociedade, ele aponta implicitamente, as três principais bases de formação para a cultura ocidental que temos hoje, que são, historicamente: — “O direito romano, a filosofia grega e a moral judaico–cristã”, essa última é representada pela Igreja e família cristãs, destrua-as e a cultura ocidental entra em derrocada. É a moral judaico–cristã que rege e delimita as outras duas estruturas num sentido ilimitado, ajustável e estrutural, sendo a própria Igreja a consciência do Estado e a família a perpetuação do bem e da moral.

Como disse em discurso durante a “Freedoms Foundation”, em 1952, o Presidente eleito, General Dwight D. Eisenhower, que o “conceito judaico–cristão é a fé sobre a qual o nosso […] governo […] é fundado[8]”.

Acerca da família, de modo velado, ele escreve: — “Não é, portanto, de admirar que, nos setores mais desenvolvidos dessa civilização, os controles sociais tenham sido introjetados a ponto de até o protesto individual ser afetado em suas raízes. A negativa intelectual e emocional de ‘prosseguir’ parece neurótica e impotente. Esse é o aspecto sócio–psicológico do acontecimento político que marca o período contemporâneo: — o desaparecimento das forças históricas que, na fase anterior da sociedade industrial, pareceu representarem a possibilidade de novas formas de existência. Mas talvez o termo ‘introjeção’ não mais descreva o modo pelo qual o próprio indivíduo reproduz e perpetua os controles externos exercidos pela sociedade. Introjeção sugere uma variedade de processos relativamente espontâneos pelos quais um ‘Eu’ (Ego), transfere o ‘exterior’ para o ‘interior’. Assim, introjeção subentende a existência de uma dimensão interior, distinta e até antagônica das exigências externas – uma consciência individual e um inconsciente individual separados da opinião e do comportamento públicos. A idéia de ‘liberdade interior’ tem aqui sua realidade: — designa o espaço privado no qual o homem pode tornar-se e permanecer ‘ele próprio’[9]”.

O que ele propõe é o seguinte: — A modificação na função da família que desempenha papel decisivo; suas funções socializadoras são cada vez mais tomadas por grupos e meios de informação externos (educação [formação], informação e cultura em geral), e por isso, deve ser modificado o interior pelo exterior, que é a “introjeção” — “é a propaganda do Partido que cria a classe social que em seguida vai representar; isto é próprio do pensamento dialético, ‘converter-se no seu contrário quantas vezes for necessário’”. A razão é que os controles sociais (família, Igreja, etc.) tenham sido interiorizados, internalizados, a ponto de até o protesto individual ser afetado em suas raízes. A família, a Igreja são barreiras eficazes e fundamentadas contra o pensamento revolucionário, pela força, identificação, repressão e sublimação (purificação) do indivíduo, que o conjunto desses entes morais, homens e mulheres, são os fabricados “intelectuais orgânicos” ou formadores de opinião do pensamento revolucionário, são os alvos que precisam ser desvirtuados. É uma das diretrizes indicada por Gramsci, para se obter a Hegemonia Cultural — o que conhecemos popularmente, como “Marxismo Cultural” —, sendo desvirtuada e deformada do propósito pré–definido pelo pensamento comunista e, pela intensidade da restrição e renúncia que esse processo envolve, não é menor do que era na horda primordial ou multidão primitiva do próprio pensamento.

Marcuse exprime claramente, em “Eros e Civilização”, a sua concepção de família, quando escreveu: — “Os acontecimentos e experiências que podem despertar o material reprimido mesmo sem um fortalecimento específico dos instintos que lhe estão ligados são, no nível social, os que se nos deparam nas instituições e ideologias que o indivíduo enfrenta cotidianamente e que reproduzem, em sua própria estrutura, tanto a dominação como o impulso para a destruir (família, escola, oficina e escritório, o Estado, a Lei, a filosofia e moral predominantes). A diferença decisiva entre a situação primordial e o seu retorno histórico civilizado está em que, evidentemente, no último caso (histórico civilizado), o soberano–pai já não é, normalmente, morto e comido; e a dominação também já não é, normalmente, pessoal. O ego[10], o superego[11] e a realidade externa fizeram seu trabalho, mas não é, realmente, uma questão decisiva se o indivíduo matou o pai ou se se absteve desse feito, uma vez que a função do conflito e as suas consequências são as mesmas. Na situação de Édipo, a situação primordial repete-se em circunstâncias que, desde o começo, asseguram o triunfo duradouro do pai. Mas também asseguram a vida do filho e sua futura aptidão para ocupar o lugar do pai. Como foi que a civilização realizou esse compromisso? A multidão de processos somáticos, mentais e sociais que resultaram nessa realização é praticamente idêntica ao conteúdo da Psicologia de Freud. Força, identificação, repressão, sublimação, cooperaram na formação do ego e do superego. A função do pai é gradualmente transferida da sua pessoa individual para a sua posição social, para a sua imagem no filho (consciência), para Deus, para várias agências e agentes que ensinam o filho a tornar-se um membro amadurecido e comedido da sua sociedade. ‘Ceteris paribus[12]’, a intensidade da restrição e renúncia que esse processo envolve não é menor do que era na horda primordial. Contudo, está mais racionalmente distribuída entre o pai e o filho, e na sociedade como um todo; e as compensações, embora não sejam maiores, são relativamente seguras. A família monogâmica, com suas obrigações exigíveis do pai, restringe neste o seu monopólio de prazer; a instituição da propriedade privada transmissível por herança e a universalização do trabalho deram ao filho uma justificada expectativa do seu próprio prazer sancionado, de acordo com o seu desempenho socialmente útil. Dentro dessa estrutura de leis e instituições objetivas, os processos da puberdade conduzem à libertação do jugo paterno, como evento necessário e legítimo. Pouco falta para ser uma catástrofe mental, mas também não é mais do que isso. Portanto, o filho deixa a família patriarcal e prepara-se para ser ele próprio pai e patrão[13]”.

A família monogâmica perpetua a civilização, restringe o instinto egoísta e animal dos prazeres, guarda o prazer para o determinado propósito e tempo correto, rege a moralidade e a ética na sociedade por meio de sua prole bem instruída e instrução divina, e assim, o pensamento revolucionário é barrado fortemente e combatido continuamente. A família e a Igreja, são essas barreiras contínuas. Ele cita “ceteris paribus”, e isso, significa justamente em razão da complexidade da análise onde existe um número indeterminado de variáveis de influência remota que podem, eventualmente, desconectar a observação do resultado — “por isso, é importantíssimo a família bem estruturada com conhecimento teológico, filosófico e instruções divinas (conselhos) e, formação, moralidade e ética”. Pelo que existe a necessidade de reduzir o número de variáveis dentro de todo o conjunto daquelas que são suscetíveis de exercer influência permanente ou esporádica sobre o fenômeno, para que este possa ser explicado. Uma predição ou constatação acerca da influência ou conexão esporádica ou permanente entre dois fenômenos, é considerada “ceteris paribus” quando outras variáveis exógenas (externas), que poderiam cancelar o relacionamento entre o antecedente e o consequente são tidas como tendo influência remota para explicação do comportamento do fenômeno em análise e cuja variação é desconsiderada, sendo assim compreendidas como constantes. Ou seja, em outras palavras, “ceteris paribus” exprime que: — “sendo reconhecida a previsão, embora geralmente precisa em condições esperadas, que pode falhar. Ou que a relação pode ser abolida por fatores intervenientes, integrantes, constituintes ou participadores”.

Por essa mesma razão, que o pensamento revolucionário tende a ser infiltrante na família e Igreja como partícipe na educação por instrumentalidade do Estado e também de entes infiltrados, bem como, integrantes por meio de aculturação[14], geralmente pessoas que emitem opiniões sem conhecimento erudito; igualmente, participador da Igreja por infiltração de movimentos ditos sociais, e até mesmo, quase sempre constituídos tais movimentos de teologias que discordam de uma posição oficial, ou ortodoxa, da Igreja Cristã que durante todos os tempos, foi representada por credos e confissões. Movimentos heterodóxicos[15] também são peças importantes, pois, esses se misturam bem e propagam mentiras vestidas de verdades, embasados sempre por um pensamento morbífico quanto a fé, dotado de imoralidade quanto a vida, de padrões antiéticos e de ações niilísticas quanto a política; de atividade de aniquilamento, de posição herética e heterodoxa, e de roubo à liberdade, “é o conceito basilar do Lumpemproletariado sendo aplicado em todos os âmbitos”. Anticonformista com leis e padrões divinos, que envolve contestação e inconformismo em oposição a Deus. O pensamento comunista é antiteísta por substância e vocação.

Contato com a Escola de Frankfurt.

Em 1933, por intermédio da intervenção do sociólogo alemão, Leo Löwenthal, e do filósofo e diplomata alemão, Kurt Riezler, Herbert Marcuse foi admitido no Instituto de Pesquisas Sociológicas que seria mais tarde associado à Escola de Frankfurt, que nesta ocasião estava exilado em Genebra. Kurt Riezler era conselheiro de alto nível do Império Alemão e da República de Weimar[16], ele negociou a subscrição alemã da “Revolução de Outubro[17]” da Rússia e, foi o autor, do “Programa de Setembro[18]”, de 1914, que descrevia os objetivos da guerra alemã durante a Primeira Guerra Mundial[19]. A publicação póstuma de suas anotações e diários secretos desempenhou um papel importante na “controvérsia de Fischer[20]”, entre os historiadores alemães, no início dos anos de 1960.

Marcuse tentara, sem sucesso, desde 1931, entrar em uma relação mais estreita com o Instituto. Em 1934, junto com Theodor Adorno e Max Horkheimer, mantém suas atividades nos Estados Unidos. Em 1950, os colaboradores do Instituto retornam à Alemanha, mas Marcuse decide permanecer nos Estados Unidos onde pensa, escreve e ensina até sua morte, em 1979. Nos Estados Unidos desenvolve trabalhos e o seu livro: — “O Homem Unidimensional”. Neste livro, ele escreveu que: — “Em suas origens, na primeira metade do século XIX, quando elaborou os primeiros conceitos das alternativas, a crítica da sociedade industrial alcançou concreção numa mediação histórica entre teoria e prática, valores e fatos, necessidades e objetivos. Essa mediação histórica ocorreu na consciência e na ação política das duas grandes classes que se defrontavam na sociedade: — a burguesia e o proletariado. No mundo capitalista, ainda são as classes básicas. Contudo, o desenvolvimento capitalista alterou a estrutura e a função dessas duas classes de tal modo que elas não mais parecem ser agentes de transformação histórica[21]”. Melhor dizendo: — “A classe do proletariado, na sociedade industrial, deixa de ser agente transformador da sociedade, porque o avanço do capitalismo deixa a vida desses grupos tão confortáveis que suas vontades revolucionárias teriam acabado”. E ele conclui afirmando que: — “A realidade das classes trabalhadoras na sociedade industrial avançada torna o ‘proletariado’ marxista um conceito mitológico; a realidade do socialismo atual torna um sonho a idéia marxista[22]”.

Marcuse também escreveu como aconteceu essa alteração pelo entendimento do pensamento comunista: — “Uma ligeira comparação entre a fase de formação da teoria da sociedade industrial e sua situação atual poderá ajudar a mostrar como as bases da crítica foram alteradas. Um interesse predominante na preservação e no melhoramento do ‘status quo’ institucional une os antigos antagonistas nos setores mais avançados da sociedade contemporânea. E a própria idéia de transformação qualitativa recua diante das noções realistas de uma evolução não–explosiva proporcionalmente ao grau em que o progresso técnico garante o crescimento e a coesão da sociedade comunista. Na falta de agentes e veículos de transformação social, a crítica é, assim, levada a recuar para um alto nível de abstração. Não há campo algum no qual teoria e prática, pensamento e ação se harmonizem. Até mesmo a análise mais empírica das alternativas históricas parece especulação irreal, e a adesão a ela uma questão de preferência pessoal (ou grupal)[23]”.

Herbert Marcuse nasceu em Berlim, no ano de 1898, sendo de origem judaica. Sabe-se que aos 20 anos participou do movimento revolucionário “espartakista[24]”. A partir da avidez revolucionária de Marcuse, “a esfera política e a intenção de promover mudanças sociais sempre o irá acompanhar ao longo de sua vida”. Marcuse tem sua formação em Filosofia por Berlim e Friburgo, e seu primeiro trabalho será um levantamento bibliográfico sobre Friedrich Schiller.

Marcuse inspira-se na idéia de Schiller — exposta nas cartas estéticas para a educação da humanidade — com o objetivo de mostrar que numa sociedade socialista o trabalho deixaria de ser um meio para valorizar o capital e visaria a realização das potencialidades e a satisfação das carências humanas. Em outras palavras, a abolição do trabalho alienado permitiria investir a energia fundamental (energia psíquica) no trabalho, que se tornaria assim trabalho recreador, lúdico e divertido e, nas relações sociais, o que transformaria a vida num “jogo estético–erótico”, em que os sentidos humanos não seriam moldados pela forma mercadoria. Observamos, claramente, esse tipo de trabalho no Ocidente, por meio do apelo das mídias sociais (tecnologia). Numa sociedade sem repressão das pulsões a gratificação erótica seria inerente a toda a vida social e ocorreria a reconciliação entre os seres humanos e a natureza, a qual deixaria de ser mera matéria que o homem pode explorar a seu bel prazer. É o erotismo e ambientalismo sendo usado como tese para o pensamento revolucionário. Eles conseguiram. Temos, portanto, o forte indício de que esse pensamento é vigente, resistente e estável na vida comum e atual, e que deve ser combatido, igualmente, pela formação cultural do ente–objeto.

Marcuse de fato foi o único filósofo da Escola de Frankfurt que, mesmo sem ter militância política em sentido estrito[25], sempre permaneceu como um teórico da revolução. Desde o início sua obra gira em torno de um problema: — “A necessidade da transformação radical da sociedade capitalista”. Isto é, de toda a sociedade. Foi a derrota da revolução alemã que o sensibilizou para a política, como ele mesmo reconhece em várias entrevistas dadas ao longo da vida. Marcuse tem uma necessidade premente de entender por que uma revolução, que parecia na ordem do dia, acaba derrotada e as antigas classes dominantes retornam, fortalecidas. Com esse objetivo, começa a ler Karl Marx. Mas, um Marx filtrado pelo György Lukács (ou Georg Lukács), de história e consciência de classe, e por Karl Korsch de Marxismo e Filosofia, livros críticos do marxismo economicista dos partidos operários oficiais. Marcuse desenvolveu estudos com Martin Heidegger, que o levou a um doutorado sobre Hegel, autor que vai ter influência decisiva em suas reflexões filosóficas.

Posteriormente essa sua tese se transformou em um livro, cuja repercussão lhe valeu o cargo de assistente de Heidegger. Com o advento do Nazismo, Marcuse teve que se refugiar nos Estados Unidos, onde passou a trabalhar ao lado de Max Horkheimer e Theodor Ludwig Wiesengrund–Adorno, sociólogos neo–hegelianos com quem trocou diversas reflexões. É dessa época que datam vários ensaios de sua autoria, “se preocupando com o desenvolvimento tecnológico, com o aumento do racionalismo na sociedade moderna, com o aumento da repressão da liberdade e com a impossibilidade de os indivíduos desenvolverem suas plenas potencialidades”. Mais tarde, os companheiros de Marcuse retornariam para a Europa, onde dariam, na ocasião, continuidade a seus projetos no chamado “Grupo de Frankfurt”. Depois, na década de 50, como professor de Ciências Políticas na Universidade de Brandeis, Marcuse vai publicar dois de seus mais importantes livros: — “Eros e a Civilização” e “Marxismo Soviético”.

O primeiro, será devidamente comentado nos próximos parágrafos, e o segundo tem como assunto desmascarar o totalitarismo que tomava conta da União Soviética, e como afastava-se das aspirações de Karl Marx. O grande sucesso dos dois primeiros livros incentivou Marcuse a lançar “O Homem Unidimensional”, também chamado de “Ideologia da Sociedade Industrial”. Neste livro, ele desenvolve uma grande crítica social ao Estado moderno, mostrando suas irracionalidades e formas de repressão. Em 1967, Herbert retorna à Europa, e suas idéias vão ter grande repercussão no movimento estudantil europeu, inclusive ele próprio tendo um contato contínuo com o importante líder estudantil, Rudi Dutschke, esse que em pouco tempo será vítima de um atentado à bala.

Todos esses acontecimentos trouxeram reconhecimento internacional à figura de Marcuse, que será ameaçado de morte pelo movimento Ku–Klux–Klan[26] (também conhecida como “KKK” ou simplesmente “o Klan”). Se analisarmos as fontes filosóficas de Marcuse, podemos dizer que o centro de sua Filosofia se focará em Hegel. Ele tomará um conceito hegeliano muito marcante: — “A razão, como faculdade humana que se manifesta pela possibilidade do homem desenvolver inteira e livremente suas potencialidades”. Marcuse será um grande defensor desse desenvolvimento humano, que podemos entender como sendo de desenvolvimento cultural. E como neo–hegeliano, Herbert Marcuse será sempre dialético e crítico.

Outra fonte importante do pensamento marcuseano, será Marx, de onde ele se inspirara em diversas de suas abordagens sociais, políticas e econômicas. É dele que virá sua crítica ao Nacionalismo e aos efeitos que o “capitalismo burguês” vai ter na vida das pessoas. A partir deste ponto, a aversão espontânea do “Klan” acerca de Marcuse cresce.

Também vem de Marx a proposta de que, com o desenvolvimento da tecnologia e do capitalismo como um todo, em conjunto com uma ação prática–revolucionária da sociedade, poder-se-iam alterar as condições e erguer uma nova organização social, que possibilitaria uma “vida melhor” para as pessoas, onde elas não seriam “alienadas”. Marcuse procura esboçar caminhos que nos levem para além da organização sócio–econômica atual. “A decrépita utopia comunista que nunca funcionou”.

Enfim, podemos perceber, em sua obra “Eros e Civilização”, um diálogo constante que Marcuse terá com a obra Freudiana (Sigmund Freud). Uma grande influência de Freud experimentada e conhecida por Marcuse, é a busca da felicidade do Indivíduo Humano, que segundo a teoria: — “Virá através da satisfação dos desejos individuais da pessoa”. Ou seja, as pessoas hoje seriam infelizes porque a sociedade bloqueia a realização de seus desejos, e devemos tentar reverter esta situação (observamos, novamente, a força desse pensamento vigente e efetivo). Também será utilizado muito da teoria da psicanálise freudiana, para explicar o comportamento das pessoas na sociedade atual, a exemplo, como atuam suas pulsões e como procuram realizar ou reprimir os seus desejos — “ponto decisivo do pensamento marcuseano”.

Um ponto importante sobre a obra Eros e Civilização.

De vital importância, no Eros e Civilização, será a distinção freudiana de “pulsões de vida” (representada por “Eros”) e “pulsões de morte” (representada por “Thanatos”, literalmente “morte”). Basicamente, as pulsões de vida serão aquelas voltadas para a conservação da vida, construção, união, e fenômenos do gênero. Elas se mostrarão claramente na sexualidade, que tem importância crucial no aparelho psíquico, para o prazer e para reprodução (procriação e continuação da vida humana sempre em processo).

As pulsões de morte, pelo contrário, impulsionarão as atitudes agressivas, de destruição, fazendo as coisas tenderem para o repouso da morte.

Ante o exposado, Marcuse, detecta segundo a teoria de Karl Marx (tese), de Sigmund Freud (antítese), chegando a síntese do pensamento revolucionário, que o novo grupo revolucionário seria as pessoas à margem da sociedade industrial, “assassinos, estupradores, ladrões, traficantes, sequestradores, pedófilos, etc.”, pois, esses seriam entes “perfeitos” devido a sociedade em geral não conseguir bloquear a realização de seus desejos, por mais animalescos e brutais que fossem. É o agente “Homem Trapo” ou “Lumpemproletariado”.

Lumpemproletariado, o que é?

Lumpemproletariado, lumpesinato ou ainda subproletariado, designa, no vocabulário marxista: — “A população situada socialmente abaixo do proletariado, do ponto de vista das condições de vida e de trabalho, formada por frações miseráveis, não organizadas do proletariado, não apenas destituídas de recursos econômicos, mas também desprovidas de consciência política, moral e de classe, sendo, portanto, suscetíveis de servir aos interesses da revolução”.

Assim, segundo os teóricos da revolução, o “lumpemproletariado” seria o grupo adequado, já que seu cinismo e sua absoluta ausência de princípios e valores, poderiam revigorar e fortificar a consciência revolucionária — “seria a classe que jamais desistiria de lutar pelo ideal revolucionário, já que proletariados evadiam paulatinamente da revolução, devido a Revolução Industrial ocasionar mudanças significativas pela via do trabalho para os próprios trabalhadores”. Já não fazia mais sentido lutar e derramar sangue por um pensamento utópico e ineficaz.

