HADDAD ERRA FEIO — JUROS ALTOS SÃO SINTOMA, NÃO CAUSA DA DÍVIDA DESCONTROLADA

HADDAD ERRA FEIO — JUROS ALTOS SÃO SINTOMA, NÃO CAUSA DA DÍVIDA DESCONTROLADA

(20 de janeiro de 2026) — O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que a dinâmica da dívida pública brasileira está mais associada ao patamar elevado dos juros reais — a taxa nominal descontada a inflação — do que ao tamanho dos déficits fiscais, os quais, segundo ele, vêm sendo reduzidos nos últimos anos. “Em dois anos nós reduzimos em 70% o déficit primário. O problema da dívida tem a ver com o juro real, não tem a ver com o déficit, que está caindo”, declarou em entrevista ao programa UOL News, defendendo que custos de juros elevados pressionam o endividamento estatal e que há margem para queda na taxa básica de juros ao longo do tempo.

Esse posicionamento reforça a ideia de que o cenário econômico brasileiro tem sido fortemente influenciado pelo custo do crédito e pelos juros elevados, que exercem impacto tanto sobre a atividade econômica quanto sobre a trajetória da dívida pública — aspecto já observado em dados que mostram custos de emissão de dívida e aumentos de encargos associados à taxa Selic em níveis historicamente altos.

Os erros fundamentais.

O pensamento expresso pelo ministro Fernando Haddad, ao atribuir a dinâmica da dívida pública brasileira principalmente aos juros reais elevados em vez dos déficits fiscais, contém erros fundamentais quando analisado à luz da Escola Austríaca de Economia e da tradição liberal clássica. Essa visão tende a inverter a causalidade, tratando os juros altos como causa primária do endividamento, em vez de reconhecê-los como sintoma de problemas estruturais mais profundos, como gastos governamentais excessivos, expansão monetária e intervenções estatais que distorcem o mercado. Abaixo, explico os principais erros, fundamentando-me em autores chave dessas correntes, como Ludwig von Mises, Friedrich Hayek, Murray Rothbard (da Escola Austríaca) e liberais como Milton Friedman e James Buchanan (que dialogam com princípios liberais de responsabilidade fiscal).

Inversão de causalidade — Juros altos são sintoma, não causa principal.

1 – Erro no pensamento.

Haddad sugere que a redução dos déficits primários (em 70% em dois anos) é suficiente para estabilizar a dívida, e que o “problema” reside nos juros reais altos, defendendo uma queda na taxa básica (Selic). Isso implica que intervenções para baixar juros artificialmente (via Banco Central) resolveriam o endividamento, ignorando que juros elevados refletem o risco percebido pelo mercado — decorrente de déficits acumulados, inflação e instabilidade fiscal histórica.

2 – Crítica austríaca/liberal.

Os juros reais altos não são uma anomalia isolada, mas uma consequência direta de políticas fiscais expansionistas que geram dívida excessiva. Déficits persistentes forçam o governo a emitir mais títulos, aumentando a oferta de dívida e elevando os custos de financiamento (efeito “crowding out”, onde o Estado compete com o setor privado por recursos). Baixar juros forçadamente distorce os sinais de preço no mercado, levando a alocações ineficientes de capital e ciclos econômicos artificiais.

3 – Ludwig von Mises (em A Teoria da Moeda e do Crédito, 1912, e Ação Humana, 1949).

Mises argumenta que juros artificiais baixos, manipulados por bancos centrais, causam “booms” (expansões) insustentáveis seguidos de “busts” (colapsos). No contexto da dívida pública, ele critica o financiamento de déficits via expansão monetária, que inflaciona a economia e erode o valor da moeda. Para Mises, o verdadeiro problema é o gasto estatal excessivo, que cria dependência de dívida barata, não os juros em si — que são um mecanismo natural de alocação de escassez temporal de capital.

Friedrich Hayek (em Preços e Produção, 1931, e seu Prêmio Nobel de 1974 sobre ciclos econômicos).