O termo, que pode ser traduzido, ao pé da letra, como “Homem Trapo”, foi introduzido por Karl Marx e Friedrich Engels em “A Ideologia Alemã”, em 1845 (Admirável Mundo Lúmpen). O “lumpen proletariat” seria constituído por quem nada contribuía para a produção (trabalho honesto e ócio criativo), eram dedicados a atividades marginais, eram prostitutas, ladrões, assassinos, etc., em “O 18 Brumário de Luís Bonaparte”, obra de Karl Marx, escrita entre dezembro de 1851, no capítulo V, assim é descrito o “lumpen proletariat” (lumpemproletariado): — “Sob o pretexto de criar uma sociedade de beneficência, organizou–se o lumpemproletariado de Paris em seções secretas, cada uma delas dirigida por um agente bonapartista[27], ficando um general bonapartista na chefia de todas elas”.

O lumpemproletariado atuaria junto a roués (libertinos)[28] arruinados, com duvidosos meios de vida e de duvidosa procedência, junto a descendentes degenerados e aventureiros da burguesia, vagabundos, licenciados de tropa, ex–presidiários, fugitivos da prisão, escroques, saltimbancos, delinquentes, batedores de carteira e pequenos ladrões, jogadores de azar, alcaguetes, donos de bordéis, carregadores, escrevinhadores, tocadores de realejo, trapeiros, afiadores, caldeireiros e mendigos. Em uma palavra, toda essa massa informe, difusa e errante que os franceses chamam “la bohème” (a Boêmia)[29]. Com estes elementos, que são marginais convictos, tão afins ao lumpemproletariado, formou Bonaparte a soleira da “Sociedade 10 de Dezembro”.

Criada em 1849 por Luís Bonaparte como subterfúgio para uma presumida sociedade beneficente, a “Sociedade 10 de Dezembro” foi a base de apoio político para o golpe de 2 de dezembro de 1851, quando o Presidente destituiu a Assembleia Nacional Francesa da Segunda República Francesa. Os “dezembristas”, como eram chamados os membros da Sociedade, faziam parte do lumpemproletariado de Paris, para descrever “a classe de indivíduos sem escrúpulos cujo único objetivo era enriquecer”. Há unicamente dois objetivos para a corrupção dentro do pensamento revolucionário.

Primeiro, o enriquecimento pessoal e, segundo, o aparelhamento de poderio (para se manter o poder do agente revolucionário). O primeiro objetivo, inicialmente, condenado pelo pensamento revolucionário, o outro objetivo, legitimado.

Alguns, afirmam, que intoxicado de Gramscismo, Lula optou por ambos, perdendo assim, a essência revolucionária. Contudo, erram, pois como escreveu o teórico político argentino, frequentemente considerado pós–marxista, Ernesto Laclau: — “A propaganda do Partido (não partidário, mas revolucionário) cria a classe social que em seguida vai representar”. Isto é próprio do pensamento dialético, converter-se no seu contrário quantas vezes for necessário, para aproximar-se do ideal revolucionário. Um quadro bem atual da cultura do Brasil. Não há nenhuma coincidência, tudo foi cuidadosamente arquitetado pelos ideólogos comunistas.

Uma imagem do Brasil.

Agora, é cognoscível, inequívoco e patente do porquê que a esquerda no Brasil, partidos políticos e organizações nacionais e, até mesmo, internacionais que atuam com opiniões sobre o Brasil, agem criminosamente. São elas, partidos políticos, especialmente, como PT (Partido dos Trabalhadores), PSOL (Partido Socialismo e Liberdade) e PCdoB (Partido Comunista do Brasil), entidades jurídicas, como OAB (Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil) e o próprio STF (Supremo Tribunal Federal), organizações intergovernamentais de equilíbrio social, como Direitos Humanos e ONU (Organização das Nações Unidas) a até organizações, claramente, ligadas ao crime organizado e o narcotráfico, como FSP (Foro de São Paulo), MIR chileno e FARC (entidades internacionais), PCC e congêneres (entidades nacionais), grande parte da mídia televisiva e jornalística nacional, e mesmo entidades internacionais, que atuam fortalecendo todas as narrativas nacionais, também militantes partidários e universitários, grupos ditos sociais e artísticos, agentes culturais, especialmente, músicos e atores, etc., defendem tanto, protegem e criam leis que tão–somente beneficiam criminosos e vagabundos, muitas vezes já desmascarados e condenados em seus crimes.

Aos poucos, fatos irão surgindo, por exemplo, foi noticiado que o PCC (Primeiro Comando da Capital, facção criminosa) e o PT (Partido dos Trabalhadores) tinham diálogos “cabulosos”, e que o PCC era pagador de advogados do PT para derrubar decisões da portaria do Ministério da Justiça e Segurança Pública, em razão, de 22 integrantes faccionados criminalmente terem sidos transferidos para presídios federais de segurança máxima, em fevereiro de 2019. Também foi noticiado que o PT usou o PCC para lavar dinheiro com empresas no Ceará, segundo afirmação em delação premiada de Antonio Palocci — Ex–membro do Partido dos Trabalhadores, nacionalmente famoso por ter sido condenado por diversos crimes, de ter ocupado o cargo de Ministro da Fazenda no Governo Lula (que igualmente foi condenado e réu por dez vezes) e Ministro–chefe da Casa Civil, escolhido pela ex–Presidente Dilma Rousseff, que foi impeachmentmada em 2016, por crime de responsabilidade e, que em outro ponto da História, teria feito parte de quatro organizações subversivo–terroristas: — POLOP, o COLINA, a VPR e a VAR–Palmares.

Alguns crimes hediondos cometidos por estes grupos:

Pessoas assassinadas pela VPR:

– 26/06/68 – Mário Kozel Filho – Soldado do Exército – SP.

– 27/06/68 – Noel de Oliveira Ramos – Civil – RJ.

– 12/10/68 – Charles Rodney Chandler – Cap. do Exército dos EUA – SP.

– 07/11/68 – Estanislau Ignácio Correia – Civil – SP.

– 09/05/69 – Orlando Pinto da Silva – Guarda Civil – SP.

– 10/11/70 – Garibaldo de Queiroz – Soldado PM – SP.

– 10/12/70 – Hélio de Carvalho Araújo – Agente da Polícia Federal – RJ.

– 27/09/72 – Sílvio Nunes Alves – Bancário – RJ[*].

Pessoas assassinadas pela VAP–Palmares:

– 11/07/69 – Cidelino Palmeiras do Nascimento – Motorista de táxi – RJ.

– 24/07/69 – Aparecido dos Santos Oliveira – Soldado PM – SP.

– 22/10/71 – José do Amaral – Sub–oficial da Reserva da Marinha – RJ.

– 05/02/72 – David A. Cuthberg – Marinheiro inglês – Rio de Janeiro – RJ.

– 27/09/72 – Sílvio Nunes Alves – Bancário – RJ [*][30].

Pessoas assassinadas pelo Colina:

– 29/01/69 – José Antunes Ferreira – Guarda Civil – Belo Horizonte/MG.

– 01/07/68 – Edward Ernest Tito Otto Maximilian Von Westernhagen – Major do Exército Alemão – RJ.

– 25/10/68 – Wenceslau Ramalho Leite – Civil – RJ.

Todos esses são criminosos atuando desde 1968[31]. Sem mencionar o fato do PCdoB e do PSOL — partidos que são braços atuantes do PT — que sempre saem em defesa de criminosos e vagabundos, inclusive, de agentes intelectuais e agentes políticos partidários condenados ou não pela justiça, que fomentam, obstinadamente, facilitam e incrementam a “Bandidolatria” e o “Democídio” por meio de políticas públicas (e internacionais), por grupos sociais e por ONGs (intergovernamentais).

Por exemplo, observe o poder aglutinador e diabólico da esquerda, é estarrecedor! No ano de 2019, a Venezuela conseguiu vaga no Conselho de Direitos Humanos da ONU, cujo ditador, Nicolás Maduro Moros, rege com vara de ferro, a pobre, indefesa e faminta, Venezuela.

Continuam os crimes e envolvimentos políticos. Neste mesmo ano de 2019, em depoimento inédito, o operador Marcos Valério, conta que o ex–Presidente Lula deu aval para pagar ao chantagista Ronan Maria Pinto, a quantia de R$ 6 milhões, e que se ele não fosse pago, o mesmo iria apontá-lo como envolvido no assassinato do Prefeito de Santo André, Celso Augusto Daniel, filiado ao Partido dos Trabalhadores, morto cruelmente em 2012. Segundo Valério, 12 milhões de reais “emprestados” pelo banco, sendo que 6 milhões foram para Ronan e a outra parte foi entregue ao petista Jacó Bittar, amigo de Lula e ex–Conselheiro da Petrobras. Jacó também é pai de Fernando Bittar, que consta como um dos donos do famoso sítio de Atibaia.

“Ronan Maria Pinto deixou bem claro que não iria responder pelos fatos sozinho, ‘pagar o pato’, conforme se expressa; que Ronan Maria Pinto afirmou com muita clareza e um modo simples que lhe é próprio que iria apontar o Presidente Lula como mandante da morte do Prefeito Celso Daniel, utilizando-se da expressão: — ‘apontá-lo como o cabeça da morte de Celso Daniel”, destaco parte do depoimento. Na ocasião, disse Valério ao ex–Presidente Lula: — “Resolvi, Presidente”, e Lula responde a ele: — “Ótimo, graças a Deus”.

Os integrantes da quadrilha que assassinaram Celso Daniel, seriam: — Rodolfo Rodrigo de Souza Oliveira (“Bozinho”), José Édson da Silva (“Édson”), Itamar Messias Silva dos Santos (“Itamar”), Marcos Roberto Bispo dos Santos (“Marquinhos”) e Elcyd Oliveira Brito (“John”). O líder da quadrilha seria Ivan Rodrigues da Silva, também conhecido como “Monstro”. Mas, o que é mais espantoso, após a morte de Celso Daniel foram ainda assassinadas sete outras pessoas, todas em situações misteriosas:

[1] – Dionísio Aquino Severo — Sequestrador de Celso Daniel e uma das principais testemunhas no caso (um elo importantíssimo que ligava a facção criminosa ao mandante). Uma facção rival o matou três meses após o crime (aqui, observamos a importância do lumpemproletariado, não ter princípios nem valores, são meros criminosos à serviço do poder; peças úteis de um tabuleiro).

[2] – Sérgio ‘Orelha’ — Escondeu Dionísio em casa após o sequestro. Fuzilado em novembro de 2002.

[3] – Otávio Mercier — Investigador da Polícia Civil. Telefonou para Dionísio na véspera da morte de Daniel. Morto a tiros em sua casa.

[4] – Antonio Palácio de Oliveira — O Garçom que serviu Celso Daniel na noite do crime pouco antes do sequestro. Em fevereiro de 2003.

[5] – Paulo Henrique Brito — Testemunhou a morte do garçom. Levou um tiro, 20 dias depois.

[6] – Iran Moraes Redua — O Agente funerário que reconheceu o corpo do prefeito jogado na estrada e que chamou a polícia em Juquitiba, morreu com dois tiros em novembro de 2004.

[7] – Carlos Delmonte Printes — Legista que atestou marcas de tortura no cadáver de Celso Daniel, foi encontrado morto em seu escritório em São Paulo, em 12 de outubro de 2005.

Concluo essa imagem, afirmando que esse pequeno demonstrativo de atrocidades, mas com multíplices nuances, evidencia o grau de complexidade, no sentido aterrador e pavoroso, de se entender o poder que a ação autocrática, arbitrária e tirânica do pensamento comunista causa na sociedade e de como acontece por meio dessa ação o estabelecimento do pensamento revolucionário no Brasil e também no mundo[32].

Restabelecendo a análise do pensamento marcuseano.

Marcuse defendeu também que a feminilidade e a masculinidade, não eram diferenças essenciais da natureza humana, digo biológicas, mas sim, apenas meras construções sociais impostas pelo que seria a primeira divisão do trabalho da história da humanidade. Um ataque sorrateiro e latente à família e o que se nota é o começo da elaboração ou ampliação da malfazeja e ruinosa, Ideologia de Gênero[33], como pauta e implementação revolucionária. Devemos notar que é uma das pautas de toda a esquerda mundial — “a desconstrução do núcleo familiar tradicional, pelo que eles chamam de Ideologia de Gênero”.

Marcuse defendeu que a libertinagem sexual seria uma reação a repressão social política, e assim, seria impulsionado o relativismo moral no mundo inteiro. Há pouco tempo aqui no Brasil, houve manifestações ditas “artísticas” com o apoio da grande mídia televisiva e jornalística, de políticos partidários, agentes sociais e políticos, de ONGs e empresas privadas, de artistas (atores e músicos) que vigoram o comunismo, de militantes e de intelectualóides (recuso a chamá-los de inteligentes, visto que não estão com a verdade). A exemplo dessas manifestações esdrúxulas, cito duas: — O “Queermuseu” que aconteceu no Santander Cultural, Museu de Arte Moderna (MAM) de São Paulo, em 2017, que em performance “artística”, o coreógrafo Wagner Schwartz, posicionava-se deitado completamente nu sobre um tatame, onde foi tocado o corpo nu desse homem, e para estupefação, por uma menina de cerca de quatro anos de idade sem restrições. E estimulada por uma mulher adulta (segundo o museu, a própria mãe da criança). Tratava-se de uma leitura interpretativa da obra, “Bicho”, de Lygia Clark, que segundo o “desconstrucionismo”, de Frankfurt, dá-se uma interpretação diametralmente e substancialmente oposta a original, e isto, propositalmente[34]. “A erotização de crianças era objetivo da ‘Queermuseu’ sem sombra de dúvidas por muitos fatores já mencionados”. Além disso, apresentou ao público escolar (crianças e adolescentes) condutas como: — “Zoofilia, pedofilia, homossexualidade, e, desrespeito, desconsideração e afronta a religião cristã”, que num contexto de respeito à diversidade, comunica a mensagem de que essas condutas devem ser aceitas como normais. Reitero, “o intuito da erotização de crianças é o agente facilitador para a pedofilia”.

Outra peça foi “Macaquinhos”, performance que explora o ânus humano e seus tabus, existem entre outras, manifestações, tão horrendas quanto essas que sabemos a intenção e objetivo.

O Politicamente Correto que permite essas ações e que delimita o uso da crítica, é aceito de braços abertos pela opinião pública basicamente por três motivos:

[1] – As teorias econômicas de Karl Marx são complicadas para entender, enquanto, que o raciocínio do Politicamente Correto por meio de chavões, de frases de efeito aliado a fantasia de um mundo ideal e sem defeitos e hipocrisias, é muito mais atraente para o cidadão comum que não pensa ou cidadãos que não possuiu formação verdadeiramente intelectual.

[2] – O Politicamente Correto pratica a teoria crítica destrutiva até a exaustão, e sabemos que a adesão desse tipo de mentalidade revolucionária, principalmente por parte dos jovens é enorme.

[3] – O marxismo falhou como sistema social e econômico em todo o mundo, restava para a sua sobrevivência a guerrilha cultural.

Acerca do jovem universitário, o Filósofo Luiz Felipe Pondé disse sabiamente, “dentre as várias formas, digamos, de processo transformador da sociedade no socialismo, a teoria do Gramsci é talvez, a que melhor se aplica, no que tem acontecido no mundo e no Brasil, porque o socialismo, o comunismo, e o marxismo perdeu em tudo, ele só não perdeu na cultura. Na cultura ele é hegemonicamente vitorioso. Existe uma tendência natural ao mundo acadêmico e produção de idéias, a abraçar a causa socialista, porque é o mundo em que você pode falar o que quiser (falo principalmente no mundo das ciências humanas, que é onde estar esta produção). Você pode falar o que quiser, porque um aluno de ciências humanas, dificilmente vai ‘quebrar’ uma empresa, porque ele não vai abrir uma empresa, dificilmente ele vai derrubar um avião, porque ele não vai pilotar avião, portanto, você pode inventar como o mundo é, inventar como seres humanos são, propor uma solução que você tem na cabeça, dizer como todo mundo deve agir, porque os alunos vão sair dali, vão beber, vão transar e se quando eles forem trabalhar, depois, eles vão arrumar emprego como professor, então, eles irão poder repetir a mesma história, ou eles vão na realidade, basicamente, gerar gasto em algum órgão do governo”.

De acordo com Horkheimer, a teoria crítica tinha o objetivo de “libertar os seres humanos das circunstâncias que os escravizam”. Assim sendo, seu principal objetivo era criar uma plataforma teorética e ideológica para uma revolução cultural. Em ato contínuo, esse grupo de filósofos centrou seus esforços especificamente na cultura. É a cultura o que forma os fundamentos que modelam a mentalidade e a visão política das pessoas. “Alterando-se a cultura, altera-se necessariamente, a mentalidade e a visão política das pessoas”. Para alterar a cultura, é imprescindível controlar a linguagem e as idéias. E, para se fazer esta revolução cultural, era imprescindível infiltrar-se nos canais institucionais, particularmente na educação, no Brasil o patrono da educação, Paulo Reglus Neves Freire, foi um dos discípulos do pensamento gramsciano. Em suma, a “Teoria Crítica” é a politização da lógica. Horkheimer, ao declarar que “a lógica não é independente de conteúdo”, quis dizer que um argumento é lógico se ele tem o objetivo de destruir as bases culturais tradicionais da civilização ocidental, e é ilógico se ele tem o objetivo de defendê-las.

Este, obviamente, é o pilar do Politicamente Correto, e explica por que o debate aberto e sem censura é vituperado como sendo algo subversivo e inflamatório. O Politicamente Correto despreza o debate aberto porque o vê como um gerador de discórdias e dúvidas, algo que estimula a análise crítica e impede uma uniformidade, a hegemonia intelectual.

Por último, o debate aberto e sem censura evita a predominância do chamado “pensamento de manada”, que é o cerne da revolução cultural[35].

A importância estratégica da educação controlada pelo Estado.

De acordo com a Escola de Frankfurt, todos os defeitos da humanidade começam com a família, “esses valores morais, dogmáticos devem ser atacados e destruídos” (Horkheimer, Gramsci).

A respeito da Revolução Industrial e Revolução Francesa, Marcuse escreveu: — “Estas duas revoluções engendraram um novo tipo de família, dando fim à comumente chamada família tradicional, que não compunha apenas uma unidade biológica e doméstica, mas uma verdadeira unidade coletiva existencial, um modo conjunto de viver. A Revolução Industrial ocasiona tal mudança pela via do trabalho; a Revolução Francesa aprofunda esta mudança pela via política”.

Max Horkheimer, de fato, foi primeiro teórico da Escola de Frankfurt, a aplicar os princípios de Korsch. Em seu ensaio, “Autoridade e Família”, demonstrou a necessidade de desconstruir a ordem vigente pela desconstrução da idéia de autoridade, gerada no interior da família, ele escreveu: — “A família cuida da representação dos caráteres humanos tal como os exige a vida social, e lhes empresta em grande parte a aptidão imprescindível para o comportamento especificamente autoritário, do qual depende amplamente a sociedade burguesa[36]”. A tarefa da família é “educar para o comportamento autoritário”.

Para Horkheimer, “a família gera a sociedade burguesa”. Porém, ele não consegue explicar como os indivíduos não detestam a família. Hegel reconheceu e expôs este contraste entre família e comunidade. Era, para ele, “o mais ético e, portanto, o mais trágico”.

Os primeiros aplicadores da teoria marxista não entenderam profundamente a importância da dissolução da família. A primeira grande autora feminista, Kate Millet, reconheceu que os esforços da União Soviética foram vãos, neste sentido, “eles sempre quiseram destruir a família e a Igreja, barreiras reais do pensamento revolucionário”.

Afirmam os revolucionários, a família é a primeira e primordial entidade moral que encontramos, essa entidade cria seus filhos de uma maneira autoritária, a qual gera adultos submissos, obedientes e dependentes. Em outras palavras, “é a família o que nos prepara e nos programa para aceitar o Fascismo. Sendo assim, ao se desacreditar e destruir o conceito de família, torna-se possível destruir o Capitalismo e o Fascismo em sua raiz”. Nada tão distante da realidade. É como se afirmasse com premissas errôneas e verdadeiras, optando por uma conclusão falsa. É como se afirmasse: — “Todas as mulheres são seres humanos, logo, todos os seres humanos são mulheres”.

“Destruiremos sua base moral, a família e a espiritualidade […]” (apócrifo, Lenin). Não deixa de exprimir a verdadeira idéia do pensamento cultural comunista.

Millet escreveu: — “A União Soviética fez de fato um esforço consciente para pôr fim ao sistema patriarcal e reestruturar a sua instituição mais fundamental, a família. Depois da revolução, foram votadas todas as leis possíveis para libertar o indivíduo das amarras familiares, liberalização do casamento e do divórcio, contraconcepção e aborto autorizado. Sobretudo, mulheres e crianças escaparam ao controle econômico do marido. Sob o regime coletivo, a família começou a desintegrar-se, e as fissuras produziram-se seguindo exatamente o traçado que tinha presidido à sua construção. O sistema patriarcal começou, por assim dizer, a fazer marcha atrás, enquanto a sociedade voltava à comunidade de trabalho democrática que as autoridades socialistas descrevem sob o nome de matriarcado. À parte o fato de declarar que a família como instituição obrigatória devia desaparecer, a teoria marxista não tinha conseguido fornecer uma base ideológica suficiente para uma revolução sexual e subestimava com uma ingenuidade notável a força histórica e psicológica do sistema patriarcal. Por consequência, quando a velha ordem patriarcal desabou, não existia uma teoria positiva e coerente para remediar a confusão que devia inevitavelmente seguir-se[37]”.

Por causa dessa atitude antagonista em relação à família, combinada com sua cruzada ideológica contra a espiritualidade, os filósofos de Frankfurt tinham de apresentar uma alternativa para substituir essa instituição “antiquada”, segundo eles e, com isso, garantir um caminho seguro para o futuro. Mais uma vez, em ato contínuo, a solução estava em reprogramar a sociedade por meio de uma engenharia social revolucionária, de modo, que todos passassem a se comportar da maneira esperada pela teoria social da Escola.

Todo comportamento humano deveria se tornar um mero e previsível ato de reciprocidade, conforme Antonio Gramsci dizia que, “todos devem ser socialistas sem que se deem conta”. Este, por si só, seria o código universal de ética que governaria a “Utopia Frankfurtiana”. Para impor e impingir esse código sobre a sociedade, eles propuseram a infiltração seguida da manipulação das instituições, dentre elas, e principalmente, a educação e a mídia global (má formação e má informação). Deter o controle desses canais institucionais seria a maneira mais eficiente de impor e de promover sua ética teleológica[38]. A educação controlada por sua ideologia forneceria a chave para a obediência garantida, extirpando toda e qualquer discordância, bem como, todo e qualquer potencial de pensamento independente feito pelo indivíduo. As repercussões dessa estratégia são óbvias hoje. A educação controlada pelo Estado condicionou as crianças e os adolescentes a, desde cedo, jamais questionar as políticas coletivistas do Governo. Aliás, quando estudantes decidem fazer algum ato de rebeldia contra o Governo, é justamente para pedir a imposição de ainda mais políticas coletivistas. Trata-se de uma estratégia que obteve um sucesso quase que absoluto.

Como disse Lew Rockwell: — “Se toda a propaganda governamental inculcada nas salas de aula conseguir criar raízes dentro das crianças à medida que elas crescem e se tornam adultas, estas crianças não serão nenhuma ameaça ao aparato estatal. Elas mesmas irão prender os grilhões aos seus próprios tornozelos[39]”.

A ascensão do Marxismo Cultural.

A Escola da Frankfurt criou o dogma de que “liberdade e justiça” são termos dialéticos, o que significa que eles estão em completa oposição um ao outro, em um jogo de soma zero, em que “mais liberdade significa menos justiça” e “mais justiça é igual a menos liberdade”. Baseado nessa dialética, a liberdade era a tese e a justiça era a antítese, e sabemos que a liberdade pressupõe regras bem estabelecidas e não produções volitivas plenárias. No anseio pela liberdade plena, que não há, muitos se tornaram escravos de suas próprias escolhas tomando sobre si duríssimas punições e assumindo terríveis consequências.

Essa interessante abordagem dialética foi adotada das idéias e obras de Friedrich Hegel. A Escola de Frankfurt, no entanto, distorceu o núcleo deste conceito e desnaturou sua lógica consequencial. Em síntese, a principal diferença entre as abordagens dialéticas de Hegel e Horkheimer está em suas respectivas conclusões: — Hegel, um idealista, acreditava, assim como Kant, que o espírito cria a matéria, ao passo que, para Horkheimer, um discípulo de Marx e de sua teoria do materialismo, é a matéria o que cria o espírito.

Marx afirmava que o mundo, a realidade objetiva, podia ser explicado por sua existência material e por seu desenvolvimento, e não pela concretização de uma idéia divina absoluta ou como resultado do pensamento humano racional, que é a postura adotada pelo idealismo.

Consequentemente, para a Escola de Frankfurt, colocar limites sobre o mundo material, colocar regras externas e diretrizes sobre o ambiente no qual os indivíduos vivem, pensam e operam, seria uma medida que, na visão deles, seria suficiente para moldar a experiência cognitiva dos indivíduos e, com isso, confinar seus espíritos aos parâmetros desejados. Esse é o ponto–chave que liga a Escola de Frankfurt àquilo que hoje conhecemos como o Politicamente Correto ou como Paralaxe Cognitiva. No cerne do Politicamente Correto está a crença de que “menos liberdade garante mais justiça e, consequentemente, mais segurança”. Este mantra é regurgitado por via de instituições acadêmicas, discursos políticos e sociais, e mídia em geral, introduzido e apensado em valores sociais, que posteriormente, será enraizado nas mentes das gerações mais jovens — futuros eleitores, militantes, agentes políticos e sociais, professores, historiógrafos, artistas, cineastas, especialistas, etc. — que serão instrumentos do pensamento revolucionário em âmbitos diversos, por meio das escolas, faculdades e outros espaços. Exatamente como era intenção da Escola de Frankfurt. Em vez de criar uma plataforma que estimule o desenvolvimento do indivíduo por meio do raciocínio lógico, do questionamento e dos diálogos estimulantes, o sistema institucional funciona como uma linha de montagem mecanizada, que tem o objetivo de padronizar e homogeneizar os indivíduos, condicionando-os a se submeter ao “status quo[40]”, sempre dizendo “sim” e jamais questionando. Esta é a lógica da Teoria Crítica da Sociedade e o elemento central do Politicamente Correto. Qualquer um que questione esse sistema se libertará. Trata-se de uma tentativa de controlar a inerente entropia das idéias humanas e todo o tipo de pensamento independente. De controlar o fluxo das idéias humanas e de conformar as experiências humanas a um imobilismo antinatural. Em última instância, trata-se do objetivo de quebrar o espírito do indivíduo e deixar sua mente de joelhos perante os ditames dos filósofos comunistas — “a ideologia cega é a prisão da alma humana”. Daí vem o termo “Marxismo Cultural”, os marxistas praticamente abandonaram a velha retórica da luta de classes, que envolvia as classes capitalistas e proletárias, e a substituíram pelas classes opressoras e oprimidas. As classes oprimidas incluem as mulheres, as minorias num sentido quantitativo, o grupo LGBTIA+, sem–terra (teto), criminosos e vagabundos, agora, vítimas da sociedade, e várias outras categorias mascotes. Já a classe opressora é formada pelo homem branco, heterossexual, trabalhador, quase sempre rico, chefe de família e cristão, e lógico, que não seja ideologicamente marxista, como os próprios fundadores da Escola de Frankfurt.

O Marxismo Cultural nada tem a ver com a liberdade, com o progresso social ou com um suposto esclarecimento cultural. Ao contrário, e como o próprio Horkheimer deixou claro, tem a ver com a criação de indivíduos idênticos que não se confrontem entre si e que não troquem idéias, operando como máquinas automáticas e sem emoção[41]. “Idéias são mais letais que armas, somos favoráveis ao terrorismo organizado, isto deve ser admitido francamente, precisamos odiar. O ódio é a base do comunismo. As crianças devem ser ensinadas a odiar seus pais se eles não são comunistas, usaremos o ‘idiota útil’ na linha de frente. Incitaremos o ódio de classes” (apócrifo, Lenin). Igualmente, “as idéias são muito mais poderosas do que as armas. Nós não permitimos que nossos inimigos tenham armas, porque deveríamos permitir que tenham idéias?” (apócrifo, Stalin). Mas, é perfeitamente a idéia já estabelecida.

New Left – a “Nova” Esquerda purificada.

David Horowitz é um escritor e estadunidense, figura proeminente no apoio ao marxismo e membro da “Nova” Esquerda (New Left) na década de 1960, filho de pais comunistas, quando com 17 anos, ver todas as mazelas de Josef Stalin sendo denunciada em 1956 por seu sucessor, Nikita Khrushchov. Khrushchov foi secretário–geral do Partido Comunista da União Soviética (PCUS), entre 1953 e 1964, e líder político do mundo comunista até ser afastado do poder por sua perspectiva reformista e substituído na direção da URSS pelo político, Leonid Brejnev. Em 25 de fevereiro de 1956, no XX Congresso do Partido Comunista, ele fez o “Discurso Secreto[42]”, denunciando os crimes de Stalin e instaurando uma era “menos” repressiva na União Soviética. Nesta ocasião, em decorrências das denúncias, como, variedades de crimes, traições, campo de trabalhos forçados e o genocídio de 20 milhões de pessoas, o Ocidente, entra em colapso. É neste momento que David Horowitz desfilia-se do Partido Comunista e funda a New Left. Agora, com o Politicamente Correto implantado no mundo, surge a esquerda dita “purificada”, atraente, “nova” e mais progressista, usando o “Desconstrucionismo” de Jacques Derrida, e escondendo todos os processos genocidários cometidos pela utopia comunista soviética, bem vermelha do sangue humano. A “Nova” Esquerda (New Left), são os movimentos políticos de esquerda surgidos em vários países a partir deste período (1960). Eles se diferenciam dos movimentos anteriores de esquerda que haviam sido mais orientados para um ativismo trabalhista e, principalmente, brutal, e adotaram uma definição mais ampla de ativismo político (ainda assim, violento, mesmo que disfarçadamente), comumente chamado de ativismo social. Nos Estados Unidos, a “Nova” Esquerda está associada aos movimentos populares, como o Hippie, os de protesto à Guerra do Vietnã e pelos direitos civis, que visavam a acabar com a opressão de classe, gênero sexual, raça e sexualidade (especialmente, a homossexualidade). Horowitz, concluiu sua pós–graduação, no final da década de 1960, onde morava em Londres e trabalhou para a “Bertrand Russell Peace Foundation[43]”, período em que se identificava como um intelectual marxista engajado. Em 1966, Ralph Shoenman persuadiu Bertrand Russell a convocar um tribunal de crime de guerra para julgar o envolvimento dos Estados Unidos na Guerra do Vietnã. Horowitz citaria três décadas depois, ter reservas políticas em relação a esse tribunal pelo que não participou da ação, apesar de descrever os juízes do tribunal como formidáveis. Dentre eles estavam os mundialmente famosos Isaac Deutscher, Jean–Paul Sartre, Stokely Carmichael, Simone de Beauvoir, James Baldwin e Vladimir Dedijer. Enquanto esteve em Londres, Horowitz tornou-se amigo íntimo do Deutscher, e escreveu uma biografia dele, publicada em 1971. Horowitz escreveu também: — “O Colosso do Mundo Livre – Uma Crítica da Política Externa Americana na Guerra Fria”.

Em janeiro 1968, voltou para os Estados Unidos, onde se tornou co–editor da revista “New Left the Ramparts” (Nova Esquerda de Muralhas), com sede no Norte da Califórnia. Durante o início da década de 1970, Horowitz desenvolveu uma estreita amizade com Huey Newton, fundador do Partido dos Panteras Negras. Horowitz, mais tarde, retratou Newton como um pouco de gângster, terrorista, intelectual e celebridade midiática.

Como parte de seu trabalho em conjunto com os Panteras, Horowitz ajudou a arrecadar dinheiro e financiar uma escola para crianças pobres em Oakland. Ele recomendou que Newton contratasse Betty Van Patter (sua amiga) como contadora, na época em que ela estava trabalhando para as “Ramparts”. Em dezembro de 1974, o corpo de Van Patter foi encontrado flutuando no porto de São Francisco, e Horowitz concluiu que os Panteras Negras estavam por detrás de seu assassinato.

David Horowitz sem conseguir explicar a morte de sua amiga, escreve para o jornal “New York Time”, e com uma desculpa o seu artigo não é publicado. Horowitz é afastado da “New Left” por seus “amigos” por traição, razão de ter atacado os Panteras Negras. Hoje, David Horowitz é um defensor declarado do conservadorismo.

[1] Comunismo. Um mal a ser extirpado do mundo.

[2] Marxismo ocidental refere-se ao conjunto de análises produzidas por vários teóricos marxistas estabelecidos na Europa Ocidental e Central e críticos do marxismo oficial — a interpretação vigente na antiga União Soviética e nos países, então socialistas, do Leste Europeu. O uso do termo “ocidental”, para distinguir uma vertente do marxismo, aparece pela primeira vez no ensaio “Estado atual do problema de ‘Marxismo e Filosofia’”, mais conhecido como “Anticrítica”, de Karl Korsch, no qual o autor delimita um grupo de comunistas partidários da Terceira Internacional, dentre os quais são nomeados expressamente apenas György Lukács e ele próprio.

[3] Comunismo de conselhos (ocasionalmente chamado de conselhismo) é uma corrente do comunismo que emergiu da Revolução de Novembro, nos anos 1920, caracterizado por sua oposição ao socialismo de Estado e por defender os conselhos como base para o desmantelamento do Estado. Essa tendência surge como oposição à socialdemocracia, e ao leninismo.

[4] Wiggershaus, 2003, p. 134.

[5] Martin Heidegger (1889 – 1976) foi um filósofo, escritor, professor universitário e reitor alemão. Ele foi um pensador seminal na tradição continental e hermenêutica filosófica, e é “amplamente reconhecido como um dos filósofos mais originais e importantes do século 20”. Heidegger é mais conhecido por suas contribuições para a fenomenologia e existencialismo, embora, como a Enciclopédia de Stanford de Filosofia adverte, “seu pensamento deve ser identificado como parte de tais movimentos filosóficos apenas com extremo cuidado e qualificação”. Nascido na pequena cidade de Messkirch, distrito de Kaden, no interior da Alemanha. Inicialmente quis ser padre e chegou mesmo a estudar Teologia na Universidade de Freiburg. Depois, estudou Filosofia na mesma Universidade, com Edmund Husserl, o fundador da fenomenologia. Em 1913, doutorou-se em Filosofia. Ao estudar os clássicos protestantes de Martinho Lutero, João Calvino, entre outros, enfrentou uma crise espiritual e rompeu com o catolicismo. Em 1917 se casa com a Luterana Elfrid Petri.

[6] MARCUSE, Herbert, A Ideologia da Sociedade Industrial – o homem unidimensional, Tradução por Giasone Rebuá, IV edição, p. 193 – 194.

[7] François Perroux. La Coexistence pacifique, loc. cit., voI. III, p. 631.

[8] Dwight D. Eisenhower, speech to the Freedoms Foundation in New York. “Our sense of government has no sense unless it is founded in a deeply religious faith, and I don’t care what it is. With us of course it is the Judeo–Christian concept, but it must be a religion that all men are created equal” — “Nosso senso de governo não faz sentido a menos que seja baseado em uma fé profundamente religiosa, e não me importa qual seja. Conosco, claro, é o conceito judaico–cristão, mas deve ser uma religião que todos os homens são criados iguais”. Quoted by Silk, 1984.

[9] MARCUSE, Herbert, A Ideologia da Sociedade Industrial – o homem unidimensional, Tradução por Giasone Rebuá, IV edição, p. 30.

[10] O Ego surge a partir da interação do ser humano com a sua realidade, adequando seus instintos primitivos (o “Id”) com o ambiente em que vive. É também chamado de “princípio da realidade”.

[11] O Superego se desenvolve a partir do “Ego” e consiste na representação dos ideais e valores morais e culturais do indivíduo. O Superego atua como um “conselheiro” para o “Ego”. Isto porque o alerta sobre o que é ou não moralmente aceito, segundo os princípios que foram absorvidos pela pessoa ao longo de sua vida.

[12] Ceteris paribus — é uma expressão do latim que pode ser traduzida por “todo o mais é constante” ou “mantidas inalteradas todas as outras coisas”. Uma predição ou uma afirmação sobre uma relação causal, empírica ou lógica indutiva entre dois estados de coisas é “ceteris paribus” se for reconhecido que a previsão, embora geralmente precisa em condições esperadas, pode falhar ou a relação pode ser abolida por fatores intervenientes (integrantes, constituintes, participadores, partícipes).

[13] MARCUSE, Herbert, Eros e Civilização, Uma Interpretação Filosófica do Pensamento de Freud, p. 107 – 109.

[14] Processo de modificação cultural de indivíduo, grupo ou povo que se adapta a outra cultura ou dela retira traços significativos. Ou fusão de culturas decorrente de contato continuado.

[15] Heterodoxia (do grego “heteródoxos”, “de opinião diferente”) inclui “quaisquer opiniões ou doutrinas que discordem de uma posição oficial ou ortodoxa da Igreja Cristã”. Como adjetivo, heterodoxo é usado para descrever um assunto como “caracterizado por desvio de padrões ou crenças aceites” (status quo).

[16] República de Weimar é uma designação histórica não oficial para o estado alemão de 1918 a 1933.

[17] “Revolução de Outubro” foi uma revolução na Rússia liderada pelo Partido Bolchevique de Vladimir Lenin que foi fundamental na grande Revolução Russa de 1917 – 1923. Aconteceu através de uma insurreição armada em Petrogrado em 7 de novembro (25 de outubro de OS) 1917. Nota: — OS – “Old Style” (Estilo Antigo – SO) e NS – “New Style” (Novo Estilo – NS) são termos às vezes usados ​​com datas para indicar que a convenção do calendário usada no momento descrito é diferente daquela em uso no momento em que o documento estava sendo escrito. Houve duas mudanças de calendário na Grã–Bretanha e em suas colônias, o que às vezes pode complicar as coisas: — a primeira foi mudar o início do ano de Lady Day (25 de março) para 1º de janeiro; o segundo era descartar o calendário juliano em favor do calendário gregoriano.

[18] “Programa de Setembro” foi o plano para a expansão territorial da Alemanha Imperial, preparado para o chanceler Theobald von Bethmann–Hollweg, no início da Primeira Guerra Mundial (1914 – 1918). Kurt Riezler foi secretário particular do chanceler, e redigiu o Programa de Setembro em 9 de setembro de 1914, nos primeiros dias do ataque alemão no Oeste, quando a Alemanha esperava derrotar a França rápida e decisivamente.

[19] A Primeira Guerra Mundial (também conhecida como “Grande Guerra” ou “Guerra das Guerras” até o início da Segunda Guerra Mundial) foi uma guerra global centrada na Europa, que começou em 28 de julho de 1914 e durou até 11 de novembro de 1918. O conflito envolveu as grandes potências de todo o mundo (Willmott, 2003, p. 10 – 11), que se organizaram em duas alianças opostas: — os aliados (com base na “Tríplice Entente” entre Reino Unido, França e Rússia) e os Impérios Centrais, a Alemanha e a Áustria–Hungria. Originalmente a Tríplice Aliança era formada pela Alemanha, Áustria–Hungria e a Itália; mas como a Áustria–Hungria tinha tomado a ofensiva, violando o acordo, a Itália não entrou na guerra pela Tríplice Aliança (Willmott, 2003, p. 15).

[20] Schucking, professor Walther e Montgelas, conde Max, editores, erupção da guerra mundial – originais alemães coletados por Karl Kautsky (Os documentos Kautsky), Oxford University Press, Londres [e em outros lugares], 1924 — Conde Montgelas, The Case for the Central Powers, Londres, 1925.

[21] MARCUSE, Herbert, A Ideologia da Sociedade Industrial – o homem unidimensional, Tradução por Giasone Rebuá, IV edição, p. 16.

[22] MARCUSE, Herbert, A Ideologia da Sociedade Industrial – o homem unidimensional, Tradução por Giasone Rebuá, IV edição, p. 178 – 179.

[23] MARCUSE, Herbert, A Ideologia da Sociedade Industrial – o homem unidimensional, Tradução por Giasone Rebuá, IV edição, p. 16.

[24] A Liga Espartaquista, também chamada Liga Spartacus, foi uma organização socialista, marxista, revolucionária, anti–imperialista e antimilitarista atuante na Alemanha durante a Primeira Guerra Mundial. Constituída no início da Primeira Guerra Mundial, pela ala esquerda da social–democracia alemã (Rosa Luxemburgo, Karl Liebknecht, Clara Zetkin e Franz Mehring, entre outros), sua denominação é uma referência a Spartacus, líder da maior “rebelião escrava” da Roma Antiga (73 a.C. – 71 a.C.), e símbolo da resistência dos “oprimidos aos seus exploradores”, segundo as concepções marxistas de materialismo histórico e luta de classes.

[25] A não ser em alguns períodos da vida: — quando jovem foi, por um curto período, membro de um conselho de soldados em Berlim, no início da revolução alemã; na maturidade, participou do esforço de guerra contra o nazismo, trabalhando como analista político para o governo americano em Washington; e na velhice, suas idéias o aproximaram da “Nova” Esquerda (New Left) e do “Movimento Estudantil”, cujas insuficiências e debilidades, porém, nunca deixou de apontar.

[26] Ku–Klux–Klan é o nome de três movimentos distintos dos Estados Unidos, passados e atuais, que defendem correntes reacionárias e extremistas, tais como a “supremacia branca”, o “nacionalismo branco”, a “anti–imigração” e, especialmente em iterações posteriores, o “nordicismo” (Petersen, William, Against the Stream: Reflections of an Unconventional Demographer, [S.l.]: Transaction Publishers, p. 89; Pratt Guterl, Matthew, 2009, The Color of Race in America, 1900 – 1940, [S.l.]: Harvard University Press, p. 42), o “anticatolicismo” (Pitsula, James M., 2013, Keeping Canada British: The Ku Klux Klan in 1920 Saskatchewan, [S.l.]: UBC Press; Brooks, Michael E., 2014, The Ku Klux Klan in Wood County, Ohio, [S.l.]: The History Press) e o “antissemitismo” (Brooks, Michael E., 2014, The Ku Klux Klan in Wood County, Ohio, [S.l.]: The History Press), historicamente expressos através do terrorismo voltado a grupos ou indivíduos aos quais eles se opõem.