Hayek enfatiza que intervenções em taxas de juros distorcem o “conhecimento disperso” do mercado, levando a investimentos mal direcionados. Aplicado à dívida brasileira, juros altos sinalizam risco de calote ou inflação futura devido a déficits crônicos; reduzi-los artificialmente mascara o problema, incentivando mais endividamento e prolongando a crise, como visto em ciclos de hiperinflação em economias intervencionistas.

Milton Friedman (em Capitalismo e Liberdade, 1962, e estudos sobre monetarismo).

Embora não puramente austríaco, Friedman, como liberal, alerta que déficits fiscais financiados por dívida ou impressão de moeda geram inflação, que por sua vez eleva juros nominais. Ele defende regras fiscais rígidas (como limites de dívida) em vez de manipulações discricionárias, argumentando que governos tendem a subestimar o custo de longo prazo dos déficits, focando em soluções de curto prazo como cortes de juros — o que agrava a instabilidade.

Ignorância do efeito acumulado dos déficits e da inflação implícita.

Ao destacar a redução recente do déficit primário, Haddad minimiza o impacto cumulativo da dívida histórica (que ultrapassa 70% do PIB em 2026) e ignora que déficits “reduzidos” ainda são positivos, adicionando à dívida total. Além disso, ele subestima como políticas monetárias expansionistas (para baixar juros) geram inflação, que corrói o poder de compra e pressiona a dívida real.

Déficits fiscais não são neutros mesmo quando “reduzidos”; eles acumulam dívida, que requer rolagem constante a custos crescentes. Juros altos são um prêmio de risco imposto pelo mercado para compensar a inflação esperada e a probabilidade de default (inadimplemento). A Escola Austríaca vê a inflação não como mero “desconto” (como na visão de Haddad), mas como uma forma de tributação oculta que beneficia o Estado às custas dos cidadãos.

Rothbard, austríaco radical, argumenta que a dívida pública é uma forma de “roubo intergeracional”, onde déficits financiam gastos atuais transferindo custos para o futuro via inflação ou impostos. Ele critica visões como a de Haddad por tratarem juros como “problema” isolado, quando na verdade eles resultam de monopólios estatais sobre a moeda (como o Banco Central), que permitem expansão creditícia. Para Rothbard, a solução não é baixar juros, mas cortar gastos e privatizar funções estatais para eliminar déficits.

Como liberal influenciado por princípios austríacos, Buchanan explica que políticos têm incentivos para maximizar déficits (para ganhar votos com gastos), subestimando custos futuros. Isso cria um “viés deficitário” que eleva juros como mecanismo de correção do mercado. No caso brasileiro, Buchanan veria a ênfase de Haddad nos juros como uma distração para evitar reformas fiscais profundas, como cortes em privilégios estatais ou desregulamentação.

Riscos de intervencionismo e falta de sustentabilidade de longo prazo.

A defesa de “margem para queda na taxa básica” implica confiança em intervenções monetárias para gerenciar a dívida, ignorando riscos de instabilidade financeira e dependência de credores externos.

Políticas que priorizam cortes de juros sobre equilíbrio fiscal levam a “moral hazard”risco moral (onde o Estado assume riscos excessivos sabendo que pode manipular a moeda). Isso contraria o princípio liberal de mercados livres, onde preços (incluindo juros) devem refletir escassez real, não decretos governamentais.

Von Mises e Hayek (como citado acima) alertam para os “ciclos austríacos”, onde juros baixos artificiais inflacionam bolhas de dívida, como observado em crises como a da Argentina ou da Grécia — paralelos possíveis ao Brasil.

Friedman defende que estabilidade vem de regras monetárias previsíveis, não de intervenções ad hoc para “reduzir custos de dívida”, que acabam elevando inflação e juros reais no longo prazo.

Em resumo, o erro central é tratar sintomas (juros altos) como causa, em vez de atacar raízes fiscais e monetárias. Autores austríacos e liberais enfatizam que soluções sustentáveis envolvem cortes de gastos, responsabilidade fiscal e limitação do poder estatal, não manipulações que perpetuam o ciclo de endividamento. Essa visão intervencionista, comum em economias keynesianas, contrasta com o liberalismo, que prioriza liberdade econômica e mercados auto–reguladores.