[27] O bonapartismo é uma ideologia política e um culto à personalidade de origem francesa e alemã, inspirada pela maneira que Napoleão Bonaparte governou. Em nossos dias, é frequentemente usada para definir um tipo de governo em que o Poder Legislativo perde força e o Executivo se fortalece. No modelo “bonapartista”, o governante quer ser um ditador, mas busca construir uma imagem carismática de um representante popular.

[28] Em sua concepção moderna, o termo libertino refere–se aos pensadores e literatos europeus que se abstraíam dos princípios morais do seu período, como aqueles relacionados à moral sexual, sendo caracterizado também como um hedonismo extremo. A palavra foi cunhada por João Calvino para depreciar seus oponentes políticos.

[29] Neste contexto, boêmios podem ser errantes, aventureiros ou vagabundos.

[30] [*] – O nome se repete porque Sílvio foi assassinado em assalto ao Banco Novo Mundo, na Penha, pelas organizações terroristas PCBR – ALN – VPR – Var–Palmares e MR8. Autor do assassinato: — José Selton Ribeiro.

[31] VEJA. Felipe Moura Brasil — “O terrorismo de Dilma Rousseff e a insanidade brasileira” — Acesso atualizado em 2022.

[32] UOL — Venezuela consegue vaga no Conselho de Direitos Humanos da ONU — Acesso atualizado em 2022.

[33] Jornal Vetera — Rhuan, David Reimer e a Ideologia de Gênero — Acesso atualizado em 2022.

[34] As obras “Bichos” de Lygia Clark, feitas com metal unidas com dobradiças, fazendo com que as obras fiquem volumosas, dessa forma, Clark forma os bichos. São seres constituídos de várias formas de movimentos, estruturadas através da linha orgânica, que aparece como colunas vertebradas. Clark firma então um compromisso com a arte e a vida, fazendo-as aproximarem-se. Afirma que seus “bichos” têm vida própria. “Um bicho não é apenas para ser contemplado e mesmo tocado. Requer relacionamento. Ele tem respostas próprias, e muito bem definidas para cada estímulo que vier a receber”. Essas obras de Lygia Clark inspiram imaginação, como quando procuramos ver desenhos nas nuvens, pois seu geocentrismo não é, de forma alguma, frio. Entretanto, suas linhas dinâmicas suas posições variadas remetem ludicamente ao “observador/interator (relativo a interação)” a fazer associações formais com seres vivos em suas múltiplas configurações. A própria Lygia coloca nome em alguns com base no que representam em certo momento (A importância da instigante obra de Lygia Clark, que completaria hoje 95 anos, 2015) — Lygia Clark e sua obra “Bichos” – O que é arte participativa, Patricia de Camargo, YouTube, 2018.

[35] Marcuse, Herbert, “Eros e Civilização, Uma Interpretação Filosófica do Pensamento de Freud”, Tradução Álvaro Cabral, Ed. Guanabara Koogan, 8ª edição; Doria, Francisco Antônio, “Marcuse, Vida e Obra”, José Álvaro Editor S.A., Paz e Terra, Rio de Janeiro, Guanabara, 1974; Pizani, Marilia Mello, “Marcuse e Freud: — A Polêmica na Interpretação”.

[36] HORKHEIMER, M., Autoridade e Família, em Teoria Crítica, Volume 1, Perspectiva, São Paulo, 2012, p. 214.

[37] MILLET, K., Política Sexual, Publicações Dom Quixote, Lisboa, 1979, p. 161 – 163.

[38] A Ética Teleológica, trata-se de uma concepção em que “o bem se define independentemente do justo, e então o justo se define como aquilo que maximiza o bem” (RAWLS, Uma Teoria da Justiça, p. 26). Neste sentido o “bem” antecede o justo, como se espera em uma ética teleológica (pragmatismo).

[39] A Escola de Frankfurt, o marxismo cultural, e o politicamente correto como ferramenta de controle, Instituto Ludwig Von Mises Brasil, Parte 1, 2016; A Escola de Frankfurt, o marxismo cultural, e o politicamente correto como ferramenta de controle, Instituto Ludwig Von Mises Brasil, Parte 2, 2016; A Escola de Frankfurt, o marxismo cultural, e o politicamente correto como ferramenta de controle, Instituto Ludwig Von Mises Brasil, Parte 3, 2016.

[40] “Statu quo” é uma locução latina que significa “no estado das coisas”. Também é grafada como “status quo”, significando “o estado das coisas”.

[41] Breines, Wini, 1989, Community and Organization in the New Left, 1962 – 1968, The Great Refusal – em inglês – [S.l.] – Rutgers University Press, p. 187.

[42] O chamado Discurso Secreto ou Relatório Khrushchov, cujo nome oficial é: — “Sobre o culto à personalidade e suas consequências”, é uma famosa intervenção do político soviético Nikita Khrushchov durante o XX Congresso do Partido Comunista da União Soviética, em 25 de fevereiro de 1956. No discurso, Khrushchov reafirma sua crença nos ideais comunistas, invocando as idéias de Lenin, ao mesmo tempo que critica o regime de Stalin, particularmente pelos brutais expurgos de militares de alto escalão e de quadros superiores do Partido – o chamado “Grande Expurgo”, entre 1934 e 1939 – e, pelo culto à personalidade de Stalin. O discurso foi um marco na “Era Khrushchov”. Foi um sinal da intensa disputa pela liderança soviética, na qual Khrushchov procurava desacreditar os stalinistas, notadamente Lavrentiy Beria. Significou, também, uma mudança da linha oficial do Partido Comunista da União Soviética e dos seus postulados baseados no chamado stalinismo. O discurso adquiriu o nome da sessão na qual foi pronunciado, a portas fechadas, sem a presença de convidados estrangeiros. O texto original só foi publicado em sua totalidade no dia 3 de março de 1989, pela gazeta oficial do Comitê Central do Partido, já no período da glasnost – abertura do regime promovida por Mikhail Gorbatchov.

[43] A “Bertrand Russell Peace Foundation”, criada em 1963, continua o trabalho do filósofo e ativista Bertrand Russell nas áreas de paz, justiça social e direitos humanos, com foco específico nos perigos da guerra nuclear.

COMUNISMO

COMUNISMO

No Brasil, o desconhecimento total a respeito de um assunto, faz com que “pseudo–intelectuais” (intelectualóides) tenham sempre uma “fonte” de autoridade a respeito dos mais variados (e mesmos) assuntos que os tais desconhecem, isto é, a ignorância sempre converte–se em fonte suprema de intelectualidade e autoridade para se estabelecer paradigmas para a sociedade, que são aprovados e autorizados pela incognoscibilidade. Contudo, é agravada a situação pela propagação que fazem os idiotas (ἰδιώτης) que os seguem, aqueles que carecem de mínima “Arrumação Intracromossomial Específica” — carecem de inteligência e verdade e de discernimento da realidade. Ora, é grande o agravo desta geração, pessoas que estão sendo formadas por leituras vagas e pequenos trabalhos dispersos, pessoas que cultuam cegamente a ignorância, e que debatem obstinadamente e incorrigivelmente antes mesmo de estudarem diligentemente; sofrem com o “travamento da imaginação real”, pelo bloqueio ideológico que ocupa suas mentes — “a ideologia cega é o cárcere da alma”, ficando sempre distantes da realidade. Contudo, é impossível perceber uma aparência fenomênica se não houver ali a coisa em si, afinal, é próprio das coisas existentes se mostrar. Faz parte da coisa em si. Portanto, estes “pseudo–intelectuais” excluem–se do mundo real para falar sobre a realidade. Mas sabemos que, não é possível, vivendo a realidade, excluir–se do mundo real e falar verdadeiramente sobre a realidade. Talvez, chegamos ao maior problema político do Brasil.

Por crimes, terror e repressão, o Comunismo promoveu, aproximadamente, mais de cem milhões de mortes pelo mundo.

Conta–se a urdidura, de que o revolucionário e político soviético, Josef Stalin (1878 – 1953), em uma de suas reuniões, “pediu que lhe trouxessem uma galinha; assim, agarrou–a forte com uma das mãos enquanto a depenava com a outra, a galinha, combalida pela dor, quis fugir, mas não pôde. Stalin retirou todas suas penas, dizendo aos seus colaboradores: — ‘Agora, observem o que vai acontecer’. Ele soltou a galinha no chão e afastou–se um pouco dela, pegou um punhado de grãos de milho (quirela), começou a caminhar pela sala e a atirá–los ao chão, enquanto seus colaboradores viam, assombrados, como a galinha, assustada, dolorida e sangrando, corria atrás dele tentando agarrar algumas migalhas de milho (dando inúmeras voltas pela sala). O animal o seguia fielmente por todos os lados! Ora, isto é, a imagem assustadoramente produzida por um dos piores líderes políticos que já existiu, um homem com distintivos traços de psicopatia. Diante disso, Stalin olhou para seus ajudantes, que estavam totalmente atônitos, e lhes disse: — ‘Assim, facilmente, governa–se os estúpidos. Viram como o animal seguiu–me, apesar da dor que lhe causei? Tirei–lhe tudo, as penas e a dignidade, contudo, ainda assim, ela continuamente me segue em busca de farelos. As pessoas são como esta galinha, se você infligir uma dor excessiva a elas, elas seguirão você por comida pelo resto de suas insignificantes vidas’[1]”.

Com esta pequena exposição de maquinação malíssima e disforme, exemplificamos a degradação prometida por Stalin, que atrozmente reduziu a humanidade ao nível dos animais e, intoxicado com o poder, exterminou impiedosamente milhares de seus compatriotas, provocando imediatamente o suicídio de vários membros de sua família.

O ponto de partida de Stalin, é a construção ideológica de um mundo e de um sistema ateu (sem Deus), que o conduziu pelo caminho da perversidade do processo genocidário. Certamente, um dos mais cruéis e mais pungentes experimentos de morte em massa de toda a história da humanidade.

Stalin foi Secretário–Geral do Partido Comunista da União Soviética e serviu como primeiro–ministro de seu país de 1941 a 1953, inicialmente, impulsionando um estado unipartidário oligárquico, de regime autoritativo, tornando–se, de fato, o ditador da União Soviética (URSS) na década de 1930. Stalin governa por 30 anos. Como escreveu o filósofo, Olavo de Carvalho: — “O comunismo não é um grande ideal que se perverteu. É uma perversão que se vendeu como um grande ideal”.

1 – Um pouco antes.

A URSS foi o primeiro país comunista da história, foi constituído e liderado inicialmente em 1917 por Vladimir Lenin[2], revolucionário comunista, político e teórico político russo — depois de cinco anos Lenin morre com uma doença incurável nos vasos sanguíneos[3].

O seu sucessor natural é Leon Trótski, intelectual marxista e revolucionário bolchevique, organizador do Exército Vermelho[4].

Após a morte de Lenin, Trótski, rival de Stalin na disputa pela hegemonia do Partido Comunista da União Soviética (PCUS), sofreu um golpe – e afastado do controle do Partido por Stalin, foi expulso do PCUS e exilado da União Soviética, refugiando–se no México, onde veio a ser assassinado por Ramón Mercader, agente da polícia de Stalin[5].

2 – A derrota.

Desde 1920, Lenin receia crescentemente a burocratização do Partido e do estado[6] e criticava Trótski “por sua falta de ‘opinião firme sobre o marxismo’ e o condenava na tentativa de querer ‘conciliar’ as diferentes classes sociais esquerdistas”.

O leninismo, por sua vez, afirmava: — “Trótski nunca mantém uma opinião firme sobre qualquer questão importante do marxismo. Ele sempre dá um jeito de se insinuar nas brechas de qualquer diferença de opinião e oscila de um lado para o outro. No presente ele está em companhia dos budistas e dos liquidacionistas. E este senhor não faz cerimônia no que diga respeito ao Partido[7]”.

Em uma carta a Zinoviev datada de 24 de agosto de 1909, Lenin escreveu: — “Trótski comporta–se como um desprezível carreirista e fracionista do tipo Ryazanov–e–companhia. É necessária igualdade no conselho editorial, subordinação ao comitê central e nenhuma transferência para Paris, exceto a de Trótski (o canalha quer “consolidar” a banda vil completa do “Pravda” às nossas custas!), ou então uma ruptura com este trapaceiro e uma denúncia dele no CO. Ele simula dedicação ao Partido e comporta–se pior do que qualquer outro dos fracionistas[8]”.

Quando Lenin estava empreendendo uma luta de vida e morte para expurgar do Partido os liquidacionistas e otzovistas[9], Trótski, assumindo o papel de um conciliador, tentou sem êxito reconciliar o Partido com aquelas duas tendências burguesas. Isto levou Lenin a denunciar Trótski nestes termos: — “Já nas primeiras palavras de sua resolução, Trótski expressou o pleno espírito do pior tipo de conciliação, conciliação entre aspas, conciliação sectária e filistéia, que tratava de ‘dadas pessoas’ e não de dadas linhas políticas, de dado espírito, do conteúdo ideológico do trabalho do Partido. E nisto que está à diferença enorme entre a defesa real do Partido, que consiste em expurgar dele o liquidacionismo e o otzovismo, e a ‘conciliação’ de Trótski e Cia.”, que atualmente — “Presta o mais fiel serviço aos liquidacionistas e aos otzovistas e é, portanto, tanto mais nocivo e perigoso para o Partido quanto mais esperta, artificiosa e retoricamente se abriga em declamações professadamente pró–partido, professadamente antifracionistas[10]”.

Em novembro de 1910, acusando Trótski de seguir “na trilha dos mencheviques, cobrindo–se de frases particularmente sonoras”, de “colocar diante dos camaradas alemães uma visão liberal sob um verniz marxista”, de constituir–se num mestre de “frases ressonantes, mas vazias”, de não conseguir entender e de ignorar o “conteúdo econômico da Revolução Russa” e, portanto, “estar privado da possibilidade de entender o significado histórico da luta interna do Partido na Rússia”, Lenin prossegue, afirmando: — “A luta entre o bolchevismo[11] e o menchevismo é […] uma luta sobre a questão de se apoiar os liberais ou destronar a hegemonia dos liberais sobre o campesinato. Portanto, atribuir (como o faz Trótski) nossas diferenças à influência da inteligência, à imaturidade do proletariado etc., é uma repetição puerilmente ingênua de contos de fadas liberais”. Acrescentando: — “Trótski distorce o bolchevismo, porque ele nunca foi capaz de formar qualquer visão definida sobre o papel do proletariado na revolução burguesa russa”. Contestando as mentiras e falsificações de Trótski na imprensa socialdemocrata alemã e acusando–o de seguir uma política de “propaganda”, de “desavergonhadamente depreciar o Partido e se exaltar diante dos alemães”, Lenin conclui: — “Portanto, quando Trótski diz aos camaradas alemães que ele representa a “tendência geral do Partido”, sou obrigado a declarar que Trótski representa apenas sua própria facção e goza de certa confiança exclusivamente entre os otzovistas e os liquidacionistas[12]”.

Quando o Vienna Club de Trótski, ampliando suas atividades, passou uma resolução, em novembro de 1910, para organizar um “fundo partidário geral com o propósito de preparar e conduzir uma conferência do RSDLP — Russian Social Democratic Labour Party (Partido Operário Social–Democrata Russo)[13]”, Lenin caracterizou isto como “um passo direto para a divisão […] uma clara violação da legalidade do Partido e o início de uma aventura de que Trótski vai se arrepender”. Continua Lenin: — “É uma aventura no sentido ideológico. Trótski agrupa todos os inimigos do marxismo, reúnem Potresov e Maximov, que detestam o bloco “Lenin–Plekanov”, como eles gostam de chamá–lo — “Trótski reúne todos aqueles a quem atrai a decadência ideológica, que não estão interessados na defesa do marxismo” — todos os filisteus que não entendem as razões para a luta e não querem aprender, pensar e descobrir as raízes ideológicas da divergência de visões. Nesta época de confusão, desintegração e indecisão, é fácil para Trótski tornar–se o “herói do momento” e congregar todos os elementos mesquinhos ao redor dele. Quanto mais essa tentativa for feita abertamente, mais espetacular será sua derrota[14]”.

Lenin termina esta sua carta clamando, entre outras, à “luta contra as táticas divisionistas e o aventureirismo sem princípios de Trótski[15]”.

Em dezembro de 1911, farto do trabalho “sujo” de Trótski, como agente e diplomata dos liquidacionistas e otzovistas, Lenin, expondo o divisionismo de Trótski, escreveu: — “É impossível argumentar com Trótski sobre os méritos dos acontecimentos, porque Trótski não tem posição sobre coisa alguma. Nós podemos e devemos arguir com liquidacionistas e otzovistas assumidos; porém, não é possível usar argumentos com um homem cujo jogo é esconder os erros de ambas as tendências; neste caso, a única coisa a fazer é expô–lo como um diplomata do menor calibre[16]”.

Em julho de 1912, em uma carta ao editor do Pravda, o jornal diário legal bolchevique, impresso em Petersburgo a partir de 5 de maio de 1912, Lenin aconselha ao editor não responder às “cartas destrutivas e caluniosas” de Trótski, acrescentando: — “A campanha sórdida de Trótski contra o Pravda é uma massa de mentiras e calúnias […]. Este intrigante e liquidacionista continua mentindo a torto e a direito[17]”. O comunismo sempre aniquila presumíveis e críveis “inimigos do pensamento revolucionário” (em todos os períodos assim foi), sendo que, segundo a mentalidade revolucionária, esses geralmente são identificados como “traidores partícipes” da revolução, não obstante, que esses não são a maioria segundo os teóricos revolucionários; segundo os critérios, orientações e fatores, que os próprios líderes despóticos definem ou apontam — indubitavelmente, sem razão, motivo, explicação ou culpa — esses “traidores apátridas” são assassinados com requinte culminante de crueldade, passando a idéia de interesse do Partido, e zelo diligente, teórico da revolução.

3 – A morte de Trótski e as divergências com Joseph Stalin.

Na primavera de 1939 Stalin afirma ao agente Sudoplotov: — “A guerra está próxima. O trotskismo tornou–se um cúmplice do Fascismo. Devemos dar um profundo golpe na IV Internacional. Como? Decapitem–na![18]”.

Em outubro de 1939, Mercader entrara no México com um passaporte falso, identificando–se como “Jacques Monard”, um homem de negócios. Segundo Volgokanov a operação que levou ao assassinato de Trótski custara cerca de cinco milhões de dólares ao governo stalinista[19].

Contudo, desde 1920, Vladimir Ilyich Ulianov (Lenin) receia crescentemente a burocratização do partido e do estado e criticava Trótski pela sua falta de “opinião firme sobre o marxismo” e o condenava abertamente na tentativa de querer conciliar as diferentes classes sociais esquerdistas. A morte de Lenin, em 1924, gera um vazio de poder que acirra a disputa interna entre o setor “burocratizado” e o setor “em defesa de uma maior sovietização do regime”. O primeiro, simbolizado por Stalin, acaba por vencer, assumindo a direção quase total do Partido. Nesse momento, Trótski não quis ou não pôde opor–se ativamente à Stalin, mantendo–se discreto no XII Congresso do Partido, em 1923 (um ano antes de Lenin morrer), onde ele mesmo acabara por perder o poder para um triunvirato, também chamado de “Troika[20]”, constituído por Josef Stalin, Lev Kamenev e Grigori Zinoviev. Trótski e seus apoiantes organizam–se na “Oposição de Esquerda”, facção que nos anos seguintes lutaria no interior do Partido contra Stalin.

Um dos secretários de Trótski, Josef Hansen, entregou à imprensa um relato sobre o assassinato do líder comunista: — “Trótski conhecia pessoalmente seu assassino, ‘Frank Jacson’ ou ainda ‘Jacques Monard’ (mas, na verdade, Ramón Mercader), há mais de seis meses, e tinha confiança nele devido às suas relações com o movimento ‘trotskista’ na França e nos Estados Unidos. Ele nos visitava com frequência e em momento algum tivemos motivos para desconfiar que ele fosse agente da GPU[21]”.

Segundo Hansen, Jackson chegou à casa de Trótski às 5h30 da tarde do dia 20 de agosto, dizendo–lhe que havia escrito um artigo, sobre o qual gostaria de sua opinião. Trótski concordou e ambos se encaminharam para a sala de jantar, onde estava a sra. Trótski. “Alegando estar com a garganta seca, Jackson pediu um copo de água – a sra. Trótski ofereceu–lhe chá – ele agradeceu, mas preferiu a água. Então, Trótski convidou–o a passarem para o seu escritório”.

O primeiro indício de que algo de anormal acontecera foi o som de gritos lancinantes e de uma luta violenta. A princípio os secretários e guarda–costas julgaram que havia acontecido algum acidente, mas, ao ingressarem no escritório, encontraram Trótski com o rosto banhado em sangue. Um dos guarda–costas correu para socorrê–lo, enquanto o outro atracava–se com o assassino, que empunhava um revólver. “Provavelmente o assassino atacou–o por trás, utilizando uma picareta cuja ponta penetrou–lhe o cérebro. Mas em vez de cair inconsciente, como o assassino planejara, Trótski agarrou–se a ele”.

Enquanto jazia, sangrando, no chão, Trótski disse a Hansen: — “Jackson baleou–me com um revólver. Acho que, dessa vez, é o fim”. Hansen tentou animá–lo, dizendo que o ferimento era superficial e que não podia ter sido causado por um tiro, já que ninguém tinha ouvido o estampido. “Não, sinto aqui que desta vez eles conseguiram”, disse Trótski, apontando para o coração. Trótski resistiu mais de 24 horas e morreu às 7h25 da noite de 21 de agosto de 1940[22]. As suas idéias políticas, expostas numa obra escrita de grande extensão, deram origem ao trotskismo, corrente ainda hoje importante no marxismo.

4 – O Trotskismo.

O trotskismo é uma doutrina marxista baseada nos escritos do político e revolucionário ucraniano Leon Trótski. É formulada como teoria política e ideológica, apresentada como vertente do comunismo por oposição ao stalinismo. Em 1946, Hermínio Sacchetta, dirigente trotskista brasileiro nas décadas de 1940 e 1950, define assim o trotskismo: — “[…] trotskismo (é) o conjunto de idéias de Karl Marx, Engels e Lenin defendidas sem quartel por Leon Trótski. […] quero, pois, de início, acentuar que o trotskismo não constitui uma doutrina política. Nem mesmo a teoria da Revolução Permanente, que ganhou seus contornos definitivos graças à enorme contribuição que lhe proporcionou o criador do Exército Vermelho, pode lhe ser atribuída como uma concepção inteiramente original. Entretanto, foi em torno dessa teoria que se travaram quase todos os choques ideológicos no plano do movimento comunista, sobretudo de 1923 a esta parte[23]”.

O trotskismo procura defender o marxismo em sua versão “ortodoxa”, contra a burocratização do Estado Operário e política nacionalista da Internacional, a partir da ascensão de Josef Stalin ao poder em 1924 na URSS. Trótski desenvolve a idéia de Revolução Permanente e da “Lei do Desenvolvimento Desigual e Combinado”. Revolução permanente é um termo na teoria marxista, que foi utilizado pela primeira vez por Karl Marx e Friedrich Engels entre 1845 e 1850, mas, desde então, tornou–se mais intimamente associado com Leon Trótski. O uso do termo pelos diferentes teóricos não é idêntico. Marx utiliza para descrever a estratégia de uma classe revolucionária para continuar a exercer a sua classe de interesses de forma independente e sem compromisso, apesar das aberturas para alianças políticas, e apesar do domínio político das camadas opostas da sociedade[24].

Trótski apresentou sua concepção de “revolução permanente”, como uma explicação de como revoluções socialistas poderiam ocorrer em sociedades que não tinham conseguido o capitalismo avançado. Parte da sua teoria é a impossibilidade do “socialismo em um só país”[25] – uma opinião também realizada por Marx, mas não integrada na sua concepção da revolução permanente. A teoria de Trótski também alega, em primeiro lugar, que a burguesia no final do desenvolvimento dos países capitalistas é incapaz de desenvolver as forças produtivas, de tal forma que para alcançar o tipo de capitalismo avançado, que irá desenvolver plenamente um proletariado industrial. Em segundo lugar, que o proletariado pode e deve, portanto, aproveitar o poder social, econômico e político, levando a uma aliança com o campesinato[26].

Uma das principais divergências em relação ao pensamento de Stalin se concentra na oposição à defesa do “socialismo em um só país”. A Teoria da Revolução Permanente desenvolve as teses já estabelecidas pelo Manifesto Comunista e, entre outros pontos, defende a necessária expansão da revolução internacional, como prioridade, ao invés do seu fortalecimento interno na União Soviética. No final de sua vida Leon Trótski funda a IV Internacional (1938). Frente ao seu assassinato no México pelo agente da NKVD[27] Ramón Mercader, sob as ordens diretas de Stalin, e a execução e assassinato de milhares de oposicionistas na URSS (Deutscher, “O Profeta Banido”) e fora dela, como o do dirigente do POUM, Andreu Nin, o trotskismo se esfacela em distintas correntes que hoje se autodenominam trotskistas e se organizam em diferentes agrupamentos da Quarta Internacional. Para o stalinismo o trotskismo é uma tentativa revisionista e heterodoxa de desvirtuar o marxismo–leninismo, o que corrompe os valores revolucionários representados pelo regime socialista, sob direção de Stalin na União Soviética.

5 – Socialismo em um só país.

O “socialismo em um só país” foi uma tese desenvolvida por Nikolai Bukharin em 1925 e adotada como política estatal por Josef Stalin. A tese sustentou que dado a derrota de todas as revoluções comunistas na Europa, exceto na Rússia, a própria União Soviética deveria começar a reforçar–se internamente[28]. A linha foi adotada pelo XIV Congresso do Partido Comunista da União Soviética, em dezembro de 1925 e, argumentavam que era necessário primeiro consolidar o socialismo na URSS para que, em longo prazo, esta tivesse força suficiente para sustentar a revolução mundial. Segundo esta visão, caso os soviéticos se engajassem num conflito de proporções globais antes de conseguir proteger–se e defender–se dos inimigos capitalistas, o socialismo fracassaria. De acordo com essa tese, isto seria precisamente a maior contribuição da classe operária soviética à revolução mundial. Este argumento encontrou a oposição de Leon Trótski com a sua teoria da “revolução permanente”, que promulgava a revolução mundial como a única garantia da vitória do socialismo na Rússia, uma vez que, sendo um país atrasado, não seria capaz de cumprir as missões da revolução socialista, e a industrialização, não poderia resolver para fazer um contrapeso às potências ocidentais. Esta linha foi desenvolvida no contexto de um refluxo da luta das massas, principalmente na Europa Ocidental, onde a esquerda comunista acreditava numa iminente guerra contra o primeiro Estado socialista. Embora promovido, na altura, como uma ideologia da necessidade, não a opinião do núcleo, a teoria veio definir o curso da construção política dentro da União Soviética durante toda sua história.

6 – Revoluções comunistas de 1917 a 1923.

[1] – Rússia.

No Império Russo dilacerado por guerras ocorreria a Revolução de Fevereiro que derrubou a monarquia, enquanto os bolcheviques tomaram o poder na Revolução de Outubro. O ascendente Partido bolchevique logo retirou–se da guerra com a Império Alemão na Frente Oriental e, em seguida, lutou contra seus rivais políticos na Guerra Civil Russa, incluindo forças invasoras da Entente: — “o Japão, a Checoslováquia, a Grécia, o Império Britânico, os Estados Unidos, a França, a Polônia, a Sérvia, a Romênia, a Itália e a China”. Em resposta a Lenin, ao Partido Bolchevique e a emergente União Soviética, anticomunistas a partir de uma variedade ampla de facções ideológicas lutaram contra eles, em particular os contrarrevolucionários do Movimento Branco e os camponeses do Exército Verde, os diversos movimentos nacionalistas na Ucrânia e em outros possíveis novos estados como os localizados na Transcaucásia e Ásia Central soviética, através da inspiração anarquista e de levantes contra os bolcheviques, na Terceira Revolução Russa e na “Revolta de Tambov[29]”.

Em 1921, diante de um boicote comercial organizado pelos países capitalistas, o cansaço e a fome, até mesmo elementos dissidentes do Exército Vermelho estavam em revolta contra o Estado comunista, como na “Revolta de Kronstadt”[30].

No entanto a tentativa de restauração das antigas relações de propriedade feudal e os massacres que se seguiram à vitória do Movimento Branco, em conjunto com a solidariedade com a república dos operários pelos trabalhadores no estrangeiro (como os estivadores ingleses) estiveram entre os fatores que facilitaram a reconquista pelo Exército Vermelho uma vez isolado e perto de esgotamento, e levariam à eventual derrota dos brancos e da intervenção “imperialista”.

Os anos de luta, posteriormente transbordariam das fronteiras do Império Russo em colapso, com o regime bolchevique praticamente dirigindo a formação, por exemplo, da República Popular da Mongólia. Neste processo de revolução e contrarrevolução da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) nasceu em 1922.

“Com a queda do comunismo, desapareceu a necessidade de demonstrar o caráter “historicamente inelutável” da Grande Revolução Socialista de Outubro. Enfim, 1917 podia tornar–se um objeto histórico “normal”. Infelizmente, nem os historiadores nem, sobretudo, nossa sociedade está pronta para romper com o mito fundador do ano zero, o ano em que tudo teria começado: — a felicidade ou a infelicidade do povo russo[31]”.

[2] – Europa Central.

As vitórias leninistas também inspiraram uma onda de movimentos comunistas: — “a maior seria a Revolução Alemã e seus descendentes, como a República Soviética da Baviera, bem como a vizinha Revolução Húngara e o Biênio Vermelho na Itália, além de diversos levantes menores, protestos e greves, que malograram”.

[3] – Estados Unidos e outros lugares.

Também provocaria uma grave crise, incluindo a Grande Depressão nos Estados Unidos e o colapso da democracia, na maioria dos países da Europa Central, Europa Oriental e Sul da Europa ao longo da década seguinte.

Os bolcheviques tentaram coordenar esta nova onda de revolução na União Soviética o que levou à “Internacional Comunista”, enquanto os novos partidos comunistas separados das suas antigas organizações socialistas e a mais velha e mais moderado “Segunda Internacional”.

Apesar das ambições para uma revolução mundial, o longínquo movimento do “Komintern[32]” teria mais reveses que sucessos durante a próxima geração, até a vitória soviética no final da Segunda Guerra Mundial traria uma multiplicação rápida dos Estados comunistas.

[4] – China.

No Império da China, a não–comunista Revolução de 1911 havia derrubado a monarquia, mas não conseguiu garantir a nova República da China. Com aprovação soviética, o Kuomintang foi aliado do Partido Comunista Chinês para lutar na maior parte da guerra para a reunificação chinesa de 1928 (Primeira Frente Unida), até a vitória que permitiu que os nacionalistas chineses desligassem de seus antigos parceiros, precipitando a Guerra Civil Chinesa.

7 – Das divergências entre Stalin e Trótski.

Em 1923 aprofunda–se a cisão entre Stalin e Trótski, provocada pela crescente burocratização de Stalin, como exemplo, a “Degenerescência burocrática”, e por sérias divergências políticas relacionadas a questão da autodeterminação da Geórgia. A abertura econômica provocada pela NEP[33] não foi acompanhada por uma abertura política, a centralização do Estado acabou por substituir o poder da classe operária pelo poder do Partido Comunista, reforçado ainda mais a partir da ascensão de Josef Stalin ao posto de Secretário–Geral em 1922.

Após sofrer dois acidentes vasculares cerebrais, Lenin acreditava que estava na hora de decidir sobre um novo líder para o país — certamente, não era Trótski, mesmo descrevendo Stalin como um mau elemento[34], não Trótski, ele preparou o caminho para Stalin sucedê–lo. Porém, o chefe dos bolcheviques não tinha mais força para fazer prevalecer a sua vontade. A incapacidade física de Lenin deu a Stalin a oportunidade necessária para se tornar o líder da Revolução, que passa a controlar a máquina do Partido e os membros da burocracia.

Lenin morre em 21 de janeiro de 1924, sendo sucedido por um triunvirato, a “Troika”, com plenos poderes sobre o Estado e a Organização Partidária. Dos triúnviros (Kamenev, Zinoviev e Stalin) foi Stalin quem de fato passou a usufruir maior poder e autoridade: — “responsável pela administração do Partido e pela admissão ou exclusão de seus militantes; no mesmo ano começa no Comitê Central do Partido Bolchevique o processo de calúnia e difamação — “poderosas armas usadas sempre por comunistas (socialistas)” — de Trótski promovido por Stalin”.

A disputa entre Trótski e Stalin não ocorre somente como uma briga pessoal pelo poder, sobre o Partido e sobre o Estado, mas também devido aos fundamentos políticos divergentes de ambos, envolvendo o ideal de “Revolução Permanente” de Trótski, e a defesa da política do “socialismo em um só país” de Stalin. Eles divergiam em várias questões, porém, uma questão era básica: — “como construir o socialismo”. Para Stalin e os stalinistas, a revolução socialista deveria ser consolidada internamente na URSS, pois o país estava internacionalmente isolado pelo fracasso de tentativas revolucionárias em outros países (Revoluções Comunistas de 1917 – 1923) e pela hostilidade do mundo capitalista. Segundo Stalin, caso fosse assegurado à independência russa pelo desenvolvimento da indústria pesada, o país poderia, sozinho, construir uma sociedade socialista. Essa é a tese da construção do “socialismo em um só país”.

Para Trótski e os trotskistas, a revolução socialista deveria ser levada aonde o capitalismo estava em crise. Acreditavam ser inviável a construção do regime socialista na URSS caso não ocorressem vitórias socialistas em outros países, pois, caso contrário, os países capitalistas acabariam com a URSS. Essa é a tese da chamada “revolução permanente”, segundo a qual o socialismo deveria ser construído em escala internacional.

Outro ponto de divergência entre os líderes bolchevistas estava no modo como viam a URSS. Trótski a considerava uma conquista revolucionária, um Estado sob o controle dos operários; mas, era um Estado com muitas dificuldades, que permanecia longe do socialismo até que a revolução na Europa permitisse o livre desenvolvimento das forças produtivas em escala continental. Stalin, ao contrário, admitia a possibilidade da construção do socialismo em um só país e ia mais longe: — a sociedade soviética da década de 1920 estava à beira do socialismo; a “mãe Rússia” seria a pátria do “socialismo real”.

Na luta entre Trótski e Stalin, o primeiro tirou a importância do papel dos trabalhadores nos países capitalistas avançados (por exemplo, expôs uma série de teses, previamente apontadas por Lenin, que consideravam que a classe trabalhadora dos Estados Unidos era uma aristocracia operária aburguesada), pois considerava que o estado de bem–estar social dos países capitalistas e suas políticas imperialistas dificultam o surgimento de tensões revolucionárias. Mesmo assim, Stalin tinha diferenças com Trótski em relação ao papel dos camponeses: — enquanto o Secretário–Geral defendia uma aliança de proletários e camponeses, no espírito bolchevique, Trótski considerava que o tipo de aliança professado por Stalin era contra–revolucionário por dar papel preponderante à política dos camponeses (considerados pelo marxismo como um conjunto heterogêneo de setores sociais entre os quais há burgueses, pequeno–burgueses e proletários rurais) frente aos operários.

As principais idéias de Stalin dentro da prática política nas quais se afasta do pensamento de Lenin incluíam a defesa do socialismo em um só país, a noção de que a luta de classes se agravaria ao longo do desenvolvimento do socialismo, com o que seria necessário aumentar o controle por parte do Partido e do Comitê Central, e de modo geral uma moral social mais conservadora, principalmente no que se refere às questões de gênero.

Trótski apoiava em defender o marxismo, combatendo a burocracia no Estado Operário que se fortaleceu com a ascensão de Stalin ao poder em 1924 na União Soviética. Ao contrário de Stalin, Trótski tinha uma ideologia sobre a “Teoria da Revolução Permanente”, defenderia a expansão da revolução para além das fronteiras da União Soviética como prioridade, ao invés do seu fortalecimento interno.

Ao contrário de Stalin, Trótski não era um veterano do Partido Bolchevique, no qual ingressou apenas em julho de 1917, por isso era considerado arrogante entre os companheiros de armas que, além disso, viam seu “brilhantismo” intelectual com desconfiança. “Entretanto tinha a seu favor o fato de ser um líder de massas e de ter estado no centro da insurreição de outubro de 1917”. Mas Stalin, na qualidade de Secretário–Geral do Partido comunista, detinha o controle da máquina partidária, que agora se confundia com a própria máquina do governo. É que, em 1921 todos os outros partidos foram postos na ilegalidade. Começa assim, o regime de Partido único, característico dos governos totalitários (ver: repressão política na União Soviética).

No XII Congresso do Partido Comunista, em 1924, Trótski foi derrotado por uma aliança entre Stalin e dois importantes dirigentes bolcheviques: — Lev Kamenev e Grigory Zinoviev, principal dirigente da Internacional Comunista. O XIV Congresso do Partido Comunista, em 1925, aprovou o “socialismo em um só país” de Stalin e também os ataques dirigidos a Kamenev e Zinoviev: — Stalin tornou–se o principal líder soviético. Em contrapartida, Trótski se empenhou numa luta sem trégua contra o regime stalinista que, na sua concepção, estaria colocando em perigo a revolução. Ele denunciou, por exemplo, a transformação da Terceira Internacional num simples instrumento da política soviética, após a morte de Lenin, e os ziguezagues desgastantes que Stalin passou a impor à ação política dos comunistas, na Europa e na China.

Apoiado na máquina do Partido e do Estado, Stalin acabou vencendo a disputa com Trótski, que foi afastado do governo e do Partido Comunista e expulso da União Soviética. Depois de perambular por vários países, fixou–se no México, onde foi assassinado por Ramón Mercader com golpes de picareta na cabeça em 1940, a mando de Stalin.

No decorrer da década de 1930, Trótski afirmou que a burocracia soviética havia “expropriado politicamente o proletariado”. Essa expropriação assumiu a forma de um massacre no Grande Expurgo de 1936, nos quais foram executados Zinoviev, Kamenev e muitos bolchevistas. Nos últimos anos de vida de Trótski, multiplicaram–se nos seus escritos referências ao totalitarismo na URSS, implantado por Stalin: — “Ninguém, e não faço exceção de Hitler, aplicou ao socialismo um golpe tão mortal. Hitler ataca as organizações operárias do exterior. Stalin as ataca no interior. Hitler destrói o marxismo; Stalin o prostitui. Não há princípio que permaneça intacto; não há uma idéia que não tenha sido enlameada. Até mesmo os termos socialismo e comunismo foram gravemente comprometidos, agora que a gendarmaria incontrolável, com diplomas de “comunista”, chama de socialismo ao regime que se impõe. Repugnante profanação!”.

Senhor absoluto do poder, Stalin passou a perseguir todos os que se opunham a ele. Entre 1936 e 1938, realizou diversos expurgos contra seus adversários, nos quais foram presos, julgados e executados eminentes líderes da Revolução.

8 – Stalin e o Holodomor.

Stalin é ideologicamente ligado à interpretação leninista do marxismo, Stalin ajudou a formalizar essas idéias como marxismo–leninismo, enquanto suas próprias políticas ficaram conhecidas como stalinismo[35]. O nível de psicopatia de Stalin pode ser aquilatado pelo “Holocausto Ucraniano” ou “Holodomor”, é o nome atribuído à fome de caráter genocidário causado por Josef Stalin, no comando da União Soviética, que devastou principalmente o território da República Socialista Soviética da Ucrânia (integrada na URSS), durante os anos de 1932 a 1933. Em julho e agosto de 1932, Stalin concebeu uma nova análise da situação na Ucrânia e das suas causas, expressa a 11 de agosto, numa carta endereçada a Kaganovitch: — “[A Ucrânia] é hoje em dia a principal questão, estando o Partido, o Estado e mesmo os órgãos da polícia política da república, infestados de agentes nacionalistas e de espiões polacos, correndo–se o risco de se perder a Ucrânia, uma Ucrânia que, pelo contrário, é preciso transformar numa fortaleza bolchevique sem olhar a custos[36]”. Resultado: — um terço da população morreu de fome. Este acontecimento, também conhecido por Grande Fome da Ucrânia, representou um dos mais trágicos capítulos da história da Ucrânia, devido ao enorme número de pessoas vítimas do bloqueio de alimentos feito por Stalin à Ucrânia, estima–se que 10 milhões entre homens, mulheres e crianças morreram de fome — e razão foi unicamente o controle desse país — este foi o “Genocídio Ucraniano”. A confirmação de que a fome servia para impor a total obediência dos camponeses aos ditames do regime soviético e do seu chefe supremo, Stalin, está presente na carta enviada para Moscovo pelo Secretário–Geral do Partido Comunista da Ucrânia, Stanislav Kossior, em 15 de março de 1933: — “a insatisfatória evolução das sementeiras em numerosas regiões, prova que a fome ainda não levou à razão muitos kolkhozianos[37]”.

Com o seu cortejo de violências, de torturas e de chacinas pela fome, o “Holodomor” constituiu uma enorme regressão civilizacional. Assistiu–se à proliferação de déspotas locais, dispostos a tudo, para extorquir aos camponeses as suas escassas reservas alimentares e à banalização da barbárie, que se traduziu em rusgas (confusões), abusos de autoridade, banditismo, abandono infantil, “barracas da morte”, canibalismo e agravamento das tensões entre a população rural e a população urbana.

Apesar da herança do “Holodomor” apresentar similitudes com as de outras regiões da União Soviética – a “arma da fome” esmagou a resistência camponesa, garantindo a vitória de Stalin e do seu regime totalitário diabólico; abriu o caminho para a vaga de terror de 1937 a 1938 (o “Grande Terror”); transformou o estado federal soviético num império despótico, através da submissão da segunda república mais importante; deixou um legado de dor em numerosas famílias que nunca tiveram direito a expressar o luto, porque a fome se converteu em segredo de Estado; na Ucrânia, as suas marcas físicas e psicológicas foram bastante mais profundas e traumatizantes.