ONS PREVÊ QUEDA MAIOR NA DEMANDA DE ENERGIA ELÉTRICA EM SETEMBRO

ONS PREVÊ QUEDA MAIOR NA DEMANDA DE ENERGIA ELÉTRICA EM SETEMBRO

(13 de setembro de 2025) — O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) revisou nesta semana sua projeção para a carga de energia elétrica no Brasil, indicando uma retração mais acentuada do que o esperado anteriormente. A nova estimativa aponta para uma queda anual de 2,3%, com demanda média de 79.403 megawatts (MW) ao longo do mês.

Na semana anterior, a previsão era de redução de 2,0%. Segundo analistas, a revisão reflete uma combinação de fatores: — a atividade econômica em ritmo mais fraco, temperaturas amenas que diminuem o uso de refrigeração e, em menor escala, o efeito de maior eficiência energética.

O quadro hidrológico segue como ponto central. Para setembro, o ONS prevê chuvas no Sul equivalentes a 119% da média histórica, avanço significativo frente aos 79% da semana anterior. No entanto, no Sudeste e Centro–Oeste, regiões de maior peso para a matriz elétrica, a previsão é de afluências em torno de 59% da média, um recuo em relação aos 60% calculados antes. O Nordeste deve registrar 47% e o Norte, 60%, ambos praticamente estáveis em relação às estimativas anteriores.

Mesmo com melhora localizada, os reservatórios do Sudeste/Centro–Oeste — responsáveis pela maior parte da geração hidrelétrica — devem encerrar setembro com nível médio de 51,6% da capacidade, levemente abaixo dos 51,8% projetados anteriormente.

Embora não haja risco iminente de racionamento, a situação exige cautela. O equilíbrio do sistema elétrico dependerá tanto da evolução da demanda quanto da regularidade das chuvas nos próximos meses, já que a hidreletricidade permanece como base do abastecimento energético brasileiro.

Fonte: Reuters.

PLANTIO DA SOJA AVANÇA LENTAMENTE NO BRASIL E PREOCUPA SETOR DO AGRONEGÓCIO

PLANTIO DA SOJA AVANÇA LENTAMENTE NO BRASIL E PREOCUPA SETOR DO AGRONEGÓCIO

(15 de setembro de 2025) — O início da safra de soja 2025/26 no Brasil avança em ritmo muito lento e já acende sinais de alerta no setor do agronegócio. Segundo levantamento da consultoria AgRural, até o dia 15 de setembro, apenas 0,12% da área estimada havia sido plantada. O índice mostra crescimento em relação à semana anterior, quando estava em apenas 0,02%, mas ainda revela atraso diante da expectativa para o período. No mesmo intervalo da safra anterior, o percentual era de 0,06%.

A estimativa é que o país plante uma área recorde de 48,6 milhões de hectares, com produção projetada em 176,7 milhões de toneladas. Caso o número se confirme, o Brasil alcançará uma nova marca histórica na produção de soja. Porém, especialistas ressaltam que o resultado depende diretamente das condições climáticas, especialmente do regime de chuvas, que neste ano está mais tardio e irregular.

Os estados que já iniciaram a semeadura são Paraná, Mato Grosso e São Paulo. No Paraná, os trabalhos apresentam melhor ritmo, mas no Mato Grosso — maior produtor nacional — o plantio segue praticamente parado em razão da baixa umidade no solo, o que impede o desenvolvimento das sementes.

A preocupação com o atraso não se restringe à soja. O milho de verão, primeira safra do ciclo, apresenta ritmo mais acelerado: — 17% da área já foi plantada no centro–sul do país, frente a 12% na semana anterior e 19% no mesmo período do ano passado. A área estimada para o cereal é de 2,439 milhões de hectares, com produção potencial de 18,1 milhões de toneladas.

O setor acompanha com atenção os próximos dias, na expectativa de que a regularização das chuvas permita acelerar os trabalhos e garantir que o calendário agrícola não seja comprometido. Afinal, qualquer atraso pode afetar não apenas a produção doméstica, mas também as exportações, os preços internos e, consequentemente, a inflação de alimentos.

Fonte: Reuters.