9 – Stalin e a religião.

Vladimir Ilitch Ulianov (Lenin) teve a coragem de declarar abertamente que “a fome tinha várias consequências positivas, entre elas, a aparição de um proletariado industrial, esse coveiro da ordem burguesa[38]”. […] A fome, ao destruir a economia camponesa atrasada, explicava ele, nos aproxima de nosso objetivo final, o socialismo, etapa imediatamente posterior ao capitalismo. Além disso, “a fome não somente destruiu a fé no Czar, como também a fé em Deus”.

Trinta anos mais tarde, esse jovem advogado do Diabo, agora chefe do governo bolchevique, retomava as suas idéias: — a fome podia e devia servir para “dar um golpe mortal na cabeça do inimigo”. Esse inimigo era a Igreja Ortodoxa.

“A eletricidade substituirá a Deus. Deixem o camponês rezar pela eletricidade e ele sentirá que o poder das autoridades é bem maior que o dos céus”, dizia Lenin em 1918, durante uma discussão com Leonid Krassin a respeito da eletrificação na Rússia.

Desde a chegada dos bolcheviques ao poder, as relações entre o novo regime e a Igreja Ortodoxa vinham se deteriorando. Em 5 de fevereiro de 1918, o governo bolchevique decretou a separação da Igreja e do Estado, da escola e da Igreja, proclamou a liberdade de consciência e dos cultos e anunciou a estatização dos bens da Igreja. Contra esse ataque ao papel tradicional da Igreja Ortodoxa, religião de estado durante o czarismo[39], o patriarca Tikhon protestou com rigor através de quatro cartas pastorais aos fiéis. Os bolcheviques multiplicavam as provocações, “vistoriando” – isto é, profanando – as relíquias dos santos, organizando “carnavais antirreligiosos” durante as grandes comemorações religiosas, exigindo que o grande monastério da Trindade São Sérgio, nos arredores de Moscou, onde estão conservadas as relíquias de São Sérgio de Radonégia, fosse transformado num museu para o ateísmo.

Foi nesse clima já bastante tenso, enquanto vários padres e bispos tinham sido presos por se oporem a essas provocações, que os dirigentes bolcheviques, com a iniciativa de Lenin, usaram o pretexto da fome para lançar uma grande operação política contra a Igreja. Em 26 de fevereiro de 1922, a imprensa publicou um decreto governamental ordenando “o confisco imediato nas Igrejas de todos os objetos preciosos em ouro e prata, de todas as pedras preciosas que não sirvam diretamente ao culto.

Esses objetos deverão ser entregues aos órgãos do Comissariado do Povo para as Finanças, que os transferirá para os fundos da Comissão Central de Ajuda aos Famintos”. As operações de confisco foram iniciadas nos primeiros dias de março, sendo acompanhadas por vários incidentes entre os destacamentos encarregados de tomar os tesouros das Igrejas e os fiéis. Os mais graves ocorreram em 15 de março de 1922, em Chuia, uma pequena cidade industrial da província de Ivanovo, onde a tropa atirou sobre a multidão de fiéis, matando uma dezena de pessoas. Lenin usou essa matança como pretexto para reforçar a campanha antirreligiosa. Em uma carta endereçada aos membros do Politburo, em 19 de março de 1922, ele explicitou, com o cinismo que o caracterizava, como a fome poderia ser utilizada em proveito próprio para “dar um golpe mortal na cabeça do inimigo”.

A relação de Stalin com a religião é complexa; por um lado ele adotou a mesma posição que Lenin e Marx, segundo a qual a religião é um ópio que precisa ser removido a fim de que a sociedade comunista ideal possa ser construída. Neste sentido, Stalin promoveu o ateísmo nas escolas, a propaganda antirreligiosa massiva e editou leis contrárias a religião. “Destruiremos sua base moral, a família e a espiritualidade […]. O Estado será deus” (Vladimir Lenin).

Entre as outras categorias sociais excluídas da “nova sociedade socialista” figuravam principalmente os membros do clero. Os anos 1929 e 1930 viram se desenvolver, após a de 1918 a 1922, a segunda grande ofensiva do Estado Soviético contra a Igreja. No fim dos anos 20, apesar da contestação, por um certo número de prelados[40], da declaração de fidelidade feita pelo metropolita Serge, sucessor do Patriarca Tikhon, ao poder soviético, a importância da Igreja Ortodoxa na sociedade permanecia forte. Das 54.692 Igrejas ativas em 1914, cerca de 39.000 ainda estavam abertas ao culto no início de 1929.

Emelian laroslavski, Presidente da Liga dos Sem–Deus fundada em 1925, reconhecia que menos de dez milhões de pessoas, dos 130 milhões com que contava o país, “haviam rompido” com a religião. A ofensiva antirreligiosa de 1929 a 1930 desenvolveu–se em duas etapas. A primeira, na primavera e no verão de 1929, foi marcada pelo recrudescimento e a reativação da legislação antirreligiosa dos anos de 1918 a 1922. Em 8 de abril de 1929 foi promulgado um importante decreto que acentuava o controle das autoridades locais sobre a vida das paróquias e acrescentava novas restrições à atividade das organizações religiosas.

A partir de então, toda atividade “que ultrapassasse os limites da própria satisfação das aspirações religiosas” caía sob o jugo da lei e principalmente sob a alínea 10 do temível artigo 58 do Código Penal que estipulava que “toda utilização dos preconceitos religiosos das massas […] que vise enfraquecer o Estado” era passível de “uma pena que ia de um mínimo de três anos de detenção até a pena de morte”. Em 26 de agosto de 1929, o Governo instituiu a semana de trabalho contínuo de cinco dias – cinco dias de trabalho, um de repouso – que eliminava o domingo como dia de repouso comum ao conjunto da população. Essa medida deveria “facilitar a luta pela erradicação da religião”. “A União Soviética foi o primeiro estado a objetivar a eliminação completa da religião e sua substituição pelo ateísmo universal”. O regime comunista soviético confiscou propriedades religiosas, promoveu amplamente o ateísmo nas escolas, perseguiu crentes e investiu na ridicularização das religiões.

No final da década de 1930 era perigoso envolver–se publicamente com qualquer religião na União Soviética, pois havia uma “campanha de perseguição” movida contra estas. A perseguição contínua aos religiosos durante a década de 30 resultou na quase extinção da Igreja Ortodoxa Russa, vários templos foram demolidos e cerca de 10.000 padres, monges e freiras foram perseguidos e executados. Estima–se ainda que mais de 100.000 religiosos foram mortos durante as purgas (ação persecutória violenta) de 1937 a 1938. Como o fundador do Estado soviético, Lenin declarou: — “A religião é o ópio do povo; este provérbio de Marx é a pedra angular de toda a ideologia do marxismo a respeito da religião. Todas as religiões e todo o tipo de organização religiosa sempre foram consideradas pelo marxismo como órgãos de reação burguesa, usados para a proteção da exploração e estupefação da classe trabalhadora[41]”. “Sobre os princípios sociais do cristianismo reside a insídia (falsidade) e a hipocrisia, o proletariado é revolucionário[42]”. “A liberdade de consciência burguesa não é nada mais, como a tolerância a todos os tipos possíveis de liberdade religiosa de consciência, o Partido Trabalhista, pelo contrário, procura libertar a consciência da intoxicação religiosa […][43]”. “Todo deus é um cadáver […][44]”. Por esta razão o comunismo sempre renegou a natureza humana, usando teorias supostamente científicas para embasar a busca do novo. O extermínio humano se justificava na busca de uma sociedade apenas de homens evoluídos e antiteístas, esta é a famosa “utopia comunista”.

Um adendo: — “Deixe–me esclarecer o que estou implicando, não estou sugerindo que este é o modo como todos os antiteístas são, ou que esse é o tipo de coisa que todos os antiteístas endossam. Nem estou — sugerindo que este é o único trabalho do pensamento antiteísta, obviamente, houve outros na história que, embora negando a Deus, podem ter escolhido para si mesmos o caminho da filantropia[45]”.

Retomando, mas aqui está o ponto. O comunismo é antiteísta em sua concepção, a mensagem do louco Nietzsche retrata uma das bases do comunismo: — “Deus não é mais uma crença intelectual viável”. De igual modo, Lenin diz: — “Um livro educacional contra a religião é prejudicial ou desnecessário? Não, não é. Daqui não segue de todo. Daí resulta que a propaganda ateísta da social–democracia deve estar subordinada à sua tarefa básica, o desenvolvimento da luta de classes das massas exploradas contra os exploradores[46]”. Assim, não estamos mais amarrados aos limites da busca da comunhão com Ele (Deus), afirmam os comunistas. Eles continuam, com a sua doutrinação antiteísta, o Céu e o Inferno não existem, e a pessoa é livre para agir como quiser sem temer as consequências, e a pessoa em seu leito de morte pode morrer em paz, sabendo que eles não serão responsabilizados por suas muitas “faltas”. Esta base mostra como, na superfície, isso é bastante libertador, mas volta a morder a pessoa no final. Como o ateísmo não tem base para chamar qualquer coisa de “bom” ou “certo”, também carece de uma base para chamar qualquer coisa de “ruim” ou “errado”. Cada pessoa é deixada à própria sorte – mesmo que se escolha eliminar a outra da maneira mais hedionda, ela não pode ser rotulada como “ruim” ou “errado”, atualmente é isto que ocorre em nosso país — e, claro, de modo acintoso e intencional, pois, como exprime Martin Luther King Jr. — “Deixe–me declarar claramente a premissa básica desse sermão: — “o comunismo e o cristianismo são fundamentalmente incompatíveis. Um verdadeiro cristão não pode ser um verdadeiro comunista, pois as duas filosofias são antitéticas e toda a dialética dos lógicos não pode reconciliá–las[47]”.

Temos a obrigação como cristãos e seres humanos, de combater esta hegemonia cultural instalada em nosso país, alimentada diariamente pelos partidos de esquerda, todos sem exceção, grande mídia, grupos sociais, universidades, diretórios, artistas, movimentos estudantis, intelectuais, etc.

10 – A família de Stalin.

A primeira esposa de Josef Vissariónovitch Stalin, Ekaterina Svanidze (“Kato”), morreu em 1907, apenas quatro anos após seu casamento. Eles tiveram um filho, Yakov Dzhugashvili (1907 – 1943), que atirou em si mesmo por causa do tratamento duro de Stalin sobre ele, mas sobreviveu. Depois disso, Stalin disse: — “Não consegue sequer atirar direito[48]”. Yakov serviu no Exército Vermelho durante a Segunda Guerra Mundial e foi capturado pelos alemães. Eles ofereceram trocá–lo pelo Marechal de Campo Friedrich Paulus, que havia se rendido depois da Batalha de Stalingrado, mas Stalin recusou a oferta[49]. Depois, alega–se que Yakov morreu, em uma cerca elétrica no campo de concentração de Sachsenhausen, pelos guardas que vigiavam o campo, quando tentava escapar. Alguns dizem que cometeu suicídio, mas isso não foi provado[50]. Yakov teve um filho, Yevgeny, que foi recentemente notável por defender o legado de seu avô em tribunais russos. Yevgeny é casado com uma mulher georgiana, tem dois filhos, e netos[51].

Sua segunda esposa foi Nadejda Sergeyevna Alliluyeva (1901) que morreu em 1932, oficialmente de doença. Ela pode ter cometido suicídio, atirando–se depois de uma briga com Stalin, deixando uma nota de suicídio que, segundo a sua filha era “em parte pessoal, em parte política[52]”. De acordo com Biografia A&E[53], há também uma crença entre alguns russos que Stalin assassinou sua esposa após a briga, o que aparentemente aconteceu em um jantar em que Stalin sarcasticamente acendeu cigarros pela mesa para ela. Os historiadores também afirmam que a morte da esposa, finalmente, “cortou sua ligação da realidade”. Com ela, Stalin teve um filho, Vasily Dzhugashvili, e uma filha, Svetlana Alliluyeva. Filha mais nova do revolucionário Sergei Alliluyev e da sua mulher Olga, Nadejda Sergeyevna Alliluyeva possuía ascendência alemã e georgiana. Ela conheceu Stalin ainda menina, quando o seu pai o acolheu e lhe ofereceu abrigo após sua fuga da prisão, em 1911[54]. Após a Revolução, Nadejda trabalhou com Vladimir Ilyich Ulianov (Lenin), de quem se tornou confidente. Stalin conheceu Lenin numa conferência em Tampere, em 1905. Lenin tornou–se o “mentor indispensável de Stalin”.

Vasily Dzhugashvili (filho) seguiu carreira militar na Força Aérea Soviética, morrendo em consequência do abuso de álcool em 1962, no entanto, isto ainda está em discussão. Distinguiu–se na Segunda Guerra Mundial como um hábil aviador.

 Segundo Svetlana Alliluyeva (filha), a morte da mãe “afastou da alma de Stalin os últimos vestígios de calor humano[55]”. Deixou a URSS em 1967 para visitar a Índia, onde solicitou asilo político na embaixada americana em Nova Deli[56]. A KGB elaborou um plano para assassiná–la que não foi levado adiante[57]. Adotou o nome Lana Peters[58] e morreu em 2011 nos Estados Unidos[59]. A mãe de Stalin, cujo funeral ele não compareceu, morreu em 1937. Alega–se que Stalin guardava rancor de sua mãe por obrigá–lo a entrar no seminário.

11 – A morte de Stalin.

Na noite do dia 28 de fevereiro de 1953, Stalin viu um filme no Kremlin, juntamente com Khrushchov[60] (político soviético), Bulganin, Malenkov[61] (político soviético) e Beria[62] (político soviético). Depois disso, todos o acompanharam até a Dacha[63] de Stalin em Kutsevo, nos arredores de Moscou, onde jantaram juntos. Stalin costumava acordar tarde e havia uma ordem de nunca acordá–lo, portanto, seus seguranças hesitaram em entrar em seu quarto, o que somente ocorreu à 18h e 30min do dia 1º de março, quando o encontraram desacordado no chão[64].

Em 1 de março de 1953, a equipe pessoal de Stalin encontrou–o semiconsciente no chão do quarto de sua Dacha de Volynskoe. Ele havia sofrido uma hemorragia cerebral. Ele foi movido para um sofá e permaneceu lá por três dias. Ele foi alimentado à mão com uma colher, recebeu vários remédios e injeções, e sanguessugas foram aplicadas a ele.

Svetlana e Vasily (filhos de Stalin) foram chamados à Dacha em 2 de março; o último estava bêbado e gritou com raiva para os médicos, resultando em ele ser mandado para casa. Stalin morreu em 5 de março de 1953[65]. Segundo Svetlana, foi “uma morte difícil e terrível[66]”.

Uma autópsia revelou que ele havia morrido de uma hemorragia cerebral e que ele também sofria de graves danos a suas artérias cerebrais devido à aterosclerose. É possível que Stalin tenha sido assassinado. Beria foi suspeito de assassinato, embora nenhuma evidência firme tenha aparecido.

A morte de Stalin foi anunciada em 6 de março. O corpo foi embalsamado e depois exposto na Casa dos Sindicatos de Moscou por três dias. Multidões eram tais que um pisoteamento matou cerca de 100 pessoas. O funeral envolveu o enterro do corpo no Mausoléu de Lenin, na Praça Vermelha, em 9 de março; centenas de milhares compareceram.

Naquele mês, houve uma onda de detenções por “agitação anti–soviética”, quando os que celebravam a morte de Stalin chamaram a atenção da polícia. O governo chinês instituiu um período oficial de luto pela morte de Stalin.

12 – O Brasil e o Comunismo.

Será que vivemos hoje apenas uma grande farsa, a cada quatro anos temos que escolher entre dois lados da mesma moeda, estaria todo sistema político infectado com o mesmo vírus? A história da nova democracia brasileira, se confunde com crescimento dessas ideologias de esquerda, pois os mesmos protagonistas que pautavam por esses ideais, foram os que fundaram a nossa Constituição de 88, e são hoje os que estão à frente dos grandes partidos políticos no Brasil, de todos os poderes; poder é fazer com que você seja obedecido, exercer sua autoridade por meio de influência ou da força, existem três formas de exercer o poder em uma sociedade: — “o poder político militar, o poder econômico e o poder intelectual[67]”. Eles escolheram o poder intelectual como domínio das massas. Após a morte de Stalin, principalmente nos partidos comunistas em países democráticos, apostaram que a revolução se daria pela tomada dos espaços nos meios de propagação da mensagem, ou seja, pela conquista do poder intelectual conforme Antonio Gramsci define: — “[…] todos devem ser socialistas sem que se deem conta”, para se conquistar o poder deve–se primeiramente conquistar as mentes e os corações das pessoas. Stalin diz, “as idéias são muito mais poderosas do que as armas. Nós não permitimos que nossos inimigos tenham armas, porque deveríamos permitir que tenham idéias?”, quando percebemos o quanto eles usam do intelecto para a disseminação de sua cultura, tomamos mais a posição de intelectuais, combatendo intelectuais; o estatuto do desarmamento, nos diz muito mais, que simplesmente a retirada de nossa proteção, ele clama: — “Vocês não podem se proteger e nem pensar, vocês nos pertencem”, destarte, eles usam todos os meios de comunicação, dizem, “a imprensa é a arma mais poderosa no nosso Partido”, fizeram isto em 1994 com o Dr. Enéas Ferreira Carneiro (1938 – 2007), com a informação manipulada, eles sempre governaram as massas, “líderes vão e vem, mas o povo permanece. Apenas o povo é imortal” (Stalin); a exemplo, na política brasileira, a urna eletrônica sofreu graves denúncias de fraude por especialistas, e ainda assim, o projeto de lei do “voto impresso” (PLC 75/2015 – Lei 13.165/2015) foi “derrubado”, todavia, isto faz parte de todo o processo comunista, “quem vota e como vota não conta nada; quem conta os votos é que realmente importa[68]” (Stalin) — Num livro chamado “Memórias de um Secretário de Stalin” de Boris Bazhanov, que foi secretário pessoal do líder soviético Josef Stalin de agosto de 1923 a 1925, e ocupou várias proeminentes posições de secretariado no Politburo até desertar da União Soviética em 1928, achamos uma citação anedótica muito semelhante. Boris Bazhanov, posteriormente, recebeu cidadania francesa e sobreviveu às subsequentes tentativas de assassinato, escrevendo e publicando memórias sobre Stalin, e os segredos por trás do seu regime, ao longo da década de 1930.

Em 1980, Bazhanov publicou o livro “Memórias de um Secretário de Stalin”, onde ele caracterizou a personalidade do ditador, assim como seus métodos de alcançar o poder, além das intrigas políticas no Kremlin.

No livro há um trecho de uma situação, que Boris alegou ter presenciado numa reunião do Politburo, em dezembro de 1923, relatou: — “Na verdade, sua opinião sobre Zinoviev e Kamenev não é interessante. Eles estão convencidos que, sobre questões de estratégia política, Stalin não tem nenhum interesse. Kamenev é muito educado e diplomático. Então, ele disse: — “E você, camarada Stalin, o que pensa sobre esta questão?”. “Ah, diz o camarada Stalin, que indaga: — Qual era a questão (de fato, muitas questões foram levantadas na ocasião), Kamenev?”. Tentando condescender ao nível de Stalin, ele disse: — “A questão de como ganhar a maioria no Partido”. Stalin respondeu: — “Vocês sabem, camaradas, o que eu acho sobre isso: — creio que, na verdade, não importa quem e como se votará no Partido; o que é extremamente importante é quem e como se fará a contagem dos votos”. Todos são guiados, diariamente sem perceber, por esta cultura comunista.

Irei tratar de modo mais diligente de aspectos políticos do Brasil em outro momento, é necessário discorrer sobre muitos pontos de importância crucial para o real entendimento, e significações mais reais dos termos.

13 – Olavo de Carvalho e o Comunismo.

Em todos os regimes comunistas do mundo, uma parcela considerável da economia sempre se conservou nas mãos de investidores privados. De início, clandestinamente, sob as vistas grossas de um governo consciente de que a economia não sobreviveria sem isso. Mais tarde, declarada e oficialmente, sob o nome de “perestroika” ou qualquer outro. Tudo indica que a participação do capital privado na economia chegou mesmo a ser maior em alguns regimes comunistas do que em várias nações tidas como “capitalistas”. Isso mostra, com a maior clareza possível, que o comunismo não é um modo de produção, não é um sistema de propriedade dos meios de produção. É um movimento político que tem um objetivo totalmente diferente e ao qual o símbolo “propriedade pública dos meios de produção” serve apenas de pretexto hipnótico para controle das massas: — é a cenoura que atrai o burro para cá e para lá, sem que ele jamais chegue ou possa chegar ao prometidíssimo e inviabilíssimo “modo de produção comunista”. No entanto, se deixaram a iniciativa privada à solta, por saber que a economia é por natureza a parte mais incontrolável da vida social, todos os governos comunistas de todos os continentes fizeram o possível e o impossível para controlar o que fosse controlável, o que não dependesse de casualidades imprevisíveis, mas do funcionamento de uns poucos canais de ação diretamente acessíveis à intervenção governamental. Esses canais eram: — os partidos e movimentos políticos, a mídia, a educação popular, a religião e as instituições de cultura. Dominando um número limitado de organizações e grupos, o governo comunista podia assim controlar diretamente a política e o comportamento de toda a sociedade civil, sem a menor necessidade de exercer um impossível controle igualmente draconiano sobre a produção, a distribuição e o comércio de bens e serviços. Essa é a definição real do comunismo: — controle efetivo e total da sociedade civil e política, sob o pretexto de um “modo de produção” cujo advento continuará e terá de continuar sendo adiado pelos séculos dos séculos. A prática real do comunismo traz consigo o total desmentido do princípio básico que lhe dá fundamento teórico: — o princípio de que a política, a cultura e a vida social em geral dependem do “modo de produção”. Se dependessem, um governo comunista não poderia sobreviver por muito tempo sem estatizar por completo a propriedade dos meios de produção. Bem ao contrário, o comunismo só tem sobrevivido, e sobrevive ainda, da sua capacidade de adiar indefinidamente o cumprimento dessa promessa absurda. Esta, portanto, não é a sua essência nem a sua definição: — é o falso pretexto de que ele se utiliza para controlar ditatorialmente a sociedade. Trair suas promessas não é, portanto, um “desvio” do programa comunista: — é a sua essência, a sua natureza permanente, a condição mesma da sua subsistência[69].

14 – Gramsci e o Gramscismo.

Antonio Gramsci foi um filósofo marxista, jornalista, crítico literário e político italiano. Escreveu sobre teoria política, sociologia, antropologia e linguística. Foi membro–fundador e Secretário–Geral do Partido Comunista da Itália, e deputado pelo distrito do Vêneto, sendo preso por 20 anos pelo regime fascista de Benito Mussolini, onde escreveu, “Os Cadernos do Cárcere” (1926 e 1937). Gramsci é reconhecido, principalmente, pela sua teoria da hegemonia cultural que descreve como o Estado usa, nas sociedades ocidentais, as instituições culturais para conservar o poder, professava que a implantação do comunismo não devia dar–se pela força, como aconteceu na Rússia, mas de forma pacífica e sorrateira, infiltrando, lenta e gradualmente, a idéia revolucionária.

A estratégia é utilizar–se de diplomas legais e de ações políticas que sejam docilmente aceitas pelo povo, entorpecendo consciências e massificando a sociedade com uma propaganda subliminar, imperceptível aos mais incautos que, a priori, representam a grande maioria da população, de modo que, entorpecidos pelo melífluo discurso gramsciano, as consciências já não possam mais perceber o engodo em que estão sendo envolvidas.

A originalidade da tese de Gramsci reside na substituição da noção de “ditadura do proletariado” por “hegemonia do proletariado” e “ocupação de espaços”, cuja classe, por sua vez, deveria ser, ao mesmo tempo, dirigente e dominante. Defendia que toda tomada de poder só pode ser feita com alianças e que o trabalho da classe revolucionária deve ser primeiramente, político e intelectual. A doutora Marli Nogueira, juíza do trabalho em Brasília, estudiosa do assunto, nos dá a seguinte explicação sobre a “hegemonia”: — “A hegemonia consiste na criação de uma mentalidade uniforme em torno de determinadas questões, fazendo com que a população acredite ser correta esta ou aquela medida, este ou aquele critério, esta ou aquela análise da situação, de modo que quando o comunismo tiver tomado o poder; já não haja qualquer resistência. Isto deve ser feito, segundo ensina Gramsci, a partir de diretrizes indicadas pelo “intelectual coletivo” (o Partido), que as dissemina pelos “intelectuais orgânicos” (ou formadores de opinião), sendo estes constituídos de intelectualóides de toda sorte, como professores, principalmente universitários (porque o jovem é um caldo de cultura excelente para isso), a mídia (jornalistas também intelectualóides) e o mercado editorial (autores de igual espécie), os quais, então, se encarregam de distribuí–las pela população”.

Quanto à “ocupação de espaços”, pode ser claramente vislumbrada pela nomeação de mais de 20 mil cargos de confiança pelo PT (Partido fundador do Foro de São Paulo) em todo o território brasileiro, cujos detentores desses cargos, militantes congênitos, têm a missão de fazer a acontecer a “hegemonia”.

Retornando a Gramsci e segundo ele, os principais objetivos de luta pela mudança são conquistar, um após outro, todos os instrumentos de difusão ideológica (escolas, universidades, editoras, meios de comunicação social, artistas, sindicatos, etc.); uma vez que, os principais confrontos ocorrem na esfera cultural e não nas fábricas, nas ruas ou nos quartéis. O proletariado precisa transformar–se em força cultural e política, dirigente dentro de um sistema de alianças, antes de atrever–se a atacar o poder do Estado–burguês. E o Partido deve adaptar sua tática a esses preceitos, sem receio de parecer que não é revolucionário. Isso o povo brasileiro não está percebendo, pois, suas mentes já foram entorpecidas pelos governos revolucionários. “Não ataquem os tanques, não ataquem as tropas, não ataquem os quartéis; ataquem às universidades, as escolas, as Igrejas […]” (Antonio Gramsci). O pensamento de Gramsci foi tão disciplinadamente aplicado no Brasil pelo PT e congêneres, cuja nomenclatura governamental segue com rigor as orientações emanadas dos intelectualóides da USP que dirigem o Foro de São Paulo e que têm como cartilha os 32 Cadernos do Cárcere, de Gramsci como manual de doutrina[70].

Flávio Gordon, Antropólogo diz que, “quem ficou com o PT na verdade foi o público, base essencial e original do PT, que foi a intelectualóides, principalmente universitários, o PT surgiu com os intelectualóides da USP,  junto com pessoal da Teologia da Libertação, com a CUT, mas muito mais do que um Partido de Trabalhadores, ele sempre foi um Partido de Intelectuais. Então, ele foi o primeiro, realmente o primeiro intelectual coletivo no sentido Gramsci, a chegar ao poder no Brasil, tendo seguido a receita Gramsciana, exatamente quase “ipsis litteris”, vários fundadores do PT, são intelectuais, inclusive os primeiros tradutores de Gramsci, que traduziram Gramsci no Brasil”.

Gramsci definiu a sociedade como “um complexo sistema de relações ideais e culturais” onde a batalha deveria ser travada no plano das idéias religiosas, filosóficas, científicas, artísticas, etc. Por essa razão, a caminhada ao socialismo proposta por Gramsci não passava pelos proletariados de Marx e Lenin e nem pelos camponeses de Mao Tsé–Tung, e sim pelos intelectuais, pela classe média, pelos estudantes, pela cultura, pela educação e pelo efeito multiplicador dos meios de comunicação social, buscando, por meio de métodos persuasivos, sugestivos ou compulsivos, mudarem a mentalidade, desvinculando–a do sistema de valores tradicionais, para implantar os valores da cultura comunista.

O Marxismo Cultural, “não é uma ideologia, é uma cultura”. O teórico político argentino, frequentemente considerado pós–marxista, Ernesto Laclau diz: — “A propaganda do Partido cria a classe social que em seguida vai representar”. Isto é próprio do pensamento dialético, “converter–se no seu contrário quantas vezes for necessário”.

A obra escrita de Antonio Gramsci é normalmente dividida cronologicamente em antes e depois da sua prisão pela ditadura fascista italiana. No período pré–cárcere, Gramsci escreveu ensaios sobre literatura e teoria política, publicados em jornais operários e socialistas. No Brasil, uma parte desses textos foi publicada no livro “Escritos Políticos”. Do período passado no cárcere, há duas obras: — as Cartas do Cárcere, contendo mensagens escritas a parentes ou amigos e que foram posteriormente reunidas para publicação, e os 32 Cadernos do Cárcere, de 2.848 páginas, que não eram destinados a publicação: — trazem reflexões e anotações redigidas entre 8 de fevereiro de 1929 e agosto de 1935, quando seus problemas de saúde se agravam. Foi Tatiana Schucht, sua cunhada, que os organizou, sem, todavia, levar em conta sua cronologia. Dos cadernos, 4 foram destinados a traduções, sobretudo do alemão e do inglês, os demais cadernos são de plena autoria de Gramsci.

15 – Felix Weil, Karl Korsch, Max Horkheimer e Jacques Derrida e a Escola de Frankfurt.

Felix Weil foi um marxista alemão–argentino, que forneceu os fundos para fundar o Instituto de Pesquisas Sociológicas em Frankfurt, Alemanha. Apelidada de “Escola de Frankfurt”. Karl Korsch foi um filósofo alemão, professor universitário, representante do chamado “marxismo ocidental” e do “comunismo de conselhos”. Korsch teve uma trajetória política que foi marcada pela influência da Sociedade Fabiana[71]. Max Horkheimer foi um filósofo e sociólogo alemão. A sua filosofia, a expressão “teoria crítica do transversal” é empregada para designar o conjunto das concepções da Escola de Frankfurt. Horkheimer delineia seus traços principais, tomando como ponto de partida o marxismo e opondo–se àquilo que ele designa pela expressão “teoria tradicional”. Jacques Derrida foi um filósofo franco–magrebino, que iniciou durante os anos 1960 a “Desconstrução” em Filosofia. O que esses homens fizeram juntamente para o avanço do comunismo? Derrida na França usa como matéria–prima para o “Desconstrucionismo”, a teoria crítica de Horkheimer, Korsch que é contemporâneo de Gramsci, estimula Félix a fundar a Escola de Frankfurt, e o sucessor de Félix na Escola é Horkheimer que assim como Gramsci acreditava na Hegemonia Cultural e na destruição da estrutura dos valores que se perpetuavam por meio da autoridade da Igreja, da família e da escola, ele disse: — “esses valores morais, dogmáticos devem ser atacados e destruídos”. Jacques Derrida postula que as formações culturais e intelectuais humanas deveriam sofrer uma reinterpretação como elemento fundante de um novo conhecimento: — “Não existem fatos, apenas interpretações”. A era do subjetivismo — “este é o método de retirar o significado de um texto, para colocar um novo significado pretendido”. Este método não é somente aplicado unicamente a textos, é também aplicado, na retórica política e ideológica em geral. O Desconstrucionismo é a chave do que chamamos hoje de “Politicamente Correto”, que é através dele, que surge o relativismo moral, que reinterpreta toda e qualquer relação social, valor, ou tradição cultural de acordo com as necessidades das causas políticas do momento; uma instrumentalidade comunista, socialista, esquerdista. “Os comunistas não se rebaixam a dissimular suas opiniões e seus fins. Proclamam abertamente que seus objetivos só podem ser alcançados pela derrubada violenta de toda a ordem social existente. Que as classes dominantes tremem à idéia de uma revolução comunista! Os proletários nada têm a perder nela a não ser suas cadeias. Têm um mundo a ganhar” (Karl Marx). “Comunismo não é amor, comunismo é um martelo com o qual se golpeia o inimigo” (Mao Tsé–Tung). “Idéias são mais letais que armas, somos favoráveis ao terrorismo organizado – isto deve ser admitido francamente, precisamos odiar. O ódio é a base do comunismo. As crianças devem ser ensinadas a odiar seus pais se eles não são comunistas, usaremos o “idiota útil” na linha de frente. Incitaremos o ódio de classes” (Vladimir Lenin).

16 – Os abusos da memória.

Já se escreveu que “a história é a ciência da infelicidade dos homens”; nosso século de violência parece confirmar essa fórmula de maneira eloquente. É verdade que nos séculos precedentes poucos povos e poucos Estados estiveram isentos da violência de massa. As principais potências européias estiveram implicadas no tráfico de negros; a república francesa praticou uma colonização que, apesar de algumas contribuições, foi marcada por numerosos episódios repugnantes, e isso até o seu término.

Os Estados Unidos permanecem impregnados de uma certa cultura da violência que se enraíza em dois dos mais terríveis crimes: — a escravidão dos negros e o extermínio dos índios. Não resta dúvida de que, a esse respeito, nosso século deve ter ultrapassado seus predecessores. Um olhar retrospectivo impõe uma conclusão incômoda: — este foi o século das grandes catástrofes humanas — duas guerras mundiais, o nazismo, sem falar das tragédias mais circunscritas, como as da Arménia, Biafra, Ruanda e outros países. Com efeito, o Império Otomano entregou–se ao genocídio dos arménios, e a Alemanha ao dos judeus e dos ciganos. A Itália de Mussolini massacrou os etíopes. Os tchecos têm dificuldades em admitir que seu comportamento em relação aos alemães dos Sudetos, em 1945 a 1946, não esteve acima de qualquer suspeita. A própria Suíça é hoje alcançada por seu passado como o país que gerenciava o ouro roubado pelos nazistas dos judeus exterminados, apesar desse comportamento não ser em nenhuma medida tão atroz quanto o do genocídio.

O comunismo insere–se nessa faixa de tempo histórico transbordante de tragédias, chegando mesmo a constituir um de seus momentos mais intensos e mais significativos. O comunismo, um dos fenômenos mais importantes deste curto século XX – que começa em 1914 e termina em Moscou em 1991 – encontra–se no centro desse quadro. Um comunismo que preexistia ao fascismo e ao nazismo, e que sobreviveu a eles, atingindo os quatro grandes continentes.

O que designamos precisamente com a denominação comunismo? Devemos, desde já, introduzir uma distinção entre a doutrina e a prática. Como filosofia política, o comunismo existe há séculos, e quem sabe, há milênios. Pois não foi Platão quem, em A República, fundou a idéia de uma cidade ideal na qual os homens não seriam corrompidos pelo dinheiro e pelo poder, na qual a sabedoria, a razão e a justiça comandariam? Não foi um pensador e estadista tão eminente quanto Sir Thomas More, chanceler da Inglaterra em 1530, autor da famosa Utopia e morto sob o machado do carrasco de Henrique VIII, um outro precursor da idéia dessa cidade ideal?

O método utópico parece perfeitamente legítimo como instrumento crítico da sociedade. Ele participa do debate das idéias – oxigênio de nossas democracias. Entretanto, o comunismo aqui abordado não se situa no céu das idéias. É um comunismo bem real, que existiu numa determinada época, em determinados países, encarnado por líderes célebres genocidas – Vladimir Lenin, Josef Stalin, Mao Tsé–Tung, Ho Chi Minh, Fidel Castro, etc., e, mais próximos da história política francesa, Maurice Thorez, Jacques Duelos, Georges Marchais. Qualquer que seja o grau de envolvimento da doutrina comunista anterior a 1917 na prática do comunismo real — retornaremos a esse ponto — foi este quem pôs em prática uma repressão metódica, chegando a instituir, em momentos de grande paroxismo[72], o terror como modo de governo. Isso faz com que a ideologia seja inocente?

Os espíritos ressentidos ou escolásticos sempre poderão sustentar que o comunismo real não tem nada a ver com o comunismo ideal. Evidentemente, seria absurdo imputar a teorias elaboradas antes de Cristo, durante a Renascença ou mesmo o século XDC, eventos que surgiram no decorrer do século XX. Entretanto, como escreve Ignazio Silone, “na verdade, as revoluções são como as árvores, elas são reconhecidas através de seus frutos”. Não foi sem razão que os social–democratas russos, conhecidos como “bolcheviques”, decidiram, em novembro de 1917, chamar a si próprios de “comunistas”.

Tampouco foi por acaso que erigiram junto ao Kremlin um monumento em glória daqueles que eles consideravam seus precursores: — More ou Campanella. Excedendo os crimes individuais, os massacres pontuais, circunstanciais, os regimes comunistas erigiram, para assegurar o poder, o crime de massa como verdadeiro sistema de governo. É certo que no fim de um período de tempo variável – alguns anos no Leste Europeu ou várias décadas na URSS ou na China – o terror perdeu seu vigor, os regimes estabilizaram–se na gestão da repressão cotidiana, censurando todos os meios de comunicação, controlando as fronteiras, expulsando os dissidentes. Mas a “memória do terror” continuou a assegurar a credibilidade e, consequentemente, a eficácia da ameaça repressiva. Nenhuma das experiências comunistas, populares durante algum tempo no Ocidente, escapou a essa lei: — nem a China do “Grande Timoneiro”, nem a Coreia de Kim II Sung, nem mesmo o Vietnã do “gentil Tio Ho” ou a Cuba do flamejante Fidel, ladeado pela pureza de um Che Guevara, não se esquecendo da Etiópia de Mengistu, da Angola de Neto e do Afeganistão de Najibullah.

Ora, os crimes do comunismo não foram submetidos a uma avaliação legítima e normal, tanto do ponto de vista histórico quanto do ponto de vista moral. Sem dúvida, trata–se aqui de uma das primeiras vezes que se tenta uma aproximação do comunismo, perguntando–se sobre esta dimensão criminosa como uma questão ao mesmo tempo global e central. Poderão retorquir–nos que a maioria dos crimes respondia a uma “legalidade”, ela própria sustentada por instituições pertencentes aos regimes vigentes, reconhecidos no plano internacional e cujos chefes eram recebidos com grande pompa por nossos próprios dirigentes. Mas não ocorreu o mesmo com o nazismo?

Os crimes não se definem em relação à jurisdição dos regimes comunistas, mas ao código não escrito dos direitos naturais da humanidade. A história dos regimes e dos partidos comunistas, de sua política, de suas relações com as sociedades nacionais e com a comunidade internacional não se resume a essa dimensão criminosa, ou mesmo a uma dimensão de terror e de repressão.

Na URSS e nas “democracias populares” depois da morte de Stalin, na China após a morte de Mao Tsé–Tung, o terror atenuou–se, a sociedade começou a retomar suas cores, a “coexistência pacífica” – mesmo sendo ainda “uma continuação da luta de classes sob outras formas” – tornou–se um dado permanente da vida internacional. Entretanto, os arquivos e os testemunhos abundantes mostram que o terror foi, desde sua origem, uma das dimensões fundamentais do comunismo moderno.

“Abandonemos a idéia de que tal execução de reféns, tal massacre de trabalhadores revoltados, tal hecatombe de camponeses mortos de fome, foram somente “acidentes” conjunturais, próprios a tais países ou a tal época”. O nosso método ultrapassa a especificidade de cada terreno e considera a dimensão criminosa como uma das dimensões próprias ao conjunto do sistema comunista, durante todo o seu período de existência.

17 – Do que falaremos, de quais crimes?

O comunismo cometeu inúmeros: — “inicialmente, crimes contra o espírito, mas também crimes contra a cultura universal e contra as culturas nacionais”. Stalin ordenou a demolição de centenas de Igrejas em Moscou; Ceaucescu destruiu o coração histórico de Bucareste para construir edifícios e traçar perspectivas megalomaníacas; Pol Pot fez com que fosse desmontada pedra por pedra a Catedral de Phnom Penh e abandonou à selva os templos de Angkor; durante a revolução cultural maoísta, tesouros inestimáveis foram quebrados ou queimados pelas Guardas Vermelhas.

Entretanto, por mais graves que tenham sido essas destruições, a longo prazo, para as nações envolvidas e para a humanidade inteira, em que medida elas pesam em face do assassinato em massa de pessoas, de homens, de mulheres, de crianças?

Portanto, consideramos apenas os crimes contra as pessoas, os que constituem a essência do fenômeno do terror. Esses respondem a uma nomenclatura comum, mesmo que tal prática seja mais acentuada neste ou naquele regime: — execução por meios diversos — fuzilamento, enforcamento, afogamento, espancamento e, em alguns casos, gás de combate, veneno ou acidente de automóvel; destruição pela fome – indigência provocada e/ou não socorrida; deportação – a morte podendo ocorrer no curso do transporte (em caminhadas a pé ou em vagões para animais) ou nos locais de residência e/ou de trabalhos forçados (esgotamento, doença, fome, frio).

O caso dos períodos ditos de “guerra civil” é mais complexo: — não é fácil distinguir o que decorre do combate entre poder e rebeldes e o que é massacre da população civil. Contudo, podemos estabelecer os números de um primeiro balanço que pretende ser somente uma aproximação mínima e que necessitaria ainda de uma maior precisão, mas que, de acordo com estimativas pessoais, dá uma dimensão da grandeza e permite sentir a gravidade do assunto:

[1] – URSS — 20 milhões de mortos.

[2] – China — 65 milhões de mortos.

[3] – Vietnã — 1 milhão de mortos.

[4] – Coreia do Norte — 2 milhões de mortos.

[5] – Camboja — 2 milhões de mortos.

[6] – Leste Europeu — 1 milhão de mortos.

[7] – América Latina — 150.000 mortos.

[8] – África — 1,7 milhão de mortos.

[9] – Afeganistão — 1,5 milhão de mortos.

[10] – Movimento comunista internacional e partidos comunistas fora do poder, uma dezena de milhões de mortos.

O total se aproxima da faixa dos cem milhões de mortos[73]. “A ignorância é sua enfermidade; o conhecimento deve ser sua cura” (Richard Baxter). “O comunismo existe hoje por que o cristianismo não está sendo suficientemente cristão” (Martin Luther King). “Os marxistas previram o fim da religião. Com o fim da opressão, o remédio representado por Deus não teria mais razão de ser, dizia–se. Mas também eles foram obrigados a reconhecer que o sentimento religioso nunca acabou porque está verdadeiramente enraizado no homem” (Papa Bento XVI).

[1] Ravi Zacharias. “Can Man Live Without God?”, 1994, p. 23 – 24. Essa pequena maquinação é atribuída a Adolf Hitler nalguns lugares, aqui, afirmamos ser apenas uma citação para descrever metaforicamente o pensamento comunista, que será exaustivamente trabalhado nesta obra com fontes primárias e secundárias. Contudo, registramos aqui que encontramos essa citação no livro de Ravi Zacharias como sendo de Josef Stalin, já que todas as vezes que essa citação é mencionada nunca se faz referência a obras. Este livro foi publicado em português pela Editora Mundo Cristão em 1997 com o título — “Pode o homem viver sem Deus?”.

[2] Vladimir Ilyich Ulianov, mais conhecido pelo pseudônimo “Lenin”, foi um revolucionário comunista, político e teórico político russo que serviu como chefe de governo da República Russa de 1917 a 1918, da República Socialista Federativa Soviética da Rússia de 1918 a 1922 e da União Soviética de 1922 a 1924.

[3] Em março de 1923, Lenin sofreu um terceiro acidente vascular cerebral e perdeu a capacidade de fala (Fischer 1964, p. 671; Shub 1966, p. 436; Lewin 1969, p. 103; Leggett 1981, p. 355; Rice 1990, p. 193; White 2001, p. 176; Read 2005, p. 281); naquele mês, teve paralisia parcial em seu lado direito e começou a exibir afasia sensorial (Fischer 1964, p. 671; Shub 1966, p. 436; Volkogonov 1994, p. 425; Service 2000, p. 474; Lerner, Finkelstein & Witztum 2004, p. 372). Em maio, parecia estar fazendo uma recuperação lenta, quando começou a recuperar sua mobilidade, fala e habilidades de escrita (Fischer 1964, p. 672; Rigby 1979, p. 192; Rice 1990, p. 193 – 194; Volkogonov 1994, p. 429 – 430). Em outubro, fez uma visita final a Moscou e ao Kremlin (Fischer 1964, p. 672; Shub 1966, p. 437; Volkogonov 1994, p. 431; Service 2000, p. 476; Read 2005, p. 281). Em suas últimas semanas, foi visitado por Zinoviev, Kamenev e Bukharin, com este último visitando–o em sua mansão em Gorki no dia de sua morte (Rice 1990, p. 194; Volkogonov 1994, p. 299; Service 2000, p. 477 – 478). Lenin morreu em sua mansão em 21 de janeiro de 1924, após entrar em coma no início do dia (Fischer 1964, p. 673 – 674; Shub 1966, p. 438; Rice 1990, p. 194; Volkogonov 1994, p. 435; Service 2000, p. 478 – 479; White, 2001, p. 176; Read., 2005, p. 269). A causa oficial de sua morte foi registrada como uma doença incurável dos vasos sanguíneos.

[4] O Exército Vermelho, na sua forma curta, ou Exército Vermelho dos Operários e dos Camponeses: — foi o exército da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, criado por Leon Trótski dos Bolcheviques em 1918 para defender o país durante a Guerra Civil Russa, sendo substituído pelo Exército Russo em 1991. O nome, abreviado geralmente para Exército Vermelho, faz referência à cor vermelha, símbolo do socialismo, e ao sangue derramado, produto de violências, massacres e processos genocidários.

[5] Operações especiais: — memórias de uma testemunha indesejada, Pavel Sudoplatov, Anatoli Sudoplatov, Mem Martins, Europa–América, D. L., 1994.

[6] MARSHALL, Alex. The Caucasus Under Soviet Rule – em inglês. [S.l.]: Taylor & Francis, 2010, p. 274.

[7] Trotskismo versus Leninismo – Lições da História – Harpal Brar, p. 9; Lenin, Collected Works, Volume 20, 1914, p. 448.

[8] Collected Works, Volume 34, p. 400.

[9] Os “otzovistas” (do verbo “otazvat”, retirar) é um grupo oportunista que surgiu entre os bolcheviques em 1908. Encobrindo-se com frases revolucionárias, os otzovistas exigiam a retirada dos deputados sociais–democratas da III Duma de Estado e a cessação do trabalho nas organizações legais. Declarando que nas condições da reação o partido só devia realizar um trabalho clandestino, os otzovistas renunciavam à participação na Duma, nas uniões operárias profissionais, nas cooperativas e outras organizações de massas legais e semilegais, e consideravam necessário concentrar todo o trabalho do partido no âmbito da organização clandestina. Uma variante do otzovismo foi o “Ultimatismo”. Nas condições da reação posterior à derrota da Revolução de 1905, quando o Partido Bolchevique, encontrando-se na clandestinidade, utilizava todas as possibilidades legais para conservar a ligação com as massas e preparar um novo ascenso (elevação) revolucionário, o “otzovismo” punha entraves ao mesmo. Em 1909, na reunião do conselho de redação do periódico “Bolchevique Proletari” (que de fato era o centro bolchevique), o otzovismo foi condenado como incompatível com o Bolchevismo.

[10] Trotskismo versus Leninismo – Lições da História – Harpal Brar, p. 10 — Notes of a Publicist, Collected Works, Volume 16, 1910, p. 211.

[11] Corrente revolucionária consequentemente marxista do pensamento político no movimento operário internacional, que surgiu no princípio do século XX, na Rússia e se modelou em um partido proletário de novo tipo, o Partido Bolchevique, fundado por Lenin. No II Congresso do POSDR (1903), durante as eleições dos organismos dirigentes do partido, os adeptos de Lenin constituíram a maioria (em russo: — “bolchinstvó”, e daí provêm o nome de bolcheviques). A base teórica do “bolchevismo” é o marxismo–leninismo. Lenin definia “o bolchevismo como a aplicação do marxismo às condições específicas da época”.

[12] O Significado Histórico da Luta Interna do Partido na Rússia, Collected Works, Volume 16, p. 374 – 392.

[13] O Partido Operário Social–Democrata Russo, ou “POSDR” (Росси́йская социа́л–демократи́ческая рабо́чая па́ртия [РСДРП]) foi um partido político socialista russo fundado em 1898 em Minsk (cidade da Bielorrússia) de modo a unir as várias organizações revolucionárias em um partido único. O “POSDR” mais tarde se dividiria nas facções “Bolcheviques” e “Mencheviques”, com os primeiros se tornando o Partido Comunista da União Soviética.

[14] Trotskismo versus Leninismo – Lições da História – Harpal Brar, p. 11.

[15] Carta ao Colégio Russo do Comitê Central do RSDLP, Collected Works, Volume 17, 1910, p. 17 – 22.

[16] A Diplomacia de Trótski e Certa Plataforma do Partido, Collected Works, Volume 17, p. 360 – 362.

[17] Collected Works, Volume 35, p. 40 – 41.

[18] Arquivos da GPU–NKVD F. 31:660, d. 9067, t, 1, L.163 – Atuações no exterior — citado em Volkogonov, D. Trótski, p. 456.

[19] Volkogonov, Trotski, p. 458.

[20] Designam o regime político, o comitê ou a associação política entre governantes (“triúnviros”) ou três personagens com autoridade em pé de igualdade em nível e poder e que se reúnem em um esforço único para a gestão de uma entidade ou para completar uma missão — nesse caso, Stalin, Lev Kamenev e Grigori Zinoviev.

[21] Diretório Político do Estado (GPU – Государственное Политическое Управление НКВД РСФСР).

[22] New York Times, edição de 22 de agosto de 1940.

[23] Palestra Sacchetta, 1946.

[24] Leon Trótski The Permanent Revolution e Results and Prospects – em inglês – Red Letter Press, 2010.

[25] Nota guia — O Foro de São Paulo é um exemplo desta teoria na prática. O Foro de São Paulo (FSP) é uma organização que reúne partidos políticos e organizações de esquerda, e até facções narcoterroristas, como FARC – Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, PCC – Primeiro Comando da Capital, MIR – Movimento de Esquerda Revolucionária, etc., criada em 1990, a partir de um seminário internacional promovido pelo Partido dos Trabalhadores (PT), do Brasil, que convidou outros partidos e organizações da América Latina e do Caribe para promover alternativas às políticas dominantes na região durante a década de 1990, chamadas de “neoliberais”, e para promover a integração latino–americana no âmbito econômico, político e cultural. Segundo a organização, atualmente mais de 100 partidos e organizações políticas de diversos países participam dos encontros. As posições políticas variam dentro de um largo espectro, que inclui partidos social–democratas (Fabianismo); extrema–esquerda (socialismo–comunismo); organizações comunitárias, “sindicais” e “sociais”; esquerda “cristã” (Teologia da Libertação e Liberalismo Teológico), grupos étnicos e “ambientalistas”; organizações nacionalistas e partidos declaradamente comunistas.

[26] O Campesinato, em que o indivíduo se chama Camponês, é o conjunto de grupos sociais de base familiar que se dedica a atividades agrícolas, com graus diversos de autonomia.

[27] Comissariado do povo para assuntos internos, foi o Ministério do Interior da URSS, criado em 1934.

[28] Enciclopédia Britânnica — socialismo em um país — doutrina stalinista <https://www.britannica.com/topic/communism/Stalinism#ref539199> Acessado em 2020.

[29] A “Revolta de Tambov” de 1919 – 1921 foi uma das maiores revoltas camponesas contra os bolcheviques durante a Guerra Civil Russa. Foi liderada por um ex–membro do Partido Socialista Revolucionário, Alexandre Antonov, de modo que o movimento viria a ser conhecido na história da União Soviética como “Antónovshchina”. Desencadeada por causa das colheitas forçadas pelo governo soviético no âmbito da política do comunismo de guerra.

[30] A “Revolta de Kronstadt” foi uma insurreição dos marinheiros soviéticos da cidade portuária de Kronstadt contra o governo da República Socialista Federativa Soviética da Rússia. Foi a última grande revolta contra o regime bolchevique no território russo durante a guerra civil que assolou o país. A revolta iniciou–se em 1 de março de 1921 na fortaleza naval da cidade, localizada na ilha de Kotlin, no golfo da Finlândia.

[31] COURTOIS, Stéphane. O Livro Negro do Comunismo – Crimes, Terror e Repressão, Editora Bertrand Brasil, 1999, p. 21.

[32] A Internacional Comunista ou “Komintern” ou também conhecida como “Terceira Internacional” (1919 – 1943), foi uma organização internacional fundada por Vladimir Lenin e pelo PCUS (bolchevique), em março de 1919, para reunir os partidos comunistas de diferentes países — análogo o Foro de São Paulo. Tinha como propósito, conforme seus primeiros estatutos, lutar pela “superação do capitalismo”, “o estabelecimento da ditadura do proletariado” e da “República Internacional dos Sovietes”, a completa “abolição das classes” e a “realização do socialismo”, como uma transição para a “sociedade comunista”, com a completa abolição do Estado e para isso se utilizando de todos os meios disponíveis, inclusive armados, para derrubar a burguesia internacional.

[33] NEP – Nova Política Econômica, foi a política econômica seguida na União Soviética entre o abandono do comunismo de guerra (praticado durante a guerra civil) em 1921, e a coletivização e renacionalização forçada dos meios de produção com a ascensão ao poder de Stalin em 1928. Em linhas gerais, passou pela reentrega das pequenas explorações agrícolas, industriais e comerciais à iniciativa privada, tentando, assim, desesperadamente, fazer a nascente União Soviética sair da grave crise em que se achava mergulhada.

[34] Existem fontes que dizem mostram que mesmo depois de toda reprovação de Lenin por Trótski, ele escrevera uma carta dizendo que Trótski, Bukharin ou Piatakov deveriam ser nomeados como possíveis candidatos à sucessão, enquanto Stalin deveria ser impedido de assumir o poder. Mas, que como Stalin tinha uma rede de espiões, essa carta foi interceptada e, Stalin naturalmente escondeu a carta do parlamento para proteger a si próprio, pois temia que Trótski mostraria a eles na próxima reunião, onde ele estaria impotente para detê–lo. Dessa forma, Stalin teve sua posição consolidada (“Lenin” – em inglês – [S.l.]: — The new Cambridge modern history <https://books.google.co.th/books?id=LLg8AAAAIAAJ&pg=PA453&redir_esc=y&hl=pt-BR#v=onepage&q&f=false> Acessado em 2020, Volume XII, p. 453).

[35] Stalinismo designa o período em que o poder político na antiga União Soviética foi exercido por Josef Stalin. O stalinismo não chega a ser uma teoria, uma vez que não articula de forma sistemática ou original determinados conceitos ou princípios. O termo “stalinismo” é utilizado, na maioria das vezes, como essencialmente o domínio absoluto de uma dada liderança, a qual dispõe de meios por intermédio dos quais estabelece como verdade a sua interpretação particular do marxismo, do qual se arvora a condição de único e legítimo intérprete. Neste sentido, o stalinismo reproduz e alimenta uma estrutura de pensamento único. O stalinismo é uma corrente: — totalitária e fascista.

[36] Andrea Graziosi. “Les Famines Soviétiques […]”, art., cit., p. 463.

[37] Kolkhoz — Fazendas coletivas na URSS organizadas sob a forma de cooperativas de camponeses, reunidos com base no voluntariado para administrar uma grande propriedade agrícola com base na socialização dos meios de produção e no trabalho coletivo. Os kolkhozianos desenvolviam sua produção em terras de propriedade estatal cedidas para usufruto. Organizavam–se segundo um estatuto aprovado pela assembléia geral dos seus membros e com base no planejamento e nos princípios de autogestão financeira. Foram grandes produtores de bens agrícolas na URSS —, mas sofreram nas mãos do déspota Josef Stalin.

[38] COURTOIS, Stéphane. O Livro Negro do Comunismo – Crimes, Terror e Repressão, Editora Bertrand Brasil, 1999, p. 64.

[39] Czarismo foi um sistema político que imperou na Rússia desde 1547 até a Revolução de 1917. Czar era o título que se dava ao Imperador Russo e que, durante esse período, governava de forma absoluta, na qual se confundia com o Estado. Agiam politicamente em função da grandeza imperial e da ampliação de seu poder como déspota. O czarismo era um regime bastante parecido com o absolutismo. A falta de liberdade, no regime czarista era quase absoluta, mesmo para a nobreza, classe social teoricamente livre, mas que vivia subjugada pelo czar. Por último, o czar Nicolau II, mesmo transformando o país numa monarquia constitucional, incluindo um parlamento, não conseguiu travar o socialismo que se instalou.

[40] Título da liderança religiosa — Prelado é a autoridade eclesiástica que, na Igreja Católica, tem o encargo de governar ou dirigir uma Prelatura ou Prelazia, bispos, abades, provinciais, etc.

[41] Lenin, V., I – “About the attitude of the working party toward the religion”, Collected works, Volume 17, p. 41.

[42] Marx K. “The Communism of the Rheinischer Beobachter”, Engels F. Works, Volume 4, p. 4.

[43] Marx K. Crítica do Programa de Gotha – Marx K., Engels F. Works, Volume 19, p. 10.

[44] Lenin V., I – Carta para A. M Gorky, novembro de 1913, op., Volume 43, p. 23.

[45] Can Man Live Without God?, Ravi Zacharias, 1994, p. 25 – 26.

[46] Lenin V., I – Sobre a Atitude do Partido dos Trabalhadores para a Religião, op., Volume 17, p. 418 – 420.

[47] Strength to Love do capítulo – “Como um cristão deve ver o comunismo?” – de Martin Luther King Jr.

[48] Montefiore, 2007.

[49] Historical Notes: — The Death of Stalin’s Son, Time (em inglês), 1 de março de 1968.

[50] Butler, Desmond (17 de dezembro de 2001), “Ex–Death Camp Tells Story Of Nazi and Soviet Horrors”, The New York Times (em inglês).

[51] Knipp, Steven (17 de dezembro de 2006), “Stalin’s legacy lives in Georgia: — Grandson defends notorious Soviet leader’s actions”.

[52] Amis, Martin (17 de setembro de 2014), Koba the Dread: — Laughter and the Twenty Million (em inglês), [S.l.]: Knopf Doubleday Publishing Group — Alliluyeva, Svetlana (21 de junho de 2016), Twenty Letters to a Friend: — A Memoir (em inglês). [S.l.]: HarperCollins.

[53] A&E (abreviação para Arts & Entertainment) é uma rede de televisão transmitida por servidores de televisão a cabo ou satélite.

[54] RIEBER, Alfred. Stalin, Man of the Borderlands Arquivado em 1 de agosto de 2012 no Archive.is. The American Historical Review, dezembro de 2001 (em inglês). Acessado em 26 de junho de 2009.

[55] EBON, Martin. “Livro: — Os Grandes Lideres Kruschev”.

[56] Martin, Douglas (28 de novembro de 2011), “Stalin’s Daughter Dies at 85”, The New York Times (em inglês).

[57] Ibid.

[58] “Lana Peters dies at 85; Josef Stalin’s daughter, author”, Los Angeles Times (em inglês), 29 de novembro de 2011.

[59] Alandete, David (28 de novembro de 2011), “La única hija de Stalin muere a los 85 años en el anonimato y la pobreza”, EL PAÍS (em espanhol).

[60] Nikita Serguêievitch Khrushchov — Foi um político soviético que liderou a União Soviética durante parte da Guerra Fria como Secretário–Geral do Partido Comunista da União Soviética de 1953 a 1964 e como Presidente do Conselho de Ministros (ou primeiro–ministro) de 1958 a 1964.

[61] Geórgiy Maksimiliánovich Malenkov — Foi um político soviético e líder do Partido Comunista da URSS, além de colaborador próximo de Josef Stalin. Ele tornou–se líder da União Soviética por um breve tempo, entre março e setembro de 1953, após a morte de Stalin, e foi primeiro–ministro da União Soviética de 1953 a 1955.

[62] Lavrenti Pavlovitch Beria — Foi um político soviético e chefe da NKVD na Geórgia.

[63] “Datcha”, ou ainda “Dacha”, é o nome russo para fazenda, casa de campo ou mansão. A “Datcha” é uma espécie de casa de campo para ser usada no verão e primavera, se alternando com as casas de inverno, usadas no inverno e no outono.

[64] A misteriosa morte de Stalin, acesso em 19 de abril de 2019 < https://jornalggn.com.br/historia/a-misteriosa-morte-de-stalin/> Acessado em 2020.

[65] Conquest, 1991, p. 313; Volkogonov, 1991, p. 574; Service, 2004, p. 586; Khlevniuk, 2015, p. 313.

[66] Conquest, 1991, p. 313; Khlevniuk, 2015, p. 313 – 314.

[67] Transcrição do documentário do canal Brasil Paralelo, episódio: — A Raiz do Problema, 2018.

[68] Uma frase semelhante aparece atribuída ao ditador Josef Stalin no chamado “Вадим Васильевич Серов Энциклопедический словарь крылатых слов и выражений” (Dicionário Enciclopédico de Palavras e Expressões de Serov Vadim Vasilievich, p. 378) — “Não importa como eles votaram, o mais importante é como eles contaram”. Acredita–se que essas palavras foram ditas por Josef Stalin (1878 – 1953) em 1934, no 17º Congresso do PCUS, a respeito dos procedimentos sobre a eleição para Secretário Geral do PCUS, no qual ele venceu.

[69] Artigo — O Comunismo Real por Olavo de Carvalho, Diário do Comércio, 13 de abril de 2014.

[70] OLIYNIK, Anatoli. A tomada do poder, Gramsci e a Comunização do Brasil, 2016.

[71] Sociedade Fabiana – O propósito declarado da Sociedade era o de conquistar e controlar os cidadãos Britânicas, “para lucro seu, e para o seu próprio bem” (Fabian News, Setembro de 1897). Tendo em vista este propósito, e para não ser só falar a política, a Sociedade determinou–se a controlar a educação, a cultura, a economia, o sistema legal e até a medicina e a religião. Isto foi realizado através duma vasta gama de organizações sociedades e movimentos interligados: — Educação, sociedades universitárias e escolas tais como a “London School of Economics”, Cultura, o movimento Nova Era, a “Central School of Arts and Crafts”, a “Leeds Arts Club”, o “Fabian Arts Group” e a “Stage Society”, Economia, a “London School of Economics” e a “Royal Economic Society”, Sistema Lega, a Sociedade Haldane, Medicina, a Liga Médica Socialista, Religião, o movimento de Igrejas Trabalhistas (mais tarde, Socialista), a “Christian Socialist Crusade”, a “Christian Socialist League” e a “Christian Socialist Movement”, etc. (Ratiu, 2012). No Brasil, vivemos o Socialismo Fabiano, a TMI (Teologia de Missão Integral) é a representante, no cristianismo híbrido e congêneres, Teologia Negra, Feminista, Inclusiva, etc. “A Teologia da Missão Integral é uma variante Protestante da Teologia da Libertação” do Catolicismo Romano – Ariovaldo Ramos, na revista marxista Diplomatique.

[72] Momento de maior intensidade de uma dor.

[73] COURTOIS, Stéphane. O Livro Negro do Comunismo – Crimes, Terror e Repressão, Editora Bertrand Brasil, 1999, p. 6 – 8